Marvel's Guardians of the Galaxy - Uma sensação muito poderosa

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Foi em 2012 que a Marvel Studios anunciou que iria explorar o lado cósmico do seu universo cinematográfico com Guardiões da Galáxia. A partir daí, mergulhei numa pesquisa pelas suas bandas desenharas e descobri um conjunto de personagens muito bizarras, especialmente para os habituais padrões da Marvel Comics. Sem dúvida um lado cósmico, cómico e irreverente que foi adaptado e realizado por James Gunn para os cinemas. A estreia em 2014 ficou marcada por imenso entusiasmo, valores que deixaram a Disney a sorrir e mais do que ansiosa para a sequela, enquanto o mundo descobria uma nova equipa de super-heróis totalmente diferente do expectável desta casa das ideias. Eu apenas agradeço pois fez-me apostar numa banda desenhada que provavelmente deixaria escapar e depois da arrojada visão de Donny Cates para o grupo, estamos atualmente a desfrutar da não menos empolgante visão de Al Ewing para estes protetores do cosmos.

Tudo isto para dizer que vivemos numa era em que a esmagadora maioria provavelmente está a descobrir estes super-heróis nos filmes e não nas bandas desenhadas, o que lhes confere imensa popularidade, incentiva a aposta em novas séries de escritores conceituados na banda desenhada e os torna mais interessantes para adaptações para videojogos. É precisamente aqui que nos encontramos, a pouco mais de um mês do lançamento de Marvel's Guardians of the Galaxy da Eidos Montreal que, após Shadow of the Tomb Raider, está de volta à liderança de um projeto seu. Sim, o próxima adaptação para videojogo de uma propriedade da Marvel não são os Fantastic Four ou X-Men, mas sim os Guardiões da Galáxia. Quem diria?

Marvel's Guardians of the Galaxy é um jogo de ação e aventura na terceira pessoa no qual controlas Peter Quill, autodenominado Star-Lord e líder de um caricato grupo de indivíduos que acaba por unir esforços perante incríveis adversidades. Uma vez que a união faz a força e os seus objetivos se alinham, decidem permanecer juntos e acabam por criar laços que os fazem sentir parte de uma família. A demo a que tivemos acesso não nos explica como vais encontrar os Guardiões neste jogo, mas mostra-os a meio da jornada, prontos para encerrar um capítulo sem imaginar que vão cair num novo que provavelmente é demasiado complicado para a sua paciência.

Os gráficos, banda sonora, elenco de atores e os personagens parecem capazes de permitir à Eidos Montreal alcançar algo muito apelativo

A demo que jogamos, com cerca de 1 hora de gameplay, decorria num ponto do enredo em que os Guardiões estavam prestes a encontrar a Igreja Universal da Verdade, um grupo que nem sequer conhecem. A demo começou a bordo da Milano e tal como em Mass Effect, Quill pode vaguear pela nave e conversar com os diferentes membros da tripulação, Rocket, Groot, Gamora e Draxx. Alguns dos diálogos apresentam ramificações e terás de escolher uma resposta, uma tentativa de criar algum dinamismo e maior interatividade nestes segmentos. Após cumprir com o objetivo, iniciar a viagem, chegas ao destino após uma cutscene e começa a missão. Durante todo o tempo alguém está a falar, alguém está a criticar alguém, a confusão instala-se e rapidamente o grupo cai em conversas parvas e já ninguém sabe do que estavam a falar. Este grupo desajeitado, rebelde e ruidoso faz-se sentir a todo o tempo.

Após chegar ao local indicado, tivemos o primeiro contacto com as mecânicas através das quais recorres à ajuda do restante grupo. Neste jogo controlas apenas Quill, mas seja na exploração do cenário linear ou nos combates, podes abrir uma janela e pedir a outro membro para interagir com a parte do cenário que realçaste. Tudo depende da sua aptidão e se queres piratear uma porta automática que está encravada, Rocket é quem te ajudará. Nos combates, a janela de grupo serve para pedires o uso de habilidades específicas de cada Guardião. Sempre a conversar e sempre em desacordo, os Guardiões depararam-se com os inimigos e isto foi a oportunidade de experimentar finalmente os combates.

