Chorus, a nova sensação entre os shooters espaciais

The Chronicles of Nara.

Chorus é um novo jogo de combate espacial da Fishlabs, estúdio alemão que agora pertence ao grande aglomerado da Deep Silver. A FishLabs não é um nome estranho dentro deste género e, se costumas jogar no smartphone, certamente já te cruzaste com um jogo chamado Galaxy On Fire, considerado como um dos melhores exemplos do género nos dispositivos móveis. Pegando em tudo o que aprendeu ao longo de três Galaxy On Fire, a Fishlabs quer agora aumentar a fasquia com Chorus, que tem como alvo o PC, Google Stadia, PlayStation 5 e Xbox Series. Embora haja muitos casos de títulos de combate espacial mais virados para a simulação e realismo, Chorus segue na direcção oposta: aposta todas as cartas numa jogabilidade arcade com muita mobilidade e energia. Tanto é que os produtores decidiram adoptar exclusivamente uma perspectiva na terceira pessoa para a nave, ou seja, vais sempre vê-la por detrás, não é possível ter uma perspectiva dentro do cockpit.

Mas existe outra boa razão para adoptar exclusivamente a perspectiva de fora da nave. Chorus não é apenas um jogo de combate espacial, há muitas influências dos jogos em mundo aberto e terás muitas oportunidades de exploração, o que se torna mais fácil com a perspectiva adoptada. Existem mesmo áreas que podem ser equiparadas às masmorras dos tradicionais RPGs, onde terás que controlar minuciosamente a nave por sítios apertados. Apesar de estarem confirmadas grandes áreas onde terás movimentação livre e incentivos para explorar, não é um verdadeiro jogo em mundo aberto. Cada área tem fronteiras e precisas de fazer uma transição para aceder a outras áreas. Graças aos SSDs nas consolas mais recentes e também na maioria dos PCs Gaming, os loadings prometem ser extremamente reduzidos.

Uma história com reminiscências de The Chronicles of Riddick

A protagonista de Chorus chama-se Nara, mas vais passar a maior parte do tempo a olhar para a Forsaken. Esta é a nave pilotada por Nara e tem uma particularidade: é uma nave senciente, com capacidade para comunicar e vontade própria. Na demo que jogámos existiam duas habilidades importantes, chamadas Rituais. O Ritual dos Sentidos é uma onda que percorre o cenário em busca de pontos de interesse, que ficam logo assinalados, e o Ritual da Caçada permite que a nave se teletransporte directamente para trás de um adversário, uma habilidade bastante mortífera. O passado de Nara explica como ganhou estas habilidades. Se assististe ao filme The Chronicles of Riddick, vais reparar imediatamente em várias semelhanças no lore.

Na história do jogo, a humanidade conseguiu espalhar-se pela galáxia inteira, mas a custo de guerras, fome e doenças que mataram milhões de pessoas, dando a origem a diversas facções e a uma ansiedade das pessoas por paz. É neste contexto que surge o grande profeta, que promete paz eterna à humanidade com o seu culto chamado Circle. Os membros do Circle procuram o Chorus, um estado de harmonia perfeita, mas acabam por encontrar outra coisa, uma entidade alienígena conhecida como Faceless, uma espécie de força da natureza que traz ao de cima toda a escuridão que os humanos suprimem. Aprendendo a utilizar poderes sobrenaturais, vindos do vazio (void), os membros do Circle tornam-se numa força imparável e acabam por conquistar a galáxia.

"É neste contexto que surge o grande profeta, que promete paz eterna à humanidade com o seu culto chamado Circle"

Nara era a melhor piloto do profeta, a sua escolhida para esmagar a última rebelião. No entanto, utilizando demasiado os seus poderes, Nara acabou por ser controlada pela escuridão no seu interior e criou uma fenda na realidade, destruindo o planeta Nimika Prime. A experiência traumatizante leva Nara a renegar o Circle e a fugir para o remoto Sistema Stega. Contudo, quando o Circle ataca a sua nova casa, Nara vê-se obrigada a lutar contra o seu passado para proteger o seu novo grupo de amigos. É então que decide recuperar a sua antiga nave - Forsaken - e os seus antigos poderes, os Rituais.

Pilotar a Forsaken é incrível

A Forsaken é descrita como uma nave capaz de enfrentar pequenos exércitos e isso notou-se na demo. Pilotar esta nave faz-nos sentir poderosos e como se estivéssemos naquelas sequências dos filmes no espaço em que uma nave sozinha destrói várias numa questão de segundos. As naves que encontramos variam de dimensão, desde pequenas naves de combate a enormes cruzeiros. Cada nave tem um ou vários pontos fracos. Para explorarmos essas fraquezas temos que trocar o tipo de munição. O D-Pad serve para alternar entre três tipos de munição - laser, rockets e metralhadora - e também podes carregar para baixo para restaurares a saúde da nave. Apesar da nave ser poderosa, não é um jogo estupidamente fácil. Se abrandares e não estiveres em movimento constante, a nave é destruída muito rapidamente.

Os cenários ajudam a intensificar os combates. No pano de fundo estão sempre cintos de asteroides, que podemos contornar e usar como escudo, e grandes cidades a flutuar no espaço. Em cada área poderás encontrar diversas missões secundárias. Algumas destas missões serão mais simples, mas outras vão acrescentar algo à narrativa. Na demo que experimentámos não deu para ver outras coisas das quais os produtores falaram na apresentação, como as masmorras os diferentes tipos de confrontos com bosses - desde grandes naves a lutas ambientais. A grandeza das áreas também permanece uma incógnita. As trocas entre as múltiplas zonas serão feitas por Jump Gates, ou seja, como já referimos, não é um mundo aberto unido.

A banda sonora é de um compositor português

Como nota final, há um detalhe que é obrigatório referir. A banda sonora de Chorus é da autoria de Pedro Camacho. Este compositor tem uma grande experiência em videojogos e no género do espaço, tendo composto mais de 12 horas de música para o ambicioso Star Citizen. Uma das coisas que nos desiludiu nesta demo - há que referir que experimentámos no PC - foi a falta de suporte para ultra-wide. Este formato realmente ajuda a aumentar a imersão num jogo deste género e não se consegue compreender porque razão não foi incluído. Fora isso, Chorus promete ser um jogo interessante com factores diferenciais perante outros títulos do mesmo género.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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