A caminho de Street Fighter IV - Parte 3

Tendo o passado como inspiração, Alpha reinventou a série Street Fighter.

Tempo para virar de página e assim inaugurar a terceira parte neste percurso que perpassa as diversas fases de por que passou a série Street Fighter. Desde o nascimento até à mais recente fasquia vão duas dezenas e mais alguns anos, mas nesta terceira parte prosseguimos pela segunda metade da década de noventa. Nessa altura, os produtores da Capcom conviviam com três certezas; o incontestável êxito de Super Street Fighter II Turbo, o progresso das produtoras concorrentes e a necessidade de acrescentar uma nova posição de destaque para a série fulcral na cena dos fighting games.

Ciente de um novo rumo a Capcom rescindiu em definitivo com a ideia de continuar a acrescentar novas soluções para o super explorado Street Fighter II. Aliás, já o tinha feito, e na altura em que Super Street Fighter II chegou ao mercado, já os programadores testavam um jogo a nível interno com nome de código - chamavam-lhe Street Fighter Z. Ao público do oriente foi dado a conhecer como Street Fighter Zero e para o congénere ocidental como Alpha. Imposição de nomes à parte e também para evitar títulos cada vez mais extensos - só recentemente ultrapassado por Super Street Fighter II Turbo HD Remix - o objectivo era dar seguimento à origem da série e preencher um ponto do compêndio que pudesse transmitir aos jogadores o desenvolvimento de uma prequela.

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Os fighting games já não eram compreendidos sem um novo Street Fighter. A lenda tinha de continuar.

Quando a comunidade de adeptos esperava o salto qualitativo para o três em numeração romana a palavra de ordem trouxe de volta as origens, recuperando também algumas personagens do primitivo Street Fighter que poucos conheciam. Street Fighter III também não estava muito mais longe, mas os produtores deixaram escapar que, mediante alguns atrasos na programação, serviram-se de Street Fighter Alpha para não deixar um vazio considerável entre as sequelas.

Street Fighter Alpha - Warriors Dreams

Voltando às origens e posicionando-se, em termos de narrativa, no período entre Street Fighter e Street Fighter II esta primeira versão do subgénero Alpha marcou pelo desenvolvimento específico das personagens. Enquanto que a jogabilidade permaneceu próxima da anterior evolução, não obstante algumas alterações que adiante veremos, Ryu, Ken e Chun-Li foram as personagens que não sofreram grandes alterações.

Com combates mais épicos e destacando-se um grafismo melhorado, bastante próximo do estilo anime, proporcionado pela aplicação da técnica que rendera frutos em Darkstalkers, cada elemento do jogo foi adaptado para suportar as novas ideias.

Para facilitar a vida aos jogadores que só então conheceram a série os produtores acrescentaram uma vertente automática que permitia a aplicação de movimentos defensivos automáticos e ainda o desenvolvimento automático dos combos especiais. O objectivo era facilitar a adesão de novos jogadores e permitir que pudessem adquirir um certo sentido de intimidade. Por outro lado, SFA tinha um modo de jogo especial, secreto. Nele os jogadores poderiam recriar alguns dos combates vistos na película de animação chamada Street Fighter anime movie (baseada em Street Fighter II e Street Fighter II Turbo). Um deles era o combate entre Ryu e Ken contra M Bison, com direito a tema musical respectivo do filme de animação.

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No Japão o jogo ficou conhecido como Street Fighter Alpha Zero para despertar nos jogadores a ideia de prequela. Rose foi uma das novas personagens adicionadas à lista.

Ao nível do quadro narrativo, deixou de vigorar aquele esquema que opunha qualquer lutador, no derradeiro e decisivo combate , diante do mesmo boss, que era, no princípio, M Bison. Deste modo o desenvolvimento da história de cada uma das personagens era cruzado e conduziu a diferentes bosses. Por exemplo, Ryu defrontava Sagat e Ken encontrava o seu ex-colega de treino Ryu. Cada boss tinha por isso uma especial conexão com a personagem eleita no princípio. Graças a esta organização os jogadores ganharam um especial interesse em concluir a obra com diferentes lutadores de forma a descobrir todas as particularidades e conexões existentes entre eles.

Convencidos que os super combos representaram uma progressão notável no último capítulo da série, os produtores voltaram à carga, mas através de um incremento sem precedentes. De rajada, cada lutador passou a poder utilizar três diferentes tipos de super combos. Mas as alterações dentro dos ataques especiais não se ficaram pela maior diversidade. Sendo possível alargar a barra de poder especial até três níveis, os jogadores podiam utilizar técnicas especiais com outra envergadura.

Uma introdução particular no sistema de combate foi o “alpha counter”, também conhecido como “cancel technique” e que servia para suster os ataques especiais dos outros lutadores, dando depois a possibilidade de ripostar com vigor através de um golpe especial quando o adversário já tombava desprotegido. Mas um dos acrescentos que gerou particular ânimo junto dos adeptos mais hardcore foi o chain combo. Com uma combinação que começava a partir de um golpe leve, médio e depois forte, os jogadores habilidosos teriam logo de seguida cancelar a execução para arrancar um golpe especial, causando sérios danos no adversário. Mas o combo era de tal modo devastador que não teve continuação em Street Fighter Alpha 2.

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Ryu e Ken contavam com um aspecto físico mais juvenil, mas Akuma continuava poderoso à custa do devastador raging demon.

Street Fighter Alpha deu seguimento à lista de personagens inicialmente controladas pelo computador, mas que poderiam ser desbloqueadas através do ecrã de selecção de personagens. Os códigos chegaram em pouco tempo às revistas e assim muitos puderam controlar Akuma, Bison e especialmente Dan visto pela primeira vez diante de uma plateia enorme. Quanto às outras personagens, nomeadamente Ryu, Ken, Sagat e Chun-Li, permaneceram dentro das margens que lhes eram conhecidas, mas foi através de Charlie, Guy, Birdie, Sodom, Adon e Rose que as técnicas especiais de combate foram alvo de nova exploração.

Num particular sentido a versão Alpha da série Street Fighter representou uma refrescante renovação com um grafismo próximo da animação e com personagens de feição mais jovem. Ao mesmo tempo este jogo foi alvo de ajustes na parte das combinações, fortalecendo a experiência assim como a marca Street Fighter.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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