Animal Crossing: New Horizons - Happy Home Paradise - Review - Fábrica de sonhos

Uma casa decorada à medida.

Sensivelmente 18 meses após o lançamento de Animal Crossing New Horizons, eis que a Nintendo nos brinda com uma grande actualização gratuita e o primeiro DLC pago da série. Se a actualização sem custos para o utilizador funciona como um prolongamento das opções disponíveis para tirar o máximo proveito da ilha, já o DLC intitulado Happy Home Paradise funciona como uma espécie de trabalho alternativo, um "spin off" da componente principal. Neste DLC somos levados até um arquipélago do tipo resort, no qual trabalhamos para uma equipa que não só decora as casas de sonho dos clientes que para ali se transferem, como ainda damos forma à casa e a toda a área envolvente, modificando o logradouro. Podemos até mudar as estações, mas isso são detalhes que se vincam com o passar do tempo.

De referir que este DLC tem um custo de 24,99 euros, embora possa ser descarregado gratuitamente se activarem uma assinatura Nintendo Switch Online, por um período de 12 meses, tanto no plano individual como familiar. Porém, neste caso, o acesso a Happy Home Paradise só ficará activo enquanto durar a assinatura, ainda que os dados de gravação não se percam. O título deste conteúdo não é novo. Não há muitos anos, a Nintendo lançou para a 3DS um "spin off" de Animal Crossing New Leaf intitulado Happy Home Designer, que basicamente consiste num amplo editor de decoração de interiores e das respetivas casas.

Com a passagem para uma plataforma de maior processamento, este tipo de conteúdo, focado nos interiores, no aspecto das casas e área envolvente, como que recrudesceu, graças ao reforço visual e ao desenvolvimento da arte, na sequência do jogo original, incrementando a estética "cute" que tanto sucesso alcançou em New Horizons. A partilha do motor gráfico e a transição suave, como que em jeito de viagem de avião para esse tal arquipélago onde Lottie, Niko e Wardell nos aguardam, garantem uma experiência em trajectória de continuidade. O meu conselho para quem ainda não jogou Animal Crossing New Horizons é partir para este DLC só depois de explorar a ilha. É um DLC recomendado para quem já usufruiu da experiência principal na ilha, até porque o seu modo particular de funcionamento não só é ligeiramente diferente da estrutura principal do jogo, como ainda requer bastante tempo até serem maximizadas as opções e os objectivos.

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Decoração ao gosto do cliente, embora com liberdade de escolha.

Happy Home Paradise funciona quase como um novo jogo, com foco na agência Paradise Planning e no seu escopo como empresa de serviços. Neste arquipélago turístico, até a indumentária de trabalho é obrigatória no desempenho da tarefa. Esta consiste em descobrir os interesses dos clientes para as suas casas, dar sequência aos pedidos e tentar concretizá-los da melhor forma. De referir que o acesso ao DLC é bastante simples mas assente numa série de cinemáticas ao melhor estilo da série, com apontamentos humorísticos entre breves sequências que captam os objectivos a atingir. Simples e prático, está bem integrado no jogo principal e a qualquer momento podemos voltar para a nossa ilha, a fim de retomar a actividade do quotidiano.

Uma nota relevante, neste processo de decoração e construção das casas, é a quase total liberdade. Claro que há objectivos mínimos, uma ideia base, consoante o interesse dos clientes que chegam ao resort. Os pedidos transmitidos a Lottie servem de ponto de partida. Essencialmente existem 3 objectos a decorar, cabendo a partir deles organizar um interior, revestimentos e área envolvente à casa em conformidade. Claro que o nosso cliente não ficará desapontado se nos desviarmos um pouco do objectivo primeiro. É até provável que seja positivamente surpreendido. Há razões para isso. Em termos de mobiliário e objectos decorativos, as opções são em grande monta. Estamos a falar de uma empresa projectada para garantir as melhores e todo o tipo de soluções, ainda que tenhamos de trabalhar para isso. Claro que no final do dia a nossa personagem ganha um salário justo, infelizmente numa moeda que não pode ser trocada na nossa ilha. A moeda do arquipélago é exclusiva da loja, onde também podem adquirir objectos em exposição diária.

Como referi atrás, ir ao encontro da pretensão do cliente não corresponde a uma ideia de sucesso ou fracasso. O mesmo cliente que vibra com jardins frondosos e um interior bem decorado pode mostrar-se satisfeito se alinharmos as três peças deixadas pela nossa empresa assim que chega à ilha, passando ao cliente seguinte. Porém, o ganho desta experiência passa por maximizar o efeito da sensação de bem estar e aproveitamento das soluções que não estando todas disponíveis no imediato, vão sendo oferecidas e facultadas à medida que investem o vosso tempo a tirar proveito do jogo. As recompensas não são imediatas, mas se jogarem todos os dias, ainda que por curtos períodos, irão colher os benefícios a breve trecho. É dúbio sobre se muitas opções facultadas em fases ulteriores não poderiam ser apresentadas mais cedo. Fica a questão, até porque há utilizadores de New Horizons que deixam de jogar antes de atingirem a evolução máxima da casa.

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Mais habilidades e ferramentas ficam disponíveis em fases avançadas. É possível melhorar outros edifícios do arquipélago.

Com um inventário de mobiliário e decoração tão grande por comparação com as opções disponibilizadas na ilha, não faltam no entanto motivos para garantir a satisfação dos clientes. É um reduto presente em Happy Home Paradise, um registo artístico que nos deixa "trabalhar" nesses catálogos de ofertas e na imagem derradeira de uma sala ou de um quarto para uma fotografia, uma exposição para destaque na partilha, onde funciona o "showroom", a funcionalidade de ligação online para os utilizadores do jogo. A partilha das criações serve muitas vezes de inspiração, de lembrar o alcance de uma forma especial de arrumação, tornando um recanto mais tentador e agradável. Muitas das funcionalidades que permitem esse "catálogo" só a longo termo se conquistam, mas é assim no jogo original.

Com a vantagem que em Happy Home Paradise há também uma história, a evolução de um arquipélago, que não passa só pelo desenvolvimento e decoração das casas dos clientes. Sendo esta embora a principal caminhada do DLC, nela se inclui o desenvolvimento e decorações de muitas instalações e edifícios vazios. Funcionam quase como centros públicos, como a escola, e locais de confraternização, como o restaurante e o café, quando os clientes são numerosos e é premente a criação de espaços e zonas de convívio. Curiosamente, muitas das técnicas aprendidas na ilha podem ser aplicadas na ilha, quando regressamos a casa, numa manutenção de laços interessantes entre a ilha e o arquipélago, especialmente em termos de decoração e relacionamento entre os habitantes.

Independentemente da forma como pode ser adquirido este DLC, por "aluguer" através da subscrição online da Nintendo ou aquisição a título definitivo, há uma expansão significativa, capaz de cimentar a longevidade de New Horizons. É um DLC muito específico, orientado para a construção das casas e sua decoração, embora com uma amplitude de opções e uma oferta de bens e habilidades facultada por fases. Não há propriamente uma fronteira divisível entre sucesso e insucesso, mas o gosto individual e o aproveitamento das opções e ferramentas ajudam seguramente a tornar as nossas criações apelativas e marcantes ao olhar de outros utilizadores. É um DLC para fãs de Animal Crossing, que adoraram New Horizons e pretendem explorar um novo arquipélago, com muitas condições para receber novos clientes.

Prós: Contras:
  • Encantador e "cute"
  • Maior quantidade de peças decorativas
  • Modelação das casas
  • Longevidade
  • Melhora totalmente o spin off Happy Home Designer
  • Cómico das situações
  • Fácil acomodação e adaptação ao serviço
  • Autonomo mas bem integrado no jogo principal
  • Algumas habilidades são facultadas só depois de muitas horas
  • Loadings

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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