God of War (PC) review - Estás pesado, boy

A melhor versão mas sem optimização.

Apesar da escassez de hardware que está a aumentar exageradamente os preços dos componentes para PC, principalmente das placas gráficas, a plataforma está a passar por um dos melhores momentos de sempre na sua história. De um lado temos a Microsoft a apoiar mais do que nunca a plataforma, lançando todos os seus jogos na Xbox e Windows 10/11 em simultâneo. Do outro lado, a PlayStation está a ir contra todas as expectativas e lançar títulos seleccionados do seu catálogo no Steam, uma decisão inédita na história da marca. E não podemos esquecer o apoio que as editoras japonesas estão a mostrar à plataforma e o impulso que a Epic Games está a dar com a sua loja. São tempos entusiasmantes, ainda que a barreira de entrada para este "maravilhoso mundo" esteja mais alta do que nunca.

Neste início de 2022, os jogadores do PC têm mais uma razão para celebrar. God of War, indiscutivelmente um dos melhores jogos do catálogo da PS4, será lançado no Steam. Seguindo as pegadas dos outros jogos PlayStation já lançados para PC, nomeadamente Days Gone, Horizon: Zero Dawn, a versão PC de God of War tem suporte para funcionalidades específicas da plataforma como monitores Ultra Wide (21:9), Nvidia G-Sync e DLSS, AMD FreeSync, e técnicas mais avançadas de iluminação como Screen Space Directional Occlusion (SSDO). Será que todos estes extras transformam-na na versão definitiva de God of War? A resposta é afirmativa, mas vais precisar de um PC realmente bom para extrair todo o potencial desta versão.

O que é preciso para jogar a 4K 60 FPS?

O PC que usamos para jogar God of War PC está equipado com uma Nvidia RTX 3070, 16 GB de memória DDR4, e um AMD Ryzen 5 5600X. Com todas as configurações no Ultra e com a resolução definida para 3840 x 2160 (4K), a framerate oscila frequentemente entre 50 e 60 FPS, Se queres jogar acima dos 60 FPS com a resolução definida para 4K, vais precisar mesmo de uma placa gráfica superior, como a RTX 3080, 3080 Ti e 3090 ou as equivalentes RX 6800 XT e RX 6900 XT da AMD. É um jogo "pesado", felizmente, podes sempre recorrer à tecnologia de DLSS da Nvidia e AMD FidelityFX para diminuir a resolução, alcançado melhor desempenho, sem que a qualidade da imagem seja afectada. Foi assim que joguei a maioria do tempo, com upscale de 2540 x 1440 para 4K usando a função de DLSS da Nvidia.

Com a ajuda da tecnologia DLSS, a framerate já ultrapassa os 60 FPS, atingindo em momentos mais de 70 FPS, mas mesmo assim, ainda há ocasiões em que pode descer para os 50 FPS, sobretudo durante combates e cenas com muitos efeitos visuais. É bizarro e difícil de entender que alternando entre os diferentes níveis de desempenho do DLSS não haja ganhos significativos na framerate. Tentei de tudo para colocar o jogo a mais de 100 FPS, mas sem sucesso. Não adiantou baixar a resolução, nem tão pouco as definições gráficas. Em relação à excelente optimização para a PS5 que foi feita recentemente, esta versão para PC, ainda que seja a que teoricamente tenha mais qualidade, deixa um pouco a desejar pela quantidade de recursos que exige.

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A versão PC também tem outras "faltas" difíceis de compreender. O suporte para 21:9 é bem-vindo e dá outra imersão quando jogado neste formato, mas esperávamos que fosse possível ajustar o Field of View. Essa opção não existe, assim como a opção para jogar em Full Screen. A versão PC só te deixar jogar em modo de janela sem bordas ou em janela (o que compromete ligeiramente o desempenho em DX11). É estranho. Mais estranho fica se nos lembrarmos que os outros dois ports PlayStation para PC - Horizon: Forbidden West e Days Gone - tinham estas opções e estavam melhor optimizados. Não obstante, a versão para PC é um festim visual. É um jogo originário de 2018, mas com melhores gráficos que 99% dos jogos. E nesta versão não há o mínimo compromisso.

