Metroid Dread review - Um clássico renascido

Prime Time.

A Nintendo pregou uma rasteira aos fãs de Metroid. Todos esperavam que Metroid Prime 4 fosse o próximo jogo da série. Era o que fazia mais sentido se recordarmos que já lá vão mais de 4 anos desde o anúncio (foi anunciado com um logótipo na E3 2017). No entanto, contra todas as expectativas, numa questão de apenas 4 meses a Nintendo oficializou e vai lançar Metroid Dread para a Nintendo Switch. Tendo jogado, posso dizer que é a rasteira mais agradável de sempre. Oxalá todas as rasteiras fossem como esta. Metroid Dread é aquele tipo de jogo que todos tínhamos saudades e não sabíamos.

A história é uma continuação directa de Metroid Fusion da GameBoy Advance. O jogo foi lançado há quase 20 anos, pelo que provavelmente não jogaste ou, mesmo que tenhas jogado, já não te lembras de quase nada. Não há problema porque Metroid Dread está feito de uma forma a que todos os jogadores possam desfrutar dele. Na introdução, recebes uma explicação fácil de entender sobre o que são os Metroids e o que aconteceu a Samus nos capítulos anteriores. Há bastantes detalhes que ficam de fora, mas ficas a saber tudo o que é essencial para perceberes o que vai acontecer ao longo do jogo. Se nunca jogaste nenhum Metroid, esta é uma boa porta de entrada.

Samus continua na sua cruzada para destruir o Parasita X

O Parasita X é um organismo perigoso que consume e transforma qualquer forma de vida. Samus pensava que o tinha destruído, até que recebe uma transmissão de vídeo vinda do planeta ZDR que mostra o parasita vivo. Enviada pela Federação Galáctica, a nossa caçadora de prémios aceita a missão de viajar até ao planeta em questão para investigar. Pouco depois de aterrar neste planeta, um evento que não vou detalhar para não estragar surpresas faz com que Samus perca todos os seus poderes. Armada apenas com o seu ganhão de braço, Samus tem que resolver o mistério do que está a acontecer em ZDR e voltar em segurança para a sua nave.

O design da narrativa mantém sempre a cenoura à nossa frente para nos manter cativados. Como um filme de terror e de suspense, paira no ar a sensação de que algo não está bem e que estamos sempre a ser observados. Sempre em silêncio, Samus é uma mulher de acção e, apesar das adversidades deste planeta, segue a sua missão. Metroid Dread é quase por inteiro um jogo de jogabilidade pura. As cinemáticas são curtas e pouco frequentes, mas servem para avançar com a história ou, noutras instâncias, para apresentar o boss que vais enfrentar. Se não gostas de diálogos nem de pausas, vais gostar de Metroid Dread.

Fórmula de Metroid regressa com força

O primeiro Metroid foi o jogo que deu origem ao género Metroidvania (a adição do Vania veio depois de Castlevania: Symphony of the Night, que expandiu o conceito). Este tipo de jogos são caracterizados pelos mapas altamente complexos, repletados de segredos, e pela necessidade de regressar a sítios pelos quais passaste anteriormente para aceder a novas áreas graças às novas habilidades que desbloqueaste entretanto. Em Metroid Dread isto é mais verdade do que nunca. A complexidade dos mapas é assustadora, são autênticos labirintos. Todos os mapas estão ligados com outros, com atalhos que te permitem teletransporte de um sítio para o outro.

O design dos mapas é de mestre, ao ponto que pode tornar-se uma obsessão perceber como podes apanhar um item que, à primeira vista, está inacessível. O próprio jogo é responsável pela aliciação. É comum veres upgrades para a energia de Samus e quantidade de mísseis que pode carregar completamente bloqueados por blocos ou apenas acessíveis por um caminho que nem sabes de onde vem. Quando desbloqueias uma nova habilidade, ficas ansioso por regressar a todos os sítios do mapa onde podes aplicá-la para desbloquear um caminho e quem sabe um novo upgrade para o fato de Samus (ou até um fato novo).

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"A complexidade dos mapas é assustadora, são autênticos labirintos"

Consultar o mapa é essencial. Podes colocar marcadores para servirem de guia e colocar o cursor por cima das portas bloqueadas para saber que habilidade necessitas (se ainda estiver bloqueada a habilidade necessária, aparece ???). O jogo não tem hand-holding e nunca sabes com certeza para onde deves ir a seguir. Cheguei a estar perdido no mapa, sem saber para onde tinha que ir. A sensação de estares perdido intensifica-se à medida que as áreas disponíveis vão expandido. Existe uma certa lógica que podes seguir, ou seja, se desbloqueaste uma nova habilidade, há que rever no mapa onde podes usá-la, mas nem sempre é óbvio.

Os E.M.M.I são um Twist interessante, mas por vezes frustrante

Os nomes são parecidos, mas os E.M.M.I. de Metroid Dread não estão relacionados com os prémios de música. Os E.M.M.I. são robôs enviados pela Federação Galáctica para ZDR que, por alguma razão, perseguem ferozmente Samus assim que a avistam. Pensa neles como as criaturas do filme Alien - trepam paredes, andam pelo tecto, conseguem detectar barulhos a grandes distâncias, e são extremamente rápidos quando em modo de ataque. Felizmente, e para que não estejas constantemente debaixo de pressão, estes robôs praticamente indestrutíveis (existe uma forma de destruí-los, claro, mas nem sempre está disponível) apenas patrulham áreas delimitadas do mapa. Sabes imediatamente quando entras numa área patrulhada por uma E.M.M.I. pelo som e pela palete de cores em cizento.


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A única habilidade de Samus que a pode ajudar nestas áreas é a invisibilidade, mas mesmo assim, o comportamento dos E.M.M.I está desenhado de propósito para ser muito difícil não ser detectado. Mesmo que passes por uma zona indetectado e passes por uma porta para outra zona, o E.M.M.I. vai também passar para essa zona, ainda que não exista nenhuma razão aparente para o fazer. Um confronto directo com um E.M.M.I. resulta quase sempre em Game Over. Podes contra atacar a animação de ataque e deixá-lo inutilizado durante uns segundos, mas existe uma variação no tempo de ataque do robô que dificulta bastante a reacção atempada. Em grande parte, é uma questão de sorte.

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Os E.M.M.I. eventualmente perdem o efeito de causar receio e passam a ser uma dor de cabeça.

O sistema de checkpoints de Metroid Dread é uma grande ajuda. Há uma gravação automática sempre que vais entrar numa área patrulhada por um E.M.M.I, pelo que se morreres não perdes progresso nem voltas para uma zona afastada. Dito isto, morrer repetidamente pode tornar-se cansativo. Mesmo que passes despercebido, parece que Samus têm um íman que atrai estes robôs. Percebo a ideia dos produtores de incutirem medo e receio no jogador, mas por vezes os E.M.M.I. podem roçar o injusto.

Jogabilidade deliciosa e em evolução constante

Controlar Samus em Metroid Dread é um deleite. Os 60 FPS no modo portátil e na televisão fazem realmente diferença. Metroid Dread é um jogo de acção rápida que privilegia os teus reflexos. Podes saltar e rebolar no ar, usar paredes para ressaltar, deslizar para passar por sítios apertados, e contra-atacar a maioria dos ataques das criaturas. À medida que fores desbloqueando os upgrades para o fato de Samus, vais poder fazer muito mais do que aquilo que descrevi em cima. A jogabilidade está sempre a evoluir, aumentando as possibilidades do que podes fazer. O que antes parecia impossível passa a ser possível.

A evolução constante da jogabilidade traz também uma enorme variedade. Metroid Dread é um daqueles jogos que não cansa. Podes estar facilmente a jogar durante horas. Obviamente, a jogabilidade satisfatória tem aqui um papel importante, mas nunca sentes que o jogo estagnou ou que estás a fazer sempre a mesma coisa. O design dos níveis evoluiu juntamente com as habilidades que desbloqueias. Cada área tem uma temática diferente, acrescentando novos obstáculos e adversários. Os bosses vão ficando mais difíceis, requerendo melhores reacções da tua parte e pontaria (o jogo tem um sistema de pontaria livre de 360 graus).

Com tantas habilidades que desbloqueias, já perto do final do jogo o esquema de botões pode ficar confuso porque vais precisar de carregar em vários botões em simultâneo para activar determinadas habilidades.

Um jogo moderno, mas que recupera a sensação old school

Metroid Dread é uma das melhores surpresas de 2021 e mais uma adição de qualidade ao catálogo da Nintendo Switch. Não deixes que o aspecto 2D do jogo te engane (na realidade, os gráficos são 3D com uma perspectiva lateral e com detalhes muito bons), este é um jogo de elevado calibre e com valores de produção tão bons como outros jogos da Nintendo. O maior feito do jogo é que consegue transporta-te para os velhos tempos dos videojogos mas sem os inconvenientes daquela época. Os produtores revelam uma grande compreensão da identidade da série e conseguiram fazer um jogo moderno que traz de volta a sensação de jogar os primeiros Metroid 2D. Bravo!

Prós: Contras:
  • Recupera a essência de Metroid, mas com os valores de produção modernos
  • Níveis enormes, complexos e repletos de segredos
  • Jogabilidade deliciosa, em constante evolução graças a upgrades
  • Um dos side-scrollers mais visualmente impressionantes da Switch
  • Grande variedade, seja de inimigos, cenários e bosses
  • Narrativa simples, mas apelativa para fãs e novatos
  • Os E.M.M.I. podem roçar o injusto
  • Com tantos poderes e habilidades, o esquema de botões pode ser confuso

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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