Spider-Man: No Way Home é um sonho tornado realidade

Não é apenas mais um filme de super-heróis.

HÁ SPOILERS DEPOIS DO 4º PARÁGRAFO

Ainda me recordo bem quando fui ver o primeiro Spider-Man ao cinema. Tinha 11 anos, estava a acabar o 5° ano. Naquela altura, as aulas de Sexta-Feira acabavam às 15h30. Era uma maravilha porque o fim-de-semana chegava mais cedo e permitia combinar coisas com os amigos depois das aulas, uma das quais acabou por ser ir ver o Spider-Man. Os cinemas do Bragashopping estavam mesmo ali ao lado, o que tornava tudo mais fácil.

Naquela altura, não havia a disseminação de informação que há agora. Eu nem sequer tinha visto um trailer do filme antes de entrar na sala de cinema, por isso tudo o que estava prestes a testemunhar era surpresa. A animação da década de 90 do Spider-Man sempre foi uma das minhas favoritas e no que toca a adaptações de super-heróis para o cinema, a referência que tinha eram os dois filmes de Batman realizados por Tim Burton (que adorei e continuo a adorar).

No entanto, não estava preparado para Spider-Man de Sam Raimi. O filme conseguiu capturar na perfeição a essência do Spider-Man e todas as personagens em redor, com uma incrível (e assustadora) prestação de William Dafoe como o Green Goblin. Mas mais do que isto, as cenas de web-swinging por Nova Iorque deixaram-me os olhos arregalados. Para alguém que só estava habituado a ver Spider-Man em desenhos animados, aquilo foi um sonho. o filme da Sony Pictures recorreu a tecnologia de ponta no cinema para transformar fantasia em realidade quase palpável.

Quase 20 anos depois e já adulto, voltei a sentir a mesma sensação com Spider-Man: No Way Home. Os filmes protagonizados por Tom Holland têm sido um crescendo para mim. O primeiro foi assim-assim, o segundo claramente melhor, e o terceiro, bem, não vejo como podia ser melhor. É o maior triunfo do universo cinemático da Marvel. Se ainda não foste ver o filme e gostas do Spider-Man, faz um favor a ti mesmo e vai. Entretanto, pára de ler. Adiante vais encontrar spoilers.

A ameaça do multiverso

Spider-Man No Way Home é uma continuação directa de Far From Home. Tom Holland volta ao papel de Spider-Man, mas a personagem encontra-se em condições adversas depois de Mysterio ter revelado a identidade do homem (ou melhor, miúdo) por detrás da máscara. Se conciliar a vida de adolescente com o trabalho de combater o crime em Nova Iorque já era difícil, imaginem agora. A vida de Peter Parker transformou-se num Big Brother, com câmaras de noticiários apontadas a ele 24 horas por dia.

Desesperado, especialmente depois de se aperceber que o futuro dos seus amigos e namorada foi negativamente afectado por estarem associados, Peter recorre ao Doctor Strange para lançar um feitiço que faça as pessoas esquecerem-se da verdadeira identidade do Spider-Man. O plano tinha tudo para resultar, até que Peter começa a adicionar excepções ao feitiço enquanto está a ser lançado, acabando por criar uma instabilidade no multiverso e permitindo que vilões de outros universos fossem transportados para o seu mundo.

O grande feito de No Way Home é conseguir juntar num só filme a história cinematográfica inteira do Spider-Man. Diferente do universo cinemático da Marvel, que foi planeado meticulosamente desde o início e teve um final grandioso em Infinity War, No Way Home é um acontecimento do acaso. Quando o primeiro Spider-Man estreou em 2002, ninguém pensava que, quase 20 anos depois, teríamos um filme como este, que une, sem grandes pontas soltas, três gerações diferentes de aranhiços.

Três gerações de aranhas

O mais gracioso do filme é que, numa indústria tão governada por direitos, contratos e limitações criadas pelos mesmos, No Way Home transcende tudo isto. Mais do que unir todos os filmes já lançados de Spider-Man (os live-action, pelo menos), une todos os fãs. Todos temos o nosso Spider-Man favorito. A minha geração dirá que é o Toby McGuire, provavelmente, outros dirão Andrew Garfield, e seguramente outros vão preferir Tom Holland. Ver estes três actores a juntarem-se num só filme é um acontecimento impensável, algo que só existia nos sonhos dos fãs.

"Não é um apenas um sonho molhado para os fãs do Spider-Man e uma celebração da personagem. É um excelente filme."

Mas No Way Home vale mais do que isso. Não é um apenas um "sonho molhado" para os fãs do Spider-Man e uma celebração da personagem. É um excelente filme. Um dos melhores que a Marvel e a Sony Pictures já fizeram de super-heróis. É divertido, não tem pressas para contar a história e até aprofunda melhor os vilões do que filmes anteriores. Ficamos a compreender melhor os seus motivos, o que lhes vai no coração. O mesmo vale para os três Spider-Man. Encontrarem-se cara-a-cara serve como um confessionário, uma forma de desabafar sem restrições e de se tornarem melhores e mais fortes com apoio mútuo.

Obviamente que, sendo um filme de super-heróis, há sequências de acção que te vão deixar em êxtase. A luta contra Doctor Strange na dimensão espelho é uma das coisas mais impressionantes que já testemunhei no cinema. Saí do cinema com um enorme sorriso na cara, a sentir-me contente e realizado por ter testemunhado um filme como este. É mais do que outro filme de super-heróis com o típico formato genérico, é um acontecimento. E apesar da quantidade absurda de efeitos especiais, o filme vale mais por tudo o resto.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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