Como se compara relativamente à versão PS5?

God of War consegue ir um pouco mais longe no PC do que na PS5. O jogo está bloqueado a 60 FPS na consola, mas no PC podes atingir framerates mais elevadas (até 120 FPS) para uma fluidez ainda maior, apesar disso exigir configurações de hardware que pouca gente tem e um monitor com a taxa de actualização apropriada. Fora o desempenho, a qualidade visual também é melhor no PC. É um daqueles casos em que precisas mesmo de uma lupa para encontrar as diferenças. Uma dessas diferenças está nas sombras, que estão mais definidas na versão PC (no comparativo, podes ver que as sombras da versão PS5 têm efeito serrilhado). A qualidade dos reflexos é também superior no PC. O mesmo se verifica na vegetação e nitidez de outros pequenos detalhes no cenário. Dito isto, as diferenças são realmente pequenas, ao ponto em que é preciso andar a fazer bastante zoom nas imagens para te aperceberes delas.

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No resto, a versão para PC é idêntica às da PlayStation (PS4 e PS5 incluídas). Há suporte nativo para os comandos Dualshock 4 e Dualsense (mas sem feedback háptico, apenas vibração) e vem incluída a dobragem e legendagem de português de Portugal. Apesar dos problemas de desempenho, e de necessitar de algumas actualizações de optimização, continua a ser um jogo fácil de recomendar para quem nunca o jogou. Foi lançado em 2018, e passados quase quatro anos, continua a ser um dos melhores exemplares de acção-aventura que podes encontrar. Voltei a ficar tão impressionado com o jogo nesta versão PC quanto da primeira vez que o joguei e as horas passaram a voar.

Um pequeno à parte: como já tinha jogado nas consolas, desta vez comecei a jogar logo na dificuldade difícil e apenas tenho um defeito a apontar, que sobressaiu graças à dificuldade mais elevada - a câmera requer muita habituação e nos confrontos com múltiplos inimigos coloca-te em desvantagem. Tinha esperança que a versão para PC conseguisse mitigar o problema através do ajuste de Field of View, mas sem efeito. É certo que podes carregar no d-pad para virares Kratos rapidamente na direcção oposta (roda 180°), mas não deixa de ser complicado de manter o sentido de orientação intacto durante algumas lutas.

Vale a pena jogar God of War no PC?

Se nunca jogaste a aventura de Kratos e Atreus e não tens uma consola PlayStation, sim. Se, por ventura, tens uma PS5 e estás interessado na versão PC para obteres uma experiência ainda melhor, atenta que o jogo é exigente no hardware e que precisas de uma configuração custosa para veres diferenças visuais e desempenho comparativamente à consola mais recente da Sony. Quanto ao resto, God of War continua um jogo tão bom em 2022 como era em 2018. Se queres saber mais sobre as suas qualidades, recomendo que leias a review original à versão PS4 de God of War onde dissemos que "é uma viagem épica entre pai e filho pela mitologia nórdica cheia de surpresas".

Prós: Contras:
  • Um festim visual, sem qualquer sinal de compromisso
  • A única versão capaz de 120 FPS e com suporte para Ultra Wide
  • O jogo continua tão bom agora como em 2018
  • Uma viagem épica pela mitologia nórdica
  • Jogabilidade brutal e visceral, com grande evolução até ao final
  • Traz dobragem e legendas em PT-PT
  • Falta optimização
  • DLSS da Nvidia precisa de melhor implementação
  • Não tem opções como jogar em Full Screen e ajustar o FOV

Nota: o update oficial da Nvidia que prepara as suas gráficas RTX para a chegada de God of War só chegará a 14 de Janeiro, o que poderá melhorar o desempenho do jogo. Esta review foi realizada sem essas drivers.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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