Loki é um dos momentos mais emblemáticos da Marvel Studios

Seja para o presente como para o futuro.

A série Loki da Marvel Studios, disponível no Disney+, é certamente um dos melhores momentos da companhia, seja no cinema ou na TV, algo para o qual o final da primeira temporada contribui imenso. A Marvel Studios confirmou oficialmente que receberá uma segunda temporada e é fácil perceber o porquê, esta série tornou-se num momento fascinante na adaptação deste universo das páginas das bandas desenhadas para os pequeno e grande ecrãs. O final está a gerar discussões entre as comunidades e despoletou teorias sobre o que poderá acontecer devido aos eventos aqui apresentados, algo totalmente compreensível pois decorrem aqui eventos com implicações para todo o universo cinematográfico da Marvel. O final foi apresentado a 14 de Julho e por isso penso que já passou tempo suficiente para falar dele e ouvir as tuas opiniões, mas ainda assim fica o aviso que este artigo contém spoilers para Loki.

"Por Todo o Tempo. Sempre." é o nome do sexto e último episódio da primeira temporada, no qual Loki (Tom Hiddleston) e Sylvie (Sophia Di Martino) conseguem finalmente chegar ao seu destino e ficar perante a figura que controla verdadeiramente tudo e as surpresas são mais do que muitas. Ao invés de apostar num final de temporada repleto de ação e acrobacias, o criador Michael Waldron decidiu que seriam as palavras a transportar o verdadeiro impacto, tão forte que o seu eco se fará sentir em todo o Marvel Cinematic Universe. A realizadora Kate Herron já nos tinha encantado com a forma como capta o desejo de explorar e expressar as diversas camadas do Deus da Mentira através das suas diversas Variantes e a ameaça de desparecer para sempre desperta novas facetas desta personagem. Loki foi um unidimensional vilão até há bem pouco tempo, até que a Marvel Comics decidiu transformá-lo numa espécie de anti-herói com diversas camadas. No entanto, a busca pela origem da Autoridade de Variação Temporal (organização que o captura e declara que deve ser removido de toda a existência), termina com Loki a abrir uma cortina que jamais poderá ser fechada. Com isto, temos a companhia a dar mais um passo para alcançar um novo patamar de liberdade criativa.

Numa altura em que a introdução do Quarteto Fantástico está envolta em grande mistério, sem falar nos mutantes e X-Men, a Marvel Studios parece ter escolhido Loki para fazer o que muitos pensavam ser responsabilidade de WandaVision. Através do final de Loki, a Marvel Studios explica o porquê de subitamente parecer que muitos dos seus futuros filmes vão abordar temáticas como viagens temporais e interdimensionais, com o potencial para introduzir novos personagens, raças e até locais inteiros. No caso dos X-Men, as coisas até poderiam ser resolvidas de uma forma nada empolgante como "Krakoa permaneceu escondida durante décadas, após Magneto e Xavier terem removido todas as provas da sua existência, mas isso seria uma batota.

A Marvel Studios parece saber como empolgar e te deixar sempre à espera de mais e por isso promete fazer as coisas como deve ser. O entusiasmo em torno do final de Loki é ainda maior pois mostra Jonathan Majors a ser introduzido de forma sensacional neste universo, no papel de He Who Remains. Ele próprio uma variante, neste caso de Kang "O Conquistador", que estará presente no filme Ant-Man 3 como o vilão e um dos mais conhecidos antagonistas dos Vingadores. Isto mostra até que ponto a Marvel estava disposta a ir quando abordou as temáticas de viagens no tempo em Endgame. É mesmo caso para dizer que o seu "endgame" ia muito mais além desse filme e o plano está traçado há anos. Diria mais, senti que o arranque de Loki é um pouco lento pois faz imenso esforço para te fazer sentir o peso dos debates filosóficos em torno do conceito das variantes, para no fim te surpreender com Majors e as implicações do seu personagem enquanto variante. Tudo muito subtil, mas agora é fácil perceber o porquê do foco nas perseguições às variantes e como elas são usadas para avançar Loki enquanto personagem.

