Battlefield 2042 review - Épicas Batalhas

Problemáticas retiram o brilhantismo pretendido.

O empenho da DICE não se repercute na tremenda instabilidade dos servidores. Também é sentida a ausência da Campanha.

Foram três anos de espera por um novo título da série Battlefield, que tenta recuperar o fulgor de outros tempos. Assombrada desde Battlefield 4, foi continuamente desvanecida pelas entregas Battlefield 1 e Battlefield V. Temos então a chegada de Battlefield 2042, que já se encontra disponível para todos os detentores da Edição Gold ou Ultimate, ou através do EA Play. Posto isto, é pertinente dizer que está em modo "acesso antecipado" e que o lançamento global será no próximo dia 19 de novembro. Não quero com isto conceder-lhe tempo para ajustes e melhorias para o suposto lançamento "oficial". O jogo está pronto e o que surgirá nos próximos tempos serão correções de problemas que estão a ser detetados pelos milhares de jogadores que decidiram investir o seu dinheiro para jogar mais cedo um título que muito aguardavam.

Sabemos que este ano não temos campanha single-player, a DICE tomou a decisão de não incluí-la para se dedicar de corpo e alma à vertente competitiva. Teremos em troca dessa ausência uma espécie de mini-série em formato de vídeos curtos onde será contada a história de cada Especialista, que são 10 no total. Um exemplo da forma como será abordada a narrativa está na divulgação do primeiro vídeo, intitulado de Exodus. Foi narrada a perspetiva e visão de Kimble "Irish" Graves, explicando o seu background em Battlefield 2042. Será feito desta forma para todos eles e estarei atendo ao próximo capítulo. Uma decisão discutível, mas muito interessante pela qualidade investida em cada filme. No entanto, deveria ser apenas um complemento a uma campanha videojogável que nos colocasse na pele destes personagens em confrontos épicos num mundo futurista em decadência. Oportunidade desperdiçada pela DICE, digo eu.

"Este ano não temos Campanha para um jogador, a DICE tomou a decisão de a não incluir para se dedicar de corpo e alma à vertente competitiva"

Trata-se de uma aposta para a continuação da série Battlefield totalmente debruçada na competitividade online, com confrontos entre jogadores reais, e não só, foram adicionados elementos IA. Este ano temos três importantes conceções, o clássico formato em All-Out Warfare com Conquest e Breakthrough, o novo Hazard Zone, e por último, a experiência Portal que mistura conteúdos de jogos do passado: Battlefield 1942, Battlefield 3 e Bad Company 2, com BF 2042. São elementos substânciais, com excelente potencial, quando analisados sinteticamente e sem nos transportarmos para a verdadeira ação.

Na minha pré-review, apontei muitos elementos que podiam tornar Battlefield 2042 num sucesso imediato, mas que ao ter jogado imensas horas, seja na beta, no acesso antecipado para os jornalistas no início da semana passada, e agora com a versão disponível ao público, as coisas tomaram um rumo inesperado, para mim. Como em tudo, quanto mais nos debruçamos sobre algo mais notórias são as suas imperfeições e as arestas que estão por limar, muitas delas de gravidade elevada com a capacidade de quebrar por completo toda mecânica e experiência de jogo e, por último, tendo como consequência deixar o jogador completamente frustrado e sem um sentimento de recompensa pelo seu tempo despendido.

O problema em Battlefield 2042 não está ligado aos seus modos de jogo, mas sim às várias problemáticas que estão a incapacitar a experiência no seu global. Mas regressando aos modos de jogo, em All-Out Warfare temos, como referido, Conquest e Breakthrough. Estes modos são reproduzidos em mapas gigantescos com 128 jogadores no PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Já nas consolas mais antigas, PlayStation 4 e Xbox One, o número de jogadores desce para apenas 64 devido às suas limitações de hardware.