Guardiões da Galáxia parece relembrar a experiência da Eidos Montreal com Deus EX e Shadow of the Tomb Raider, apostando num sistema de combate na terceira pessoa no qual controlas Quill e podes pedir ajuda dos outros membros da equipa. Os controlos são rápidos, intuitivos e graças às botas de Quill podes executar uma investida rápida ou desviar-te rapidamente de um golpe. As tuas armas (com disparos alternativos que causam dano por elemento, eu usei um tiro de gelo alternativo para congelar adversários) são as tuas melhores amigas (existe até um sistema de arrefecimento ativo que te incentiva a carregar no momento certo para recarregar instantaneamente), mas também podes dar socos e claro, pedir ajuda aos outros Guardiões.

Existem elementos como XP para subir de nível e desbloquear novas habilidades ou um banco de trabalhos onde podes melhorar as botas de Quill e adquirir disparos alternativos

O sistema de combate conquistou-me pois é frenético e intenso, mas com alguma estratégia à mistura. Não podes pedir a Draxx, Groot, Gamora ou Rocket para usarem de forma banal as suas habilidades, tens de pedir o uso das mais indicadas de acordo com o inimigo. Apesar de sentir que alguma da dificuldade está relacionada com a inteligência artificial aliada que precisa de refinamento, no geral senti que Marvel's Guardians of the Galaxy será um jogo desafiante e não um shooter de tom arcada sempre a abrir. Será preciso ter cautela, usar o cenário à tua volta e escolher bem a ordem para derrotar os inimigos.

Um dos momentos mais fantásticos é quando o grupo todo está pronto para despoletar uma habilidade especial em equipa e desfrutas de um período em que ficas mais forte e o arrefecimento das habilidades é reduzido. A demo contou com diferentes tipos de inimigos, enquadrados com as situações, que te forçam a abordar com tática os confrontos (seja eliminar primeiro os atiradores lá em cima ou despachar os inimigos que disparam ataques elétricos que te paralisam). Ficar parado é impossível e é fácil perceber o porquê de Quill se mover de forma tão dinâmica. Apenas fiquei com a sensação que a IA aliada precisa de melhorias, caso contrário a experiência de combate teria sido sublime. Com este senão, a imersão quebrava frequentemente e foi fácil sentir alguma dificuldade artificial como consequência. Esperamos que seja melhorado a tempo do lançamento.

O sistema de combate na terceira pessoa é simples e até frenético, mas é precisa alguma estratégia e ficar parado é pedir um castigo severo.

Apesar de estarmos perante um jogo de ação e aventura, Marvel's Guardians of the Galaxy inclui elementos comuns aos RPGs. Cada confronto triunfante dá-te XP e ao subir de nível ganhas pontos de habilidade, que são usados para desbloquear habilidades nos guardiões. Além disso, existem imensos fatos extra para desbloquear e a mesa de trabalho, onde podes pedir a Rocket para desbloquear novas habilidades ou melhorar a tua arma. Isto significa obter disparos alternativos ou adquirir novos golpes relacionados com as botas.

Confesso que estava altamente reticente com o jogo e nem sabia o que esperar, mas esta demo foi o que precisava para ficar empolgado com o que está a caminho. O tom cinematográfico da experiência, o bom humor e adaptação dos personagens, o sistema de combate muito dinâmico e até com alguma estratégia, as habilidades especiais e a possibilidade de pedir o uso de habilidades aos outros Guardiões sem esquecer a qualidade visual, fazem com que Marvel's Guardians of the Galaxy prometa tornar-se em mais uma divertida exploração das propriedades Marvel Comics através dos videojogos, unindo assim duas das minhas maiores paixões.

Com melhorias na inteligência artificial e refinamento das animações, Marvel's Guardians of the Galaxy poderá tornar-se numa forte adaptação de uma banda desenhada, capaz de divertir os jogadores e especialmente os fãs das BDs. Enquanto jogo de ação na terceira pessoa onde os combates são dinâmicos sem prescindir de alguma estratégia, a aposta na narrativa e tom cinematográfico, algo que os gráficos e banda sonora prometem ajudar imenso, este jogo tem quase tudo para se tornar em algo especial neste final de 2021.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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