The Smurfs Mission Vileaf - Review - Método detox

Uma task force para erradicar o mal de Gargamel!

Não é uma daquelas aventuras prodigiosas, que arriscam uma carga de mecânicas novas, mas o suficiente para agradar a pequenos e graúdos.

Quer simpatizem ou não com os Smurfs, Mission Vileaf é um jogo 3D de plataformas capaz de agradar aos mais pequenos e graúdos. Desenvolvido pelo Osome Studio e editado pela Microids, este simpático jogo de plataformas, com uma atmosfera forte em fantasia e encantos vários, transporta muito daquilo por que os Smurfs se notabilizaram, mas é igualmente um jogo que enceta um desafio e uma história, ainda que fique aquém de algumas das melhores experiências, no género, que pudemos experimentar este ano. Mission Vileaf é um jogo simples e seguro. Não transborda de criatividade, arrisca pouco em termos de mecânicas e ambiente, e a dada altura parece que estamos num daqueles jogos de plataformas do começo do milénio, o que em bom rigor acaba por pesar nos dois lados da moeda.

O ambiente de fantasia é talvez a imagem mais forte de Mission Vileaf. Contemplado que está o desenho e a direcção artística de Pierre "Peyo" Culliford, o criador dos Smurfs, num universo encantado e eivado de recantos misteriosos tridimensionais, de um brilho invulgar, construções minuciosas e florestas densas, sombrias e mágicas, verifica-se que, nesta história original, somos mais uma vez confrontados com o jogo da luz e das trevas, de heróis e vilões. Convocados os Smurfs para travar os planos maquiavélicos do brutal Gargamel, o ritmo da aventura cedo desponta. Em causa está uma planta venenosa, chamada Vileaf, que não só tira a vida aos Smurfs como condiciona a evolução do mundo, por estar espalhada por todas as áreas. O objectivo passa por contornar estes obstáculos através de missões levadas a cabo por diferentes Smurfs, tendo por base uma ferramenta especial, o Smurfizer, que essencialmente erradica o mal existente nas plantas e permite um elevado grau de interacção com o ambiente e com as criaturas inimigas. É um aparelho que nos lembra os acessórios de um Luigi's Mansion e até mesmo de um Super Mario Sunshine, ainda que com finalidades bastante distintas.

A particularidade do Smurfizer, criado por Handy Smurf, é que para além de permitir a recolha de ingredientes essenciais à obtenção do antídoto com o qual será possível a regeneração das plantas, torna-se indispensável para realizar uma série de acrobacias, desde saltos elevados, sobrevoos, mergulhos e, claro, a funcionalidade de absorver objectos, ao estilo do aparelho controlado por Luigi, como ainda para efectuar disparos. Na pele de quatro Smurfs (Brainy Smurf, Smurfette, Chef Smurf e Hefty Smurf), o desafio consiste em retirar a elevada toxicidade presente nas diferentes áreas. Lembram-se que em Super Mario Sunshine tinham que limpar a tinta, aqui o processo não é muito diferente, ainda que progressivamente diferente e por vezes complexo de lidar.

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Embora não seja um mundo aberto no seu conceito, é um jogo que promove alguma liberdade de exploração vertical e horizontal.

É que ainda que as mecânicas sejam relativamente simples, o "timming" da execução pode causar alguns obstáculos. Se forçarem o Smurfizer por bastante tempo, o aparelho entra no chamado modo sobreaquecimento, que significa inteira vulnerabilidade perante os inimigos e mesmo perante os efeitos mais tóxicos das plantas. Por vezes terão mesmo que abrir por entre as plantas tóxicas, cumprir determinada ordem de tarefas para que uma parte da área fique livre de toxicidade. No entanto, o avanço é bastante gradual e nisto a estrutura aberta dos cinco mundos presentes contempla múltiplos avanços. Não é propriamente um GTA, mas há alguma liberdade na escolha da direcção e dos objectivos a tomar.

Por outro lado, as melhorias do Smurfizer são graduais. De início o aparelho é bastante limitado, o que parece mais ajustado à simplicidade dos primeiros momentos da campanha, quando executamos as missões quase de olhos fechados. À medida que alternamos de personagem e acedemos a novos poderes do Smurfizer, como a capacidade para sobrevoar e operar saltos mais elevados, áreas anteriormente vedadas passam a estar disponíveis. Do mesmo modo que com a fórmula encontrada para anular as plantas tóxicas, completamos secções que abrem caminho a novos trilhos e áreas. Mas até aqui o jogo não é muito diferente das experiências com puzzles e momentos de acção algo previsíveis. Os combates conseguem impressionar pela dimensão da batalha, mas não pelas mecânicas. Se jogarem com a dificuldade normal terão pela frente um desafio sólido. Eu tive mais dificuldade em conseguir limpar em tempo útil partes das áreas. São como que micro missões nas quais temos de executar rapidamente a limpeza. Falhamos um movimento e é GameOver.

A produção dos visuais e todo o trabalho de arte é consistente. Moldado à imagem e arte do pincel de "Peyo", distingue-se, mas também é verdade que na sua construção virtual de mundo aberto limita-se a proporcionar os habituais avanços horizontais e lineares em forma de plataformas algo previsíveis e rotineiros. Por outro lado, seria desejável contar com uma física mais apurada e sobretudo precisa, que evitaria momentos periclitantes, em que um salto mal calculado nos precipita para o abismo. Isso é particularmente atroz na área onde existe um grande castelo e onde muitas vezes os avanços se fazem por zonas superiores. Os saltos mal calculados ou falhados por um erro de julgamento de posicionamento podem acabar ali com as nossas aspirações. A diversidade dos níveis é aprazível, desde zonas pantanosas a florestas mágicas, no entanto, não se pode considerar este um jogo tão vasto ou denso como um Super Mario Odyssey. Bem mais modesto, não deixa de proporcionar um desafio, ainda que terminado num quase punhado de horas.

Diante do objectivo de consagrar uma experiência assente em plataformas, puzzles e uma componente de acção, pode-se dizer que os produtores desta entrada virtual no universo dos Smurfs, basearam-se e sentiram-se influenciados por algumas experiências de plataformas 3D da Nintendo, ainda que unidos a uma arte e um design bastante próprios. Com reparos que não podemos deixar de referir sobre alguns picos de dificuldade que podem tornar algumas passagens menos consistentes e maçadoras, esta aventura ainda que não sendo prodigiosa pode ser partilhada entre jogadores veteranos e novatos, através da desenvoltura assegurada pelo modo cooperativo, e sejam ou não conhecedores do mundo mágico habitado pelos Smurfs.

Prós: Contras:
  • Design e arte fiel à série animada
  • Versatilidade e upgrades do Smurfizer
  • Diferentes abordagens aos níveis
  • Áreas distintas
  • Rotação de personagens a controlar
  • Campanha não muito longa
  • Alguns picos de dificuldade frustrantes
  • Certas áreas apresentam-se despidas
  • Algumas vozes podem irritar

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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