Death's Door - review - The Legend of Souls

Uma cativante experiência do início ao fim.

Death's Door é uma das maiores surpresas deste Verão de 2021, um jogo que relembra os clássicos de ação e aventura dos anos 80 e 90, com mecânicas que parecem ter ido buscar inspiração à série Souls da From Software. O resultado é um vício que nos relembra as experiências de outrora. Na verdade, nem devia ser surpresa pois a Acid Nerve já tinha mostrado o que lhe vai nas veias com Titan Souls, um estratégico, desafiante e exigente jogo de ação e aventura 2D em perspetiva aérea no qual basta apenas sofrer um toque para morrer. Esse jogo já mostrou que este pequeno estúdio está empenhado em criar experiências altamente exigentes e que de forma interessante misturam conceitos mais atuais.

Este Death's Door é o seu segundo esforço e tens aqui um jogo de ação e aventura, com elementos de RPG e até de um twin-stick shooter, capazes de evidenciar a diversidade das mecânicas deste jogo implacável. Neste jogo não serás um lendário herói ou um jovem aventureiro que está prestes a tropeçar na glória. Em Death's Door és um corvo que vive a recolher almas e que um dia é alvo de uma armadilha e terá de recuperar de um ladrão a alma que devia ter recolhido. Isto é o ponto de partida para uma inesperada jornada que quebrará este eterno ciclo de recolha de almas. Para isso, terás de eliminar 3 imponentes criaturas que estão em 3 locais distintos deste mundo, e como seria de esperar, chegar lá será altamente desafiante e existem diversos quebra-cabeças simples, sem esquecer o boss no final da zona.

A narrativa gira em torno da mortalidade e de conceitos relativamente difíceis de abordar, mas a Acid Nerve optou por introduzir alguma comédia para tornar um pouco mais leve todos estes eventos sobre uma porta da morte que está pronta para ser aberta e quebrar o ciclo. No entanto, para chegar a essa porta terás de percorrer 3 locais principais, com um design que nos remete de imediato para os primeiros jogos na série The Legend of Zelda, mas com um sistema de combate e checkpoints que mais parece ter vindo de Dark Souls. A partir do hub central terás acesso aos 3 locais e após navegar pela área inicial, chegarás ao local em si, a masmorra propriamente dita e após vencer os inimigos e resolver os quebra-cabeças, ficas pronto para o boss.

Tal como os clássicos The Legend of Zelda, Death's Door aposta numa perspetiva aérea em cenários com um estilo quase diorama e a navegação é relativamente intuitiva, apesar de alguns locais exigirem maior concentração para a navegação. É percetível que a Acid Nerve se esforçou para manter o design visual fácil de interpretar e se inicialmente tens apenas uma rota, acabarás por desbloquear atalhos que evitam forçar-te a enfrentar novamente os inimigos que já enfrentaste. De forma muito fluída, eliminas os inimigos, desbravas caminho e vais percebendo os seus padrões para não voltar a perder com o mesmo inimigo. Death's Door vai testar os teus reflexos e sentirás que é uma experiência difícil, mas justa.

Quando morres, ressuscitas numa porta que alcançaste recentemente, o que torna os atalhos muito úteis, mas se não o conseguires, poderás ter de repetir longos caminhos e esses momentos, apesar de raros, são um pouco frustrantes. Death's Door é um jogo relativamente simples e é precisamente isso que mais me surpreendeu, seja no sistema de combate ou design de níveis, este é um jogo que te vai cativar quase de imediato pois é altamente fácil de jogar e intuitivo, mas altamente difícil e que vai despertar em ti a vontade de fazer melhor.

Terás 4 habilidades habilidades especiais (arco e flecha, bola de fogo, bomba e gancho) que vais desbloqueando ao longo dos níveis (existe aqui o conceito de voltar atrás e chegar a novas áreas em locais já visitados que apenas podes alcançar com uma das novas habilidades) e podes melhorar 4 aspetos do teu corvo (força, velocidade de ataque, rapidez de movimento e esquivas, e ainda a força dos ataques especiais), o que poderá fazer a diferença perante um boss. Falando disso, estes momentos são altamente desafiantes e será raro sentir injustiça. Existem mecânicas a descobrir (como a possibilidade de devolver as bolas de fogo aos inimigos com um golpe de espada) e podes ficar mais forte, o que permite um equilíbrio na experiência, mas num jogo com um toque de Souls, a estratégia está quase sempre presente quando encaras uma zona repleta de inimigos. Hora de melhorar esses reflexos.

Apesar de altamente difícil, Death's Door poderá ser terminado em cerca de 7 horas (sem grande exploração e procura por segredos), deliciando com a sua simples, mas altamente astuta e incrivelmente eficaz postura. A equipa não complicou e nem implementou artificialidades para tornar Death's Door mais difícil ou injusto, ou até para durar mais tempo. É desafiante, mas tudo decorre com fluidez e quando analisas os padrões dos inimigos e dos bosses, começas a descobrir quando atacar, esquivar ou atacar de longe. É uma experiência incrível e que apesar de não fazer nada de particularmente novo, torna-se numa inesperada e refrescante mistura entre conceitos e mecânicas aclamadas.

Apesar dos visuais cumprirem o seu propósito sem especiais momentos a destacar, o design é um dos seus elementos mais bem conseguidos e a banda sonora um autêntico mimo. Este exclusivo Xbox e PC é uma pequena maravilha que poderás ter gosto em conhecer e apenas deixo o aviso que apesar de não parecer, é um jogo muito difícil e que testará os reflexos. Por vezes, seriam bem vindos melhores tutoriais ou dicas para certas funcionalidades, mas a equipa prefere que tudo seja fluído e puxes pela massa cinzenta enquanto estás em movimento. Não contava deliciar-me tanto com Death's Door e apesar da frustração num ou outro local, que tive de repetir diversas vezes e onde fiquei com uma sensação de injustiça no design do confronto, é um jogo cujo desafio não consegui resistir.

Prós: Contras:
  • Exploração de masmorras com quebra-cabeças ao estilo dos clássicos dos anos 80 e 90
  • Combate e design estilo Souls, que te incentiva a melhorar
  • A Banda sonora é uma parte fundamental da sua atmosfera
  • Desgin simples para manter a fluidez
  • Algumas melhorias não se fazem sentir de forma percetível

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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