Bright Memory Infinite review - O poder de um só homem

Jogabilidade frenética e recompensadora.

Zeng Xiancheng demonstra o que uma só pessoa é capaz. Jogabilidade frenética e recompensadora merecia bem mais conteúdo.

A história por detrás de Bright Memory Infinite é como tantas outras, quando nos debruçamos sobre trabalhos mais singelos idealizados por um pequeno grupo de pessoas, com recursos muito escassos. Aqui temos um bom exemplo do empenho de uma só pessoa, Zeng Xiancheng, onde o original Bright Memory viu a luz do dia através de um acesso antecipado no Steam, oferecendo nada mais que uma experiência de 15 minutos. O objetivo seguinte seria uma sequela, mas os planos foram trocados e surgiu a opção por um remake do original, expandindo a história com mais desenvolvimentos, mas acima de tudo, prolonga a duração da experiência.

Em termos de narrativa, a ideia foi maturada e adaptada à jogabilidade que tinha sido idealizada. Gira tudo em redor de um fenómeno surgido repentinamente, somos Shelia, uma agente que trabalha para uma organização que pesquisa sobre eventos sobrenaturais, com atarefa de investigar a ocorrência. Este fenómeno envolve outras organizações que tentam dominar o poder daí surgido, Shelia está no meio de toda a trama, luta contra essas organizações ao mesmo tempo que enfrenta criaturas vindas de um mundo paralelo interligado ao seu.

Como referido, as mecânicas de jogo foram primeiramente idealizadas e a narrativa teve de ser adaptada. Surge assim um grande foco numa experiência recompensadora através de estruturas jogáveis interessantes. Neste remake temos de facto uma expansão de toda a ideia inicial, apesar de não ser longo, podemos terminar em 2 horas, vai mais além. Munidos de armas de fogo, uma espada e poderes psicocinéticos, avançamos por cenários muito lineares eliminado tudo o que aparece à nossa frente. É nestes combates que Bright Memory Infinite mais brilha, todas as opções que nos são dadas possuem uma satisfação própria. As armas de fogo são interessantes, todas elas com duas opções de disparo dando diversidade ao gunplay. A espada é fantástica, podemos bloquear as balas inimigas e até executar golpes encadeados que se assemelham a combos, também estimulante são os poderes psicocinéticos, onde podemos empurrar, puxar e até desfazer os inimigos.

"encadeamento por vezes alucinante de ações, as mecânicas de jogabilidade são o elemento que nos prende"

Num encadeamento por vezes alucinante de ações, as mecânicas de jogabilidade são o elemento que nos prende, transferem satisfação quando dominadas. Prima por uma jogabilidade que impressiona e chega a ser viciante. Todos as componentes estão num patamar satisfatório e que transmitem prazer na execução de todas as suas vertentes. Seja com a arma, a espada ou através dos poderes, temos um condutor de boas sensações que nos leva a uma estadia recompensadora. Pode estar parco em quase todos os outros elementos, mas aqui não consigo apontar defeitos evidentes, é só positividade.

Toda esta estrutura jogável está assente uma introdução de elementos expansíveis do nosso arsenal, habilidades, com a aquisição de upgrades. Este são efetuados através da recolha de relíquias espalhadas pelo cenário, aumentando o poder de cada uma das nossas armas, seja as de fogo, espada e até as opções psicocinéticas. Não sendo uma extraordinária implementação de habilidades expansíveis, dá uma nova imagem às opções, aumenta a satisfação da execução das nossas ações. Consegue assim prolongar o interesse em descobrir mais e no que podemos alcançar a nível e jogabilidade, principalmente no encadeamento de ações ofensivas entre as várias opções do nosso arsenal, podemos executar combos interessantes.

Mas se retirarmos e colocarmos de lado a parte da jogabilidade, temos algo que não consegue fazer um paralelismo qualitativo noutros patamares, principalmente na apresentação visual de determinadas situações. Obviamente que é aceitável devido à limitação orçamental, mas é de referir que as cinemáticas são o ponto mais baixo, com expressões faciais robotizadas e movimentação corporal um pouco desajeitada. Mas aceita-se plenamente.

"implementação de ray tracing no PC sustentada pelo DLSS da NVIDIA, permitindo alcançar performances robustas"

Visualmente apresenta-se bastante interessante, com a implementação de ray tracing no PC sustentada pelo DLSS da NVIDIA, permitindo alcançar performances robustas. Tem momentos deslumbrantes, mas que poderiam ser mais variados em termos de cenários. Aceita-se pela dimensão da apresentação, são apenas um par de horas, evidenciando que mais variedade visual poderia ser acrescentada com o prolongamento geral da narrativa, que nos transportaria para outros locais.

Em suma, Bright Memory Infinite conseguiu prender-me até ao final, com combates frenéticos que atingem o auge nas lutas contra bosses. É um excelente trabalho idealizado, concebido agora num formato mais estendido e representativo das capacidades excecionais de Zeng Xiancheng. Vale a pena pela experiência muito recompensadora de toda a sua jogabilidade aliada a uma arte visual com momentos que impressionam.

Prós: Contras:
  • Combates frenéticos
  • Jogabilidade recompensadora
  • Visuais muito interessantes
  • Variedade do nosso arsenal
  • Apenas duas horas de jogo
  • Cinemáticas são o ponto mais baixo

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Sobre o Autor

Adolfo Soares

Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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