Olympic Games Tokyo 2020 - Review - Chama arcade

A súmula de um grande evento desportivo.

Parco em modos de jogo e aquém do esperado em mini-jogos, enquadra-se nos moldes arcade mas não contempla grande longevidade.

No final de 2019 jogámos Mario & Sonic at the Olympic Games 2020, quase um mês antes de cair nas bocas do mundo esse maldito vírus SARS. Em 2020 a pandemia acabou com grande parte dos eventos desportivos e os jogos olímpicos foram adiados para 2021. Estamos a quase duas semanas do começo de um evento que se perspectivou imenso, pleno de surpresas, como habitualmente acontece quando o Japão é chamado a organizar alguma prova. Não será nem metade do que os japoneses pretendiam alcançar, mas talvez possamos vislumbrar alguma magnitude da impressão de uns olímpicos organizados pelo país do sol nascente.

É curioso, no entanto, encontrarmo-nos a jogar em pleno 2021 um jogo em cujo título se lê 2020. Pode soar a erro mas é bem verdade que há marcas e registos efectuados que dificilmente podem ser apagados como quem passa uma borracha. A marca dos olímpicos é Tokyo 2020 e assim permanece neste desafio de pendor arcade produzido pela Sega, lançado em 2019 em exclusivo no Japão e reservado para o ocidente no ano a seguir. Se Mario & Sonic acendeu a chama olímpica, é este jogo que manterá a chama acesa até se extinguir com a cerimónia de encerramento, que haverá de ligar Tóquio a Paris, para um retorno ao continente europeu, nos jogos de 2024.

O jogo oficial do evento toma as rédeas do maior evento desportivo, transportando algumas das mais emblemáticas modalidades, vestindo-se a preceito. É um jogo arcade, simples e imediato na forma como possibilita uma adaptação instantânea, sem grandes complexidades ou preocupações de simulação. No entanto, por comparação com a derradeira edição de Mario & Sonic, parece estar uns graus abaixo em modos de jogo, em quantidade de modalidades e naturalmente sem os protagonistas e seus companheiros habituais, que no momento da selecção ainda provocam alguma diferença.

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Lotação esgotada no estádio olímpico.

18 modalidades à escolha

Os Jogos Olímpicos são constituídos por imensas modalidades, com centenas de medalhas para serem entregues aos atletas mais estóicos, sempre com o contador das nações mais ganhadoras a servir de bússola. São algumas semanas pródigas em eventos televisivos, como futebol, natação, halterofilismo, ginástica, judo, vólei de praia, vela, tiro ao prato. É muito longa a lista dos desportos congregados. Não se pode esperar que todas as modalidades olímpicas integrem um videojogo. Ainda não foi editado algum jogo com tão vasto conteúdo, nem se perspectiva que o seja. Seria um grande desperdício de recursos.

A Sega apostou por isso em reduzir os olímpicos na versão consola a quase duas dezenas de modalidades, de essenciais se assim se pode chamar. Há diversidade, todas são reconhecidas por quem tenha acompanhado a espaços o grande evento desportivo, in loco ou na tv, e não falta a competição pelas medalhas. Nisto ficam de fora alguns eventos como o salto à vara ou a dupla légua, mas do atletismo podemos contar com os clássicos 100 metros, os 110 metros barreiras, os 100 metros livres de natação, basebol, basquetebol, lançamento do martelo, ténis de mesa, futebol, ténis, salto em comprimento, vólei de praia, rugby, boxing, BMX, 400 metros estafeta, judo e escalada.

Talvez não seja a melhor e mais ampla selecção, mas é uma selecção razoável e satisfatória, a partir da qual começamos por lutar pelas medalhas depois de criado o nosso avatar. No entanto, há que dizer que se trata de um conjunto de modalidades inferior ao apresentado no último Mario & Sonic, o que pode desapontar em face da natureza do jogo como produto oficial. Atendendo à facilidade com que aprendemos a participar em cada uma das modalidades, não leva muito tempo até percorrermos a globalidade dos eventos desportivos. É realmente um acervo de modalidades que peca por defeito e nem sequer existem grandes alternativas ou modos complementares para os jogar.

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Ganhar a medalha de ouro é como chegar à lua.

A competição pelas medalhas

As mecânicas de cada jogo são relativamente simples e fáceis de apreender. Antes de começarmos a jogar há um conjunto de regras descritas em 3 ou 4 passos, para começar a jogar. O futebol por exemplo, há um botão para passar, outro para cruzar e outro para rematar, quando com bola. Sem bola é possível desarmar o defesa carregando no adversário ou fazendo pressão. É justo referir que no essencial as mecânicas e a física de jogo estão bem implementadas, mas temos sempre que contar com uma experiência que raramente toca o nível da simulação ou do realismo. Para chegarmos às medalhas, passando das eliminatórias até à final, é imperativo dominar os princípios de jogo. Se algumas modalidades são acessíveis, como o vólei, lançamento do martelo ou mesmo o futebol, já na natação o sincronismo dos movimentos é crucial. Esperava um pouco mais do ténis de mesa, visto que o tempo de reacção e toque na bola com a raqueta parece algo aleatório.

Claro que há modalidades melhor executadas que outras, ao ponto de podermos seleccionar um conjunto delas para uma competição a solo ou com mais jogadores por via online (até 4), ou com outra pessoa por rede lan. O problema maior que sinto neste e noutros jogos do mesmo género, é o não aproveitamento das modalidades em prol de uma competição do tipo campanha, de um evento que de alguma forma pudesse ser equiparado à globalidade dos jogos olímpicos. São jogos que valem por si, sem que estejam realmente ligados entre si. Pelas boas pontuações, passagem à final e medalhas são atribuídos pontos que podem depois ser substituídos por equipamentos alternativos e até espampanantes, como o fato de astronauta envergado por um atleta que desliza os 100 metros sobre uma chama de fogo. Isso é giro mas está longe de aprofundar a experiência.

Sem grandes modos de jogo, não se pode dizer que estes olímpicos virtuais possam primar pela profundidade. Enquanto experiência arcade, valida os pressupostos do imediatismo e facilidade com que percorremos diferentes desportos, vivendo muito mais desses momentos em cada modalidade, sem que haja um ponto que possa agregar e consolidar as diversas modalidades. Uma vez percorridos todos os mini-jogos não são muitos os atractivos e nem mesmo a experiência multiplayer produz alterações a esta espécie de faz tu mesmo os teus olímpicos.

Prós: Contras:
  • Modