A Plague Tale: Innocence ganha ainda mais brilho na PS5 e Xbox Series

Resolução superior e 60fps ajudam a refinar a experiência.

A francesa Asobo Studio caiu nas boas graças do mundo e ficou célebre após lançar A Plague Tale: Innocence, um jogo para um jogador de ação e aventura, que mistura ainda ação furtiva com elementos de sobrevivência. Em Maio de 2019, quando foi lançado originalmente, A Plague Tale: Innocence conquistou imensos elogios, tal a intensidade deste drama medieval sobre dois irmãos que de forma muito cruel vão descobrir o preço da inocência. O foco na narrativa, a qualidade da mesma, os personagens, os visuais, a banda sonora e ainda as mecânicas fazem com que A Plague Tale ostente imensa qualidade e figure como algo distinto.

Passados dois anos, ainda relembro a apresentação à porta fechada na E3 2018 e como a equipa demonstrava a intenção de desenvolver um jogo diferente. Apesar de ter permanecido na minha lista de jogos a jogar, os meses foram passando e a oportunidade ia sempre escapando. No entanto, com a chegada da atualização para a PlayStation 5 e Xbox Series, decidi que estava mais do que na hora e se por um lado lamento não ter jogado A Plague Tale: Innocence muito mais cedo, pelo outro agradeço apenas o ter feito nas mais recentes consolas para desfrutar de uma experiência ainda mais refinada.

Quanto a Asobo Studio anunciou A Plague Tale: Requiem, a sequela, revelou que apenas seria lançada para PS5, Xbox Series, PC e Nintendo Switch (Cloud Version) e por isso faz sentido que tenha desejado lançar uma versão do original para esta consolas, onde ainda não estava presente. Ao fazê-lo, criou diversas melhorias e refinamentos, que espalham imenso brilho pela experiência e a tornam muito apelativa para jogadores que a poderão ter deixado escapar, tal como me aconteceu a mim.

A Plague Tale: Innocence conta-te a história de Amicia de Rune e o seu irmão Hugo, que vão viver dramas através de eventos assentes na realidade histórica, mas com um toque de fantasia para apimentar a narrativa. Quando soldados franceses da Inquisição surgem para capturar o seu irmão, doente desde a nascença, Amicia terá de fugir para tentar ajudar o irmão a encontrar uma cura, algo que a sua mãe alquimista tentava com a ajuda de um médico. Esse será o ponto de partida para a jornada, mas ao passar pelos diversos locais, os burgueses de Rune vão descobrir o quão inocentes são e como conhecem muito mal este mundo assolado pela praga.

Desde a fuga de casa à passagem por uma aldeia assolada pela praga e ansiosa por culpar alguém pelos familiares mortos, os irmãos de Rune vão aos poucos conquistando o jogador e quanto mais avanças ao longo dos 16 capítulos do jogo, mais começas a sentir que algo de misterioso reside em Hugo, que desde bem cedo se torna no foco da trama, apesar de jogares com Amicia. Tal como o nosso Vítor Alexandre escreveu na sua análise, este é um jogo que foi merecidamente aclamado no seu lançamento e ainda hoje é surpreendente. Passaram dois anos, mas podia mesmo ter sido lançado hoje e continuaria cativante.

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Foto capturada por mim no modo Foto do jogo

Relembrando também o que nos disse o Digital Foundry sobre as versões lançadas em 2019, este é um jogo indie com uma qualidade quase AAA e os visuais certamente esforçam-se para esborratar essa definição. Desde as cutscenes, feitas com o motor, os cenários que deslumbram ou inquietam, dependendo do momento em que te encontras, a banda sonora e uso dos efeitos sonoros e o trabalho dos atores, A Plague Tale: Innocence consegue momentos exuberantes que provavelmente esperarias somente de um estúdio interno e não de um independente.

Além disto, temos de ter em conta as mecânicas relacionadas com esta era medieval assolada pela peste negra e a presença de uma quantidade inacreditável de ratos que parecem demonstrar inteligência muito além do que seria de esperar, sem esquecer uma violência e brutalidade horríveis. Amicia não usa armas e na verdade de nada servem. Terás de contar com a sua fisga e pedras para avançar e até o mais básico dos confrontos se torna numa espécie de puzzle no qual tens de descobrir qual a melhor ação a tomar. Apenas o fogo trava os ratos e os soldados da Inquisição sabem disso, o que te forçará constantemente a procurar soluções. Mesmo que a estrutura linear não deixe muita margem para erro, a atmosfera permite uma grande imersão e o design do jogo consegue um resultado muito satisfatório.

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Foto capturada por mim no modo Foto do jogo

Ao longo da jornada, Amicia e Hugo encontram aliados e com a ajuda da alquimia a protagonista descobre como criar novas formas de usar os ratos a seu favor ou de os afastar, afinal de contas existem 2 inimigos distintos, os ratos e os soldado da Inquisição. Com momentos de grande imersão e maravilhosos visuais, A Plague Tale: Innocence cativa e enquanto não o terminei não sosseguei. Sempre à procura das pistas visuais num design visual que não pretende complicar, mas sim criar fluidez de movimento, usava as pedras para distrair guardas, apagava ou acendia pontos de fogo para afastar ratos ou permitir que atacassem soldados quando assim necessário, A Plague Tale: Innocence consegue até usar as ferramentas gameplay para momentos desconfortáveis e de efeito prático e dinâmico no desenvolvimento dos personagens.

Jogar A Plague Tale: Innocence a 60fps e com 4K como alvo ajudou imenso na imersão e tornou o gameplay altamente fluído. Tive um contacto mínimo com a versão original (através da Xbox One X) e não tenho uma ideia capaz de traçar uma boa comparação, mas ao jogar a versão PS5 (que está disponível como oferta PS Plus), fiquei rendido à fluidez dos movimentos. Existem alguns ocasionais problemas de animação e um momento irritante perto do final do jogo, mas nem as boss fights foram problema graças à suavidade das animações e movimentos. O uso do DualSense e do Pulse 3D ajudam a sentir ainda mais o gameplay e isso revela bem o esforço feito pela Asobo para tornar a versão PS5 mais imersiva.

A Plague Tale: Innocence conquistou-me. É o tipo de jogo que adoro e após 2 anos na lista de jogos a jogar, finalmente consegui jogá-lo e estas versões de atual geração permitiram à Asobo glorificar um jogo que já tinha merecidos imensos justos elogios. Se estás à procura de um jogo para um jogador, focado na narrativa, com visuais capazes de deslumbrar, com personagens e história apelativa, não procures mais. As mecânicas e o contexto furtivo, juntamente com o ligeiro elemento de sobrevivência, permitem que A Plague Tale: Innocence permaneça um jogo de grande qualidade e sem igual.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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