É glorioso e empolgante ser uma fã das BDs da Marvel Comics atualmente, especialmente para quem sempre sonhou ver estas personagens no cinema ou televisão. A forma como Majors é apresentado, o suspense em torno do momento, é muito importante, mas é a sua performance, as suas palavras, a forma como as diz, como parece sem esforço roubar as cenas em que surge, que realmente tornam este episódio maravilhoso. Como se fosse uma espécie de peça de teatro e não propriamente uma série, a Marvel Studios podia despir o cenário do CG e deixar apenas Majors a falar com os dois Loki que a cena manteria o seu impacto, importância e fascínio. A forma como explica que "é preferível um mal que conheces do que um desconhecido", o seu indagar pela pertinência de ver os cinzentos entre o preto e branco da vida, especialmente porque tenta de forma irreverente mostrar que os bons nem sempre têm razão, por muito que assistir à sua cruzada te possa deixar que nem há outra forma de pensar.

É este brincar com a tua interpretação dos eventos, o quebrar do convencional, que torna Majors tão magnético, mas é o seu personagem e as implicações para o futuro que estão a deslumbrar as comunidades. A sua existência e o confirmar que criou a AVT para impedir que uma nova guerra interdimensional de variantes aconteça, termina com o caos na linha temporal e infinitas ramificações que basicamente permitem à Marvel Studios fazer o que quiser. No entanto, com o meu entusiasmo em falar deste episódio e do futuro adiantei-me e permite-me agora recuar um pouco, para falar do que foi feito antes deste episódio pois se o final é glorioso e muito superior a qualquer teoria que surgia semanalmente (apesar de ser previsível surgir Kang quando lidamos com uma série cuja temática principal gira em torno de viagens do tempo), a jornada até lá está marcada por diálogos fantásticos, atores de grande gabarito e emoções inesperadas (como toda a carga digna de um debate moral em torno da possibilidade de te apaixonares por uma variante de ti mesmo, que exibe todas as forças que gostarias de ter).

Se Hiddleston e Di Martino deslumbram na forma como atuam nas suas cenas, carregando a série durante a maioria do seu tempo e quase te fazendo esquecer que existe um mar de CG fantástico a demonstrar o quão boa é a tua TV, existem outros nomes que elevam a qualidade de Loki. Gugu Mbatha-Raw como Ravonna Renslayer, Richard E. Grant como Loki Clássico e Owen Wilson como Mobius são escolhas fáceis para destacar. Atores de grande talento que, cada um à sua maneira, conferem mais carisma e qualidade às suas cenas. Diria até que Wilson rouba muitas cenas a Hiddleston. Di Martino também é uma atriz que faz imenso para te conquistar e desde o momento em que aparece (uma das maiores surpresas no início da série) até à sua última cena, senti que foi sempre a personagem mais forte quando estava presente, mesmo quando o Loki principal era o seu parceiro.

Para os fãs das bandas desenhadas da Marvel Comics resta ainda dizer que Loki também funciona como um empolgante jogo da descoberta de referências a eventos vistos em histórias clássicas, uma vez que te deixará submerso num oceano de easter eggs. Seja através de adereços nos cenários, personagens ou falas, a equipa responsável por Loki foi até lugares verdadeiramente fascinantes para posicionar a série como uma peça importantíssima na cronologia da Marvel Studios, especialmente consoante nos preparamos para o empolgante e misterioso futuro. Um dos exemplos disso e o meu favorito é Throg, criado em 2009 e que recentemente esteve em grande estilo na mais recente série de Thor, escrita pelo astro Donny Cates. Muitos dos diálogos e cenas estão repletas de referências às BD e é impossível não ficar com um sorriso à procura desses momentos.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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