Raiden IV x Mikado Remix - por um punhado de artistas musicais

Banda sonora ao vivo neste clássico de culto.

Raiden é uma série shmup com longa tradição nas arcadas japonesas, particularmente querida pelos japoneses e durante imenso tempo desenvolvida pelos mestres da Seibu Kaihatsu. Os dois primeiros jogos, assim como os títulos "spin-off", são ainda hoje muito procurados pelos fãs desta série de culto, especialmente pelas suas "boards" arcade. Estas ainda não atingem os mesmos preços das "boards" da Cave, mas já andaram mais longe. Com a falência da Seibu em meados dos anos noventa, a MOSS, maioritariamente formada pelos produtores da Seibu, adquiriu os direitos de Raiden e passou a produzir e editar novos jogos, entre os quais Raiden IV, publicado em 2007 nas arcadas e depois nas consolas. Desde então, o jogo tem sido alvo de tratamento sucessivo, culminando na derradeira versão da Nintendo Switch, europeia e que aqui cuidamos: Raiden IV x Mikado Remix.

Sem responder à questão de qual o melhor jogo da série, embora os primeiros se encontrem entre os meus favoritos, o jogo que agora aporta à Switch funciona como um somatório dos diversos conteúdos e alterações que Raiden IV recebeu desde o lançamento do original, para além de uma retocada banda sonora. Este é talvez um dos pontos centrais de Mikado Remix, já que a banda sonora resulta de uma confluência de diferentes artistas no meio, entre os quais está a Go Sato Band, Heavy Metal Raiden, Soshi Hosoi e até Daisuke Matsumoto, da Cave, entre muitos outros. É um agregado bastante interessante, aqui programado pelo Game Centre Mikado, o que resulta em sonoridades diferentes do original mas ao mesmo tempo com um toque pessoal. A entrada em cada um dos sete níveis é acompanhada por uma descrição do tema e do artista que lhe está associado. Ao todo são 16 faixas, bem moldadas ao espírito da série e em sintonia com a assinatura dos artistas. Assim, alguns temas adquirem uma guitarra mais saliente e outras um ritmo mais envolvente.

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Os disparos laser são cruciais.

Porém, está longe de ser a banda sonora renovada e as suas 16 faixas adaptadas que vêm coroar esta edição. No centro desta experiência está um "shmup" do tipo 2D, de scroll vertical que muito se destaca pela jogabilidade fluida, rápida e permanente acção, com várias mecânicas a explorar. A acção no ecrã é verdadeiramente notável para um jogo com 14 anos, com um design algo futurista mas evocativo dos bombardeiros e das campanhas aéreas. Feito esse que é assinalável na força adversária concentrada nos "bosses", com as suas múltiplas camadas, metamorfoses e torres de disparos. Como sempre sucede neste tipo de jogos, a sobrevivência é aliada da perícia e do disparo constante. O jogo dá uma ajuda ao fã menos experiente, ao nível dos "power ups" facultados. Desde correntes vulcânicas a disparos laser que cobrem praticamente o ecrã. As bombas formam uma espécie de arma derradeira; a bomba atómica. A sua escassez e dificuldade em obter bombas suplementares obriga a uma utilização cautelosa.

No que respeita a modos de jogo, há opções de sobra. Desde jogar Raiden IV no formato original arcade, com a dificuldade própria de quem arrisca uma moeda, o que equivale a um combate bastante exigente. Além disso, é possível experimentar outros modos como o Overkill (essencialmente é um multiplicador de pontuação ao permitir que um adversário seja alvejado mesmo depois de rebentado) e uma secção a desbloquear, que consiste num único e extenso combate com os bosses de jogo. De resto, é permitido alterar uma série de opções, desde a banda sonora até à apresentação, com o típico modo arcade - Tate - para uma experiência mais próxima da arcade. Se puderem rodar o vosso televisor cerca de 90 graus, vale bem a pena porque a área vertical disponível é maior e podem assim desfrutar do jogo como ele foi concebido para ser jogado.

Com opções para dois jogadores, modo cooperativo e table top, entre registo de pontuações, tabelas online e até gravações das sessões de jogo, sobra toda uma panóplia de modos e opções que robustecem este belíssimo "shmup", especialmente se não jogaram qualquer das versões anteriores. Como referi atrás, na comparação com os primitivos jogos da série Raiden e alguns spin-off, é provável que Raiden IV não alcance a medalha dourada, mas está ali na luta pelas medalhas. Em todo o caso, esta é uma edição bem conseguida e que chega finalmente à Europa e que traz consigo conteúdo adicional e sete níveis com duas voltas bem gizadas. Com uma jogabilidade firme e ao mesmo tempo um desafio consistente, este é um daqueles jogos que qualquer fã de "shmups" deveria experimentar. A banda sonora não chega para justificar tudo mas é um elemento a ter em conta no conteúdo que aqui se oferece.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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