Sonic Colors Ultimate review - Um momento de luz numa era sombria

Remaster ou port HD?

Repleto de momentos divertidos, Colors é um dos melhores jogos 3D de Sonic, mas ainda é assolado por maus momentos e falta de polimento.

Quase 11 anos depois do lançamento de Sonic Colors para a Wii, a SEGA aliou-se à Blind Squirrel Entertainment para apresentar a uma nova audiência um dos mais elogiados trabalhos da Sonic Team numa das suas piores fases. Ao contrário do que a Nintendo conseguiu com Super Mario, a transição do 2D para 3D na série Sonic deu muitas dores de cabeça à SEGA- Após dois Sonic Adventure que mereceram imensos elogios, os anos 2000 foram passados a debitar jogos com um aparente foco na quantidade e não na qualidade. A Team Sonic tentou constantemente coisas diferentes no que parecia uma desesperada tentativa de adaptar Sonic para 3D e enquadrá-lo com a moda mais recente. Após bater no fundo com o Sonic de 2006, a equipa só podia melhorar e a rota atribulada até ao jogo que seria o sensacional Sonic Generations ficou marcada por tiros falhados e alguns certeiros, como Sonic Colors, o terceiro título exclusivo da Wii em 4 anos.

Sonic Colors foi pensado como resposta às duras críticas tecidas a Sonic Unleashed. Neste jogo tens novamente um gameplay relativamente mais simples e direto, com constantes trocas entre a perspetiva na terceira pessoa e side-scrolling. Um ritmo frenético no gameplay, sistemas como lock-on nos inimigos para permitir momentos de grande ritmo, segmentos que se jogam sozinhos, wisps que dão poderes e formas especiais a Sonic, e ainda níveis rápidos de terminar, mas com imensos segredos para tentar outras rotas e desbloquear tudo a 100%, incentivando-te a jogar diversas vezes os mesmos níveis. Junta a tudo isto níveis coloridos que decorrem a estonteante velocidade e com imensa coisa a acontecer à volta, e tens um jogo capaz de conquistar os fãs.

Passados quase 11 anos e, olhando para a versão Ultimate de Sonic Colors, aquele que é um dos melhores jogos de Sonic num dos seus mais conturbados momentos, ainda mantém os seus encantos. No entanto, o trabalho executado nesta conversão poderá deixar muitos a torcer o nariz, seja pela falta de verdadeiras melhorias capazes de justificar o termo remaster ou pela falta de polimento na experiência, como os bugs que vão surgindo.

Sonic Colors é um jogo que decorre a estonteante velocidade e com constantes trocas entre a perspetiva 3D na terceira pessoa e a clássica 2D, numa tentativa de dinamizar o gameplay e agradar a Gregos e Troianos. Frequentemente, Sonic acelera por locais automaticamente e quase podes pousar o comando, mas também tens segmentos 2D bem difíceis que testam a tua habilidade. Segredos espalhados pelos níveis incentivam-te a adquirir os poderes Wips (como permitir que Sonic se torne num míssil e voar pelos cenários ou numa broca que fura o solo), enquanto o desafio de completar o mais rápido possível para obter melhor pontuação apela aos mais exigentes e dedicados. Ocasionais problemas na câmara ao transitar entre perspetivas, picos de dificuldade e repetição de locais ao longo dos níveis de cada zona (6 níveis e 1 boss) fragilizam a experiência, mas no geral, estás perante um dos melhores jogos de Sonic dos últimos 20 anos.

Especialmente porque o design visual é uma conquista absoluta. Desde parques de diversão a naves espaciais, Sonic acelera por um leque colorido e apelativo de locais onde está sempre algo a acontecer no fundo e cuja velocidade surpreende. Diria que é o maior trunfo de Sonic Colors Ultimate, o design visual e por isso mesmo é pena que frequentemente se sinta uma falta geral de polimento e que pequenas fragilidades da versão original não tenham sido corrigidas. Frequentemente sentirás que estás perante a qualidade de um remaster, para logo em seguida sentir que o termo port HD é mais apropriado.

Ao jogar Sonic Colors Ultimate numa consola de atual geração, estarás a correr a versão de anterior geração por retrocompatibilidade. Apesar do jogo se aguentar bem, é mais um pequeno detalhe a manchar a qualidade geral do trabalho patrocinado pela SEGA. Se os bugs e glitches dão a sensação de falta de atenção e dedicação, sentir que os SSDs das novas consolas e (no caso da PS5) que o DualSense não é usado, é mais uma série de importantes detalhes que ficam de fora da experiência.

Algo que também terás de ter em conta é que Sonic Colors Ultimate é um jogo relativamente curto. Dependendo da tua vontade em completar todos os objetivos extra nos níveis, poderá durar 6 horas de jogo. Se quiseres seguir apenas os níveis pela história, poderá ficar um pouco abaixo disso. Mas se quiseres alcançar todos os objetivos extra e comprar todos os desbloqueáveis e personalizar Sonic, terás muito mais do que isso.

Sonic Colors Ultimate é uma versão atualizada de um jogo que foi visto como uma luz no meio das trevas em que a série da SEGA estava mergulhada, cuja qualidade oscila de acordo com o parâmetro que estás a verificar. Visualmente, as melhorias e a 4K acompanhada pela performance a 60fps tornam a experiência muito divertida, especialmente naqueles níveis em que o design visual dos cenários te deixa de sorriso na face. Pelo outro lado, os bugs, congelamentos, problemas na câmara e até nos controlos fazem-te sentir que existe uma falta geral de polimento que lhe dá um tom quase de port HD. Sonic Colors Ultimate devia ser um triunfo incontestável a não o é, é uma luz cheia de nódoas que se posiciona como uma mera curiosidade para os maiores fãs de Sonic, ao invés da merecida celebração de um título muito elogiado.

Prós: Contras:
  • Uma experiência Sonic 3D com momentos divertidos
  • Níveis empolgantes com imensa coisa a acontecer à volta de Sonic
  • Imensos segredos nos níveis que incentivam repetir para procurar outras rotas
  • Habilidades Wisp que ampliam o gameplay
  • Banda sonora que fica no ouvido
  • Design visual dos níveis é mesmo apelativo
  • Falta polimento e correções de bugs
  • Congelamentos que obrigam a reiniciar o jogo
  • Segmentos que se jogam sozinhos e repetição de locais em vários níveis
  • Algumas boss fights nada interessantes
  • A câmara continua a apresentar alguns problemas ocasionais

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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