Samurai Warriors 5 - review - Um refrescante reinício

Novo estilo visual apelativo, novas mecânicas e um maior dinamismo

Não é o reinventar da série, mas é uma refrescante aposta na qualidade ao invés da quantidade, com refinamentos e novidades que conquistam.

Samurai Warriors 5 está finalmente disponível e estamos perante um novo jogo que veio mostrar como as experiências Musou da Omega Force são provavelmente o meu maior guilty pleasure. Adoro o tempo que passo com estes jogos, apesar de saber que para a grande maioria é um gameplay estagnado desde 2000. Claro que isso não podia estar mais longe da verdade pois a série da Koei Tecmo tem sido alvo de grandes esforços para se tornar mais dinâmica, eletrizante e divertida, através de refinamentos e ajustes no design das missões para permitir diversão imediata e simples, com uma pequena dose de estratégia. As colaborações, que começaram em 2007 com Gundam, passaram por Fist of the North Star, Dragon Quest, Fire Emblem, One Piece, Berserk e Arslan, entre outros, trouxeram-nos recentemente Persona 5 Strikers e Hyrule Warriors: Age of Calamity.

A sequela de Hyrule Warriors é mesmo um dos meus jogos favoritos da Omega Force e da Nintendo Switch, onde é evidenciado com grandiosidade como a fórmula é expandida e dinamizada com as colaborações e até com a perceção exterior de como a série pode melhorar quando misturada com conceitos vindos da outra metade da parceria. Após anos a sentir que são as colaborações que mostram a fórmula Musou no seu melhor, aguardava com entusiasmo a chegada deste novo trabalho do estúdio japonês, especialmente porque apresenta diversas especificidades que vão dar que falar.

Algo que temos de ter em conta nesta tentativa de estabelecer uma nova era para Samurai Warriors e refrescar a sua identidade é que este 5 é mesmo uma espécie de reinício, uma nova interpretação para a série com uma apresentação visual diferente e alterações nos designs de personagens. O novo estilo visual dá um forte toque artístico ao jogo, especialmente aos personagens e golpes, influenciado pelas pinturas clássicas japonesas e destaca-o dos anteriores esforços a solo da Omega Force. É muito mais apelativo e diferencia-o, alcançando aquele efeito de destaque que esperarias ver apenas nas colaborações com outras propriedades, que exigem um estilo artístico fiel.

Além desta mudança no estilo visual, que particularmente me encantou, temos ainda uma mudança radical na abordagem à narrativa. O modo Musou, o principal modo onde acompanhas a história, não abrange todo este período caótico na história japonesa, focando-se exclusivamente em Oda Nobunaga e Akechi Mitsuhide, sendo este um dos principais pontos a ter em conta. Através de várias missões nas quais "um enfrenta centenas", desbloquearás o acesso a novas cutscenes entre missões, até eventualmente chegares à morte de Nobunaga. Quando alcanças um determinado capítulo na linha narrativa de Nobunaga, desbloquearás o modo história e as suas missões com Mitsuhide, o seu grande aliado que eventualmente o traiu.

Tendo em conta que recentemente assisti à série "Age of Samurai: Battle for Japan" na Netflix, centrada na cruel escala de Nobunaga até ao domínio quase total do Japão, a traição que ditou a sua morte e como o Japão sobreviveu a estas décadas de imparável conflito, jogar Samurai Warriors 5 com um foco nestes dois personagens até se tornou inesperadamente empolgante, mas outros jogadores poderão não sentir o mesmo. Tendo em conta que o número de personagens desceu para 37 e que apenas podes usar 27 no modo história, esta é decididamente uma nova abordagem da Omega Force, na qual tenta mostrar que menos é mais e se revela até mais focada. É uma experiência diferente da que temos em Samurai Warriors 4 e este foco em conteúdos mais precisos acabou por me conquistar.

Apesar do novo estilo artístico inspirado nas pinturas japonesas, da nova banda sonora mais focada nas guitarradas e da narrativa se focar num período ou personagens específicas, Samurai Warriors 5 continua a ser um Musou. Isto significa que enfrentarás centenas de inimigos uns atrás dos outros, terás de cumprir com objetivos específicos espalhados ao longo dos mapas até finalmente confrontar o boss. Existem inimigos mesmo desafiantes e agora, alguns deles têm mais do que uma barra de vida. A Omega Force manteve tudo muito similar, tens os ataques normais e os ataques Musou, mas agora também tens as "Ultimate Skills", habilidades que podes equipar e usar sempre que quiseres (existe um tempo de recarga entre cada uso).

Estas Ultimate Skills foram dos novos elementos que mais gostei de descobrir em Samurai Warriors 5 pois conferem um toque extra de estratégia. O gameplay é muito simples e direto, mas sempre existiu uma pequena dose de estratégia. Alternar entre os botões de ataque normal e forte a meio do combo sempre permitiu ramificar os ataques e dependendo da situação ou inimigo, o golpe final de um combo é mais útil do que outro. Isto incentiva-te a ir além do martelar dos botões. O ataque Musou devastador também deve ser usado com estratégia pois podes precisar dele quando menos esperas. Agora, as Ultimate Skills tornam tudo ainda mais dinâmico e tornam-se parte da componente estratégica. O gameplay fica mais robusto quando tens de usar estas habilidades para cancelar animações ou encadear ataques. Além disso, algumas destas habilidades servem para ganhar mais força temporariamente ou recuperar parte da barra Musou, o que mostra bem como tens mais uma camada de estratégia.

Junta a este gameplay mais dinâmico um estilo visual que cativa os amantes da cultura japonesa e uma narrativa repleta de cutscenes que explora eventos nunca explorados na série, uma boa recompensa por se focar somente num período e personagens específicos, e tens um dos mais energéticos e apelativos jogos da série. Menos é mais quando a experiência ganha foco e é isso que Samurai Warriors 5 consegue. A experiência imediata de martelar botões para despachar milhares de inimigos ganha mais camadas de estratégia e tens um jogo que te pode durar centenas de horas. Isto porque o Modo Citadela te permite cumprir novas missões para ganhar recursos e dinheiro, usados para melhorar personagens, cavalos, obter mais armas, aumentar a afinidade com as armas e desbloquear extensões de combos e até aumentar o nível do ferreiro, dojo, estábulo e outros para obter mais itens e regalias.

Samurai Warriors 5 torna-se numa inesperada e refrescante experiência para os adeptos da fórmula Musou e acredito que ao reduzir a quantidade para se focar na qualidade, a Omega Force conseguiu argumentos muito fortes a seu favor. Samurai Warriors 5 é o primeiro jogo exclusivamente da Omega Force nos últimos anos que sinto ter a qualidade e foco que estávamos a ver somente nas colaborações. Sem contar com isso, este regresso de Samurai Warriors acabou por se tornar num dos meus Musou favoritos e numa experiência muito própria que espero ser a base para o futuro da série e não apenas uma anomalia. Jogos como Samurai Warriors 4-II e Warriors Orochi 4 Ultimate mostraram a força da quantidade, mas Samurai Warriors 5 mostra a destreza da qualidade.

Prós: Contras:
  • Novo estilo visual apelativo que encaixa bem nestes eletrizantes samurais
  • Maior foco na narrativa emula os esforços feitos nas colaborações
  • Gameplay fica mais dinâmico com diversos refinamentos
  • Banda sonora mistura rock e orquestra com belo efeito
  • Repetir missões no modo Citadela para ganhar recursos poderá cansar
  • O elenco reduzido poderá significar que um personagem favorito ficou de fora
  • Escala reduzida na narrativa para permitir aprofundar eventos específicos

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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