"128 jogadores no PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Já nas consolas mais antigas, PlayStation 4 e Xbox One, o número de jogadores desce para apenas 64"

Em Conquest temos duas equipas que combatem para domínio territorial, com zonas a capturar. Quem detém maior número de zonas consegue que a sua pontuação diminua mais lentamente, sendo que a ronda termina quando uma das equipas atingir o valor zero. Um modo tradicional que é agora ampliado pelo tamanho dos mapas, pelas habilidades dos Especialistas, e por algumas novas mecânicas. Breakthrough regressa, depois de ser introduzindo em Battlefield 1 e Battlefield V. Aqui temos de conquistar posições, para quem ataca, na tentativa de obrigar a equipa adversária, quem defende, a recuar no terreno de combate. Resumindo, uma equipa ataca e a outra defende, numa luta contra o tempo. Continua com as mesmas mecânicas, apenas modificada pelos mapas e particularidades gerais de BF 2042.

All-Out Warfare mostra todo o empenho da produtora em entregar algo apoteótico, com mapas fenomenais, de uma grandeza nunca vista e visuais impressionantes, do melhor que já se viu em Battlefield. Pessoalmente adoro Discarded, muito colorido e com um horizonte belíssimo. Mas temos outros mapas, que perfazem um total de 7. Kaleidoscope, Manifest, Orbital, Discarded, Renewal, Hourglass e Breakaway. Mas não é apenas nos mapas de maior dimensão que se nota um avanço na estrutura, temos agora a inclusão de especialistas, 10 no total, que dão uma variedade de jogabilidade multifacetada a todo o formato da série. Casper, Mackay, Maria Falck, Boris, Irish, Navin Rao, Dozer, Sundance, Angel e Ji-Soo Paik. São imensos e com possibilidades de combinações quando jogado em equipa, onde cada jogador escolhe um papel a desempenhar para que o seu esquadrão seja o mais eficaz possível.

No entanto, todas estas novas adições parecem fenomenais no papel, mas quantas mais se adicionam mais complicada se torna a delicada tarefa de equilíbrio de variáveis. Obviamente que temos Especialistas mais capacitados, eu por exemplo não me canso de jogar com Mackay e com o seu gancho. Também é bastante recompensador jogar com Falck, já que nos podemos curar instantaneamente através da sua Pistola S21 Syrette, uma espécie de seringa com medicamentos. O equilíbrio geral do jogo tem sido uma das problemáticas evidentes, exemplo muito evidente desse problema são dois dos personagens que não estão disponíveis logo à partida. Mackay é apenas acessível quando se chega ao nível 16, e Ji-Soo Paik está fora de combate até ao nível 25. O EMG-X Scanner é a especialidade de Ji-Soo Paik, que muitos considerem ser um autêntico Wallhack. Estes desequilíbrios são tão evidentes que a própria DICE os colocou fora de serviço até que determinado nível seja atingido, portanto, estão conscientes destes tipos de problemáticas.

"Hazard Zone... algo novo que introduz uma abordagem séria num esforço em alterar o conceito que temos de Battlefield "

A segunda parte de Battlefield 2042 é dedicada ao seu novíssimo Hazard Zone, que despertou muito interesse e esteve em segredo durante bastante tempo. Foi levantado o véu mais perto do lançamento, e a sua apresentação provocou a uma elevada expetativa. É, de facto, algo novo que introduz uma abordagem séria num esforço em alterar o conceito que temos de Battlefield. Em Hazard temos partidas de 32 jogadores nas consolas mais recentes e no PC, que podem jogar entre si em crossplay. Observa-se novamente a redução no número de jogadores para as consolas mais antigas, desce para 24 jogadores. Somos esquadrões de quatro unidades, podemos escolher um tipo de Especialista por equipa, onde as suas capacidades únicas são determinantes para as nossas ações. Como objetivo, temos de encontrar as Unidades de Dados que estão espalhadas pelo mapa, protegidas por soldados IA. Quando aterramos, temos de as localizar com um scanner, e prosseguir para as recolher. A cooperação aqui é mais importante que nunca, temos de saber qual o arsenal escolhido pelos nossos companheiros para o complementarmos com as nossas opções. É importante levar munição extra, medicamentos, formas de ressuscitar nos nossos colegas, armas apetrechadas, e muitos outros gadgets que são cruciais em momentos importantes.

Após a recolha das Unidades de Dados, temos de nos dirigir para a extração. Existem duas extrações em cada partida, separadas por tempo. Podemos decidir pela primeira ou continuar a recolher mais Unidades de Dados até que a segunda e última extração esteja em andamento. Se falharmos a extração perdemos todas as Unidades de Dados e consequentes créditos, Créditos do Mercado Negro. O objetivo é conseguir extrair o maior número possível, acumulando créditos para os aplicar num arsenal de melhor qualidade. De referir que cada extração feita com sucesso é acumulada como Streak de Extracção, que permite levar mais componentes táticas bem como descontos no Mercado negro. Sempre que perdemos, a Streak volta a zero.

"O objetivo é conseguir extrair o maior número possível, acumulando créditos para os aplicar num arsenal de melhor qualidade"

A Hazard Zone é uma novidade implementada no universo Battlefield, mas existe muita coisa a rever. Obviamente que, em primeiro lugar, temos de tentar jogar com amigos para uma melhor coordenação, mas muitos jogadores jogam sozinhos, em partidas com jogadores casuais e ficam entregues às aleatoriedades de quem lhe calha na rifa. Nada anormal aqui, mas quero referir que muitos jogadores não jogam em equipa, tornando a experiência em Hazard Zone num pesadelo. Retirando essa parte, e mesmo jogando com amigos, temos problemáticas a corrigir com urgência. Novamente nos especialistas, com Mackay e Ji-Soo Paik a destacarem-se. As rondas com Mackay são sublimes, pois conseguimos aceder a locais estratégicos inalcançáveis aos outros especialistas. Acampei numa zona de extração lá no cimo de uns contentores, em Manifest, inacessível aos outros especialista, matei cada equipa que ia chegando à zona de extração, com a arma, granadas e lança rockets, apesar de ter conseguido extrair as Unidades de Dados, considero uma mecânica demasiada vantajosa.

Também temos problemas relacionados com os elementos controlados pela IA, que são autênticos profissionais de combate, não falham uma bala. Possuem uma visão ultra apurada, sabem sempre onde estamos e aparecem em locais que não lembram a ninguém. Numa partida, a minha equipa lutava contra outra numa zona de extração, estávamos em vantagem, mas o jogo decidiu que não era a nossa vez de conseguir efetuar a extração, colocou vários soldados IA nas nossas costas que nos exterminou em poucos segundos. A sério DICE? Estes momentos são demasiado frequentes em Hazard, dando a entender que não testaram profundamente o modo de jogo ou concluíram ser mesmo este o comportamento dos soldados controlados pela IA. É um mistério.

A cereja no topo do bolo é sem dúvida o modo Portal, que não é bem um modo de jogo, mas sim um conjunto de experiências construídas tanto pelos produtores como por toda a comunidade. É uma fantástica ideia e quem a teve está de parabéns. Junta um universo colossal, Battlefield 1942, Battlefield 3 e Bad Company 2 e o próprio Battlefield 2042. Aqui tudo é possível, com a ferramenta disponibilizada gratuitamente para todos, através de um browser, qualquer um pode criar o seu modo de jogos com os mapas que pretender e com a estrutura de todos estes jogos. É uma fórmula que consegue uma profundidade de opções que apenas são limitadas pela imaginação de cada um.

Em Portal podemos encontrar partida como Free-for-all, Team Deathmatch, Conquest, Rush, mas o melhor de tudo, são as fusões de linhas temporais da série, é um autêntico portal para o passado e futuro, onde vários universos chocam para a realização de batalhas improváveis com tecnologias separadas por décadas. Portal transporta uma longevidade promissora para BF 2042, mas para esse efeito ser prolongado a DICE terá que verificar e corrigir muitas das problemáticas presentes.

Battlefield 2042 introduz muitas novidades, algumas delas frescas e muito relevantes. Temos um mundo dinâmico, com eventos em tempo real, como tornados, tempestades de areia e até lançamento de foguetões. Temos a introdução ed Especialistas, novas possibilidades de alterar a configuração das nossas armas em tempo real, fantástico, diga-se de passagem, e até chamar reforços em qualquer lugar do mapa quando estes estão disponíveis. Estas adições em conjunto com os visuais sublimes, dos melhores que temos visto, desde os mapas, os Especialistas, as armas, os veículos, enfim, está tudo no seu lugar, incluindo a sonoridade. Não tenho nada a apontar a todos estes pontos.

"muita latência dos servidores, balas que não registam quaisquer impactos nos inimigos, e momentos em que somos eliminados em milésimos de segundo"

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O grande entrave que me deparo neste momento, e retirando já a parte dos desequilíbrios referidos em cima, está relacionado com a própria estabilidade do jogo e dos seus servidores. Temos problemas de conexão severos, tenta-se entrar em qualquer modo de jogo e a probabilidade de recebermos uma mensagem e erro é enorme. Quanto conseguimos participar num evento, somos surpreendidos com muita latência dos servidores, balas que não registam quaisquer impactos nos inimigos, e momentos em que somos eliminados em milésimos de segundo, como se o adversário nos visse segundos antes de lhe colocarmos a vista.

Não é aceitável que Battlefield 2042 esteja a ser assolado por estes problemas técnicos relacionados com os servidores, que muitas vezes nem funcionam. Tem tudo para ser um passo gigantesco no caminho certo, mas estão a cortar-lhe as pernas para ir mais longe. Este é o momento capital, se não capta a audiência no lançamento, esta vira-se para outras opções e jamais voltará. Nos dias correntes não existe espaço para erros considerados primários, sobretudo para uma franquia que tenta recuperar o esplendor de outros tempos, notado na atitude determinante da DICE, mas por alguma razão está a claudicar no momento mais importante.

"Jogabilidade está muito aprimorada, e os combates são intensos e frenéticos. É muito recompensador quando as coisas correm de feição"

Não existe dúvida de que, quando as diversas problemáticas não estão presentes, estamos perante um enorme jogo, que impulsiona a franquia e o coloca a par do que melhor foi realizado até há data em Battlefield. A jogabilidade está muito aprimorada, e os combates são intensos e frenéticos. É muito recompensador quando as coisas correm de feição e não somos interrompidos por erros alheios. Tomara que assim fosse durante a maior parte do tempo e teríamos em mãos um trabalho que nos agarrava por horas a fio.

Não foi uma review fácil de fazer e, principalmente, chegar a este veredito. As promessas foram muitas e diga-se que a maior parte foi entregue. Contudo, as inconsistências relacionadas com desequilíbrios e principalmente com o estado atual dos servidores, não deixam espaço para outra conclusão num jogo dependente unicamente do seu modo online. Paira no ar a sensação de algo inacabado, que entrou agora em força na fase de teste intensivo dos seus servidores. Existe em mim a esperança na resolução destas questões para termos um Battlefield 2042 de excelência, mas que poderá já ser tarde para quem não tiver a paciência de aguardar por melhores dias.

Prós: Contras:
  • Excelentes visuais
  • Mapas gigantescos e belos
  • Modo Portal permite configurações quase infinitas
  • Boa sonoridade em toda a linha
  • Recompensador jogar com amigos
  • Problemas técnicos com os servidores
  • Muita latência e problemático hit detection
  • Hazard Zone parece curto e com poucos desafios
  • Performance muito inconsistente
  • Sente-se a ausência da campanha

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Sobre o Autor

Adolfo Soares

Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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