WarioWare Get it Together! - Review - Testa os reflexos

Os vinte eleitos por Wario.

Passaram já alguns anos desde o último jogo da saga WarioWare numa consola doméstica da Nintendo. Foi em 2013 que a Nintendo editou Game & Wario para a Wii U, renovando a compilação de microjogos, um sinal distintivo deste "spin off" que tem vindo a sedimentar o seu gameplay em jogos curtos, de teste aos reflexos. Embora muitos saibam que Wario começou por ser um jogo de plataformas e uma evolução da série Super Mario Land, de âmbito 2D, foi o aparecimento do formato em microjogos, para a GBA, que catapultou a imagem deste arqui-rival de Super Mario.

E, pelos vistos, com Get it Together! a fórmula é para manter, já que praticamente renova a fornada de pequenos jogos disputados no lapso de um curto rastilho. São microjogos todos diferenciados, inseridos em respectivas regras e nos quais uma dada personagem terá de efectuar uma ou várias acções em prol da solução. Se quisermos, estes desafios breves são como que pequenos puzzles, nos quais a acção pode ir do simples toque nos ponteiros de um relógio, à colocação de vários objectos numa caixa. É como se cada jogo contasse uma pequena história, um momento, ou um quadro, em curtos frames, no entanto inseridos num plano de continuidade, com dez ou mais desafios, até à derradeira "boss fight".

Pode dizer-se que, nas suas versões portáteis, ou domésticas, o segmento Warioware revela um permanente labor no sentido de refrescar e encontrar influências, do nosso quotidiano e dos actos mais banais do dia a dia, até às sequências de cariz retro, mais "in game" de evocação de jogos e séries da Nintendo que de algum modo se perpetuaram na história da companhia. O traço comum é a capacidade para surpreender naqueles breves instantes, quando descobrimos a solução ou ficamos petrificados sem reagir devidamente. Claro que depois de estudados é mais fácil bater estes microogos, mas muitos deles vivem do efeito surpresa. Ora, é isso que a Nintendo volta mais uma vez a conseguir e a oferecer com esta edição rebaptizada de Get it Together!, de pendor social e dirigida à partilha e conexão com outros jogadores. Embora tenha em mim um interesse em ver Wario regressar no formato 2D de plataformas, no fundo a sua origem, reconheço que há em Warioware um sentido peculiar de conceito.

1
Há personagens que resultam melhor em certos microjogos.

Desta vez a Nintendo agitou o pacote de microjogos

Com o desenvolvimento de Get it Together a cargo da Intelligent Systems, a fórmula permanece no essencial relativamente similar a edições anteriores. O jogador é chamado a efectuar uma ou mais acções num curto espaço de tempo, de acordo com regras, ou indicações, previamente anunciadas. Na prática, cada microjogo começa por ser uma surpresa e por isso é que muitas vezes somos apanhados com as calças na mão. Em Game & Wario, por exemplo, são evocados os desafios da Game & Watch, o que significa que o jogador tinha de manipular diversos elementos dentro do microjogo. Agora, as acções são praticadas por diferentes personagens chamadas a jogo. Elas são; Wario, Young Cricket, 18-Volt, Mona, entre muitos outros (ao todo duas dezenas), que através das suas habilidades especiais resolvem os puzzles.

Se, tal como eu, tiveram a oportunidade de jogar a demonstração facultada pela Nintendo antes do lançamento, ter-se-ão apercebido dessa alteração ao modelo de jogo, o que produziu uma mudança face ao legado da série. Com estas personagens, a Intelligent Systems desenvolveu uma história, na qual Wario e todas as personagens são reféns e chamadas a intervir. Desde logo porque ficaram presos no seu próprio jogo. Um jogo que Wario desenvolveu mas não acabou, devido aos múltiplos bugs e elementos condicionados. Agora, tanto Wario como as outras personagens, terão que sobreviver e vencer os pequenos desafios, em catadupa até ao mini jogo derradeiro, numa experiência que se prolonga por diferentes segmentos da história, correspondentes às 20 personagens disponíveis.

No entanto, por cada segmento da história atribuído a uma personagem, isso não quer dizer que seja uma competência exclusiva. É possível escolher mais do que uma, até um máximo de três, que depois são atribuídas aleatoriamente ao circuito de mini jogos, o que significa que duas partidas poderão não ser iguais, e que um mini jogo pode ser mais facilmente completado com uma personagem, ao passo que na convocação de uma outra outra personagem, o grau de dificuldade poderá ser maior ou menor por força da adaptação da personagem ao microjogo. É esta reconfiguração na fórmula, assim como a renovação dos mini jogos e a disposição para o cooperativo, que torna a experiência um pouco diferente, não necessariamente mais difícil, mas com novos condimentos.

2
A dimensão retrogaming está outra vez presente.

As personagens como "power ups" e uma torrente de mini jogos

Os comandos das personagens são simples, aliás é uma das máximas de WarioWare que os criadores não abdicam. Das vinte personagens disponíveis, não há muito mais a pressionar para lá do analógico e do botão de acção. O que difere é a forma de movimento de cada personagem. 18-volt, por exemplo, permanece imóvel e só através dos seus longos braços é capaz de tocar numas argolas para onde se faz transportar. Isto é representativo da adaptação dos níveis mediante a personagem controlada. Com uma outra seleccionada, essas argolas não estariam disponíveis. Sendo um Wario, por exemplo, bastaria pressionar no analógico na direcção pretendida para imediatamente carregar com o ombro enquanto o jet pack às costas lhe permite sobrevoar o nível. Não obstante as diferentes formas de movimentação e habilidades especiais das personagens, o cenário surge reconfigurado mediante os atributos da personagem com que jogamos.

As habilidades especiais são diversificadas. Quando jogamos com mais do que uma no mesmo mundo, é normal que o factor aleatório de selecção de personagens (opcional), conciliado com a escassez de tempo de resposta para cada mini jogo, provoque aquele sobressalto e nos leve ao erro. Mas é esse também o desafio, responder rápido e da forma adequada. Felizmente, cada microjogo é antecedido de um breve carregamento, tempo de espera que nos permite ensaiar os golpes com a personagem controlada, um pormenor aparentemente irrelevante, no entanto crucial a fim de nos lembrarmos dos movimentos.

Muitos dos microjogos estão ligados a determinada personagem, evocando o seu mundo, mas também existem desafios autónomos, do tipo "random". Tomemos o exemplo de 5-volt, filho de 9-volt, skater e entusiasta de retrogames. Se estão recordados dele em Game & Wario, os mini jogos envolviam uma espécie de confronto com a mãe, por causa do tempo passado a jogar quando devia estar a dormir. Esse conflito regressa, com novos desafios e abordagens ligados a esse confronto, embora com alguns deles dotados de autonomia. O mesmo sucede com outras personagens. O cómico e a surpresa habitam em muitos destes mundos, renovando o interesse e o desafio pela história. Do épico Pyoro, ao alienígena Orbulon, passando pelo diabinho Red e o Jimmy-T, numa evocação de febre de sábado à noite, são às dezenas as situações que derivam dos mundos das personagens. Claro que à medida que repetimos os microjogos e conhecemos as soluções, perde-se algum do encanto inicial, fruto da descoberta.

3
Dois jogadores para limpar os dentes.

Na luta pela Wario Cup

Por norma personagem traz consigo 15 microjogos, aos quais acresce uma "boss fight". Limitados a 4 vidas e sujeitos a um breve instante para activar a solução, muitas vezes é impossível completar um mundo à primeira ronda. Acontece que só com a escolha de uma ou duas personagens, melhor adaptadas aos microjogos é que lá chegamos ao final, não sem evitar alguns sobressaltos. O Play-o-pedia fica disponível quase de início e com ele podemos voltar a testar os microjogos mais complicados, antes de os retomarmos no modo história.

Get it Together! assenta bem como experiência individual. No entanto, como experiência partilhada, mantém intacta a qualidade. Os desafios também estão programados para dois, e até há jogos específicos para quatro jogadores. Desde desafios em arena até níveis mais compridos, do tipo side scroll, há um vasto somatório de desafios. Um jogo de vólei e um trampolim são algumas das opções. No que respeita ao online a Wario Cup é uma espécie de troféu semanal de mini jogos, através do qual jogadores de todo o mundo competem em tabelas de ranking.

É certo que o modo história não é particularmente longo. O tempo passado poderá variar de jogador para jogador mediante a existência de repetições ou não, no entanto nunca levará mais do que um punhado de horas, no máximo, a completar o jogo, o que não permite grandes veleidades. No entanto, com o fim do modo história, os restantes conteúdos ganham particular interesse e engrossam a oferta, expandindo o tempo de jogo, especialmente no que respeita ao multiplayer, como forma de partilhar a experiência. Em resumo, WarioWare Get it Together não veio para reinventar a roda dos microjogos da linha WarioWare, antes é um jogo na linha dos anteriores, que os fãs sabem com o que podem contar. Mas, desta vez, oferece um "twist" na forma como transporta múltiplas personagens para o jogo e fornece diferentes vias de interacção. Não sendo surpreendente no seu todo, porque esta é já uma longa série, não deixa de produzir contextos cómicos, desafiantes e divertidos. É servido na forma de pequenos e explosivos segmentos, puzzles que vão desde acertar os ponteiros do relógio numa determinada hora, até puxar o conteúdo de uma bisnaga para os dentes. Neste mundo de Wario cabe uma multiplicidade de ofertas, umas bizarras e outras "in game". Wario é assim, corrompe os mundos, e quando é ele o criador de um videojogo, os bugs são inevitáveis.

Prós: Contras:
  • Modo história dividido por mundos
  • 20 personagens com habilidades especiais
  • Comandos acessíveis
  • 200 novos microjogos
  • Conteúdos para dois ou mais jogadores
  • Efeito surpresa dos microjogos
  • Captura de jogos retro da Nintendo
  • Não oferece comandos por movimentos

Lê o nosso Sistema de Pontuação

Salta para os comentários (4)

Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

Conteúdos relacionados

Também no site...

Comentários (4)

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários