Away Shuffle Dungeon

Grutas, grutas e mais grutas.

AWAY: Shuffle Dungeon é um RPG desenvolvido a cargo da Artoon/Mistwalker. O seu lançamento pelas Américas e Japão ocorreu já no desenrolar do ano passado, mas só agora chega à Europa. O principal destaque aqui vai para a presença de dois grandes nomes da indústria na componente artística do jogo. Naoto Ōshima, conhecido por criar os modelos das personagens da série Sonic, e Nobuo Uematsu, o compositor por detrás de mais de uma resma de títulos Final Fantasy, estão também encarregues de dar um ar da sua graça em AWAY.

AWAY retrata uma aldeia muito particular. Uma aldeia que seria igual a tantas outras, ou não padecesse de um misterioso fenómeno. Ao longo do último século os seus populares começaram a desaparecer de forma abrupta e sem qualquer explicação possível, contando já com 99 erradicados. Agora, 100 anos depois, caminhamos para o centésimo desaparecido, mas eis que algo de maior acontece. Não só uma pessoa, mas toda a aldeia desaparece sendo que agora Sword, o nosso personagem, deverá restituir a paz na aldeia.

Quando a aventura começa toda a aldeia está ainda intacta e só a premunição de um acontecimento nefasto vos levará a crer que tal calmaria virá a terminar. A história em si parece, desde logo, demasiado forçada tal como toda a mecânica de jogo. Uma vez ocorrido o fenómeno todas as casas e populares desaparecerão e o objectivo desta aventura passa a ser encontrar toda a população da aldeia, para que estes voltem a construir as suas casas e tudo volte assim ao normal.

A estrutura do jogo pode ser dividida em duas partes: a aldeia e as grutas. Toda a aldeia em si é praticamente um menu interactivo onde podem comprar medicamentos, armas, comida ou qualquer tipo de arsenal. É através da aldeia que acedem às grutas. As grutas são um mundo à parte, completamente diferentes da aldeia, até mesmo no grafismo. O jogo em si nem parece um RPG, só mesmo a existência da aldeia para comprar itens e aceder aos verdadeiros níveis é que dá a ideia de o ser.

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Os cenários estão em constante alteração, pelo que devem ser rápidos a fazer a transição entre ambos.

O objectivo em AWAY, na prática, é só um – entrar numa gruta, resgatar uma pessoa e trazê-la de volta para a aldeia para que esta construa a sua casa. A mecânica repete-se de forma altamente insistente chegando mesmo a ser penoso o acto de voltar a entrar numa gruta. Ainda assim, as grutas conseguem recorrer a uma mecânica original. Não são lineares como na maioria dos jogo de grutas. Existe uma espécie de falha sísmica entre os dois ecrãs da DS que faz com que ocasionalmente a terra se mova. Assim, o jogador terá que caminhar rapidamente entre os dois ecrãs enquanto estes se movem de forma alternada, de modo a descobrir a saída. Por vezes este mais parece um jogo de puzzles, pois a ideia de sair rapidamente de uma gruta em movimento consegue até tornar o jogo desafiante.

Mas se na teoria a ideia é engraçada, na prática não o é, e a necessidade de repetir esta ideia a cada popular que têm que resgatar só ajuda a degradar a experiência. Ocasionalmente irão até defrontar um ou outro Boss, mas nem mesmo o sistema de combate é divertido. AWAY parece ainda sofrer de alguma falta de personalidade, indo buscar a ideia de carregar discípulos a Pókemon Mistery Dungeon. O problema é que até isso é estúpido, e a certa altura irão andar com mãos cheias de "Fupons" atrás. Os Fupons são bichos de diversos estilos como fogo ou água que poderão evoluir (a sério?) e carregá-los às costas para realizar ataques extra.

Nem mesmo graficamente é um jogo dotado. A aldeia em si tem 3 secções em 3D, com um visual pobre e derivativo onde podem encontrar algumas casas e tesouros com dinheiro e outros artefactos. Fora isso, o interesse em andar por esta aldeia é altamente baixo e a certa altura irão apenas querer entrar nas grutas, pelo menos até se fartarem delas. As grutas apresentam um visual 2D completamente distinto do resto do jogo e com um aspecto bem mais agradável. Mas até as grutas são bastante parecidas entre si, dando até, por vezes, a ideia de que só mesmo o layer é alterado entre cenários. A nível sonoro também não esperem ver algo muito variado. Geralmente ao jogar RPG’s deste género esperamos uma alteração de música ambiente ao mudar de zona, o problema é que aqui a zona é quase sempre a mesma, e a música também.

Contas feitas estamos perante um jogo fraco, que ambiciona ser um RPG, talvez, alternativo, mas que falha em vários elementos base. Não é viciante, é sim repetitivo, muito repetitivo. AWAY: Shuffle Dungeon limita-se, muitas vezes, a apresentar uma série de grutas pelas quais deverão caminhar até encontrar a saída. Se são fãs de jogos de grutas poderão até encontrar aqui algum proveito, pois AWAY consegue até ser um jogo desafiante. O grande problema é que a sua ideia base torna o jogo quase sempre uma seca.

5 /10

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Sobre o Autor

Ricardo Madeira

Ricardo Madeira

Colaborador

É redator e dá voz à Eurogamer Portugal. É um dos mais antigos membros da equipa, e ao mesmo tempo um dos mais novos. Confusos? É simples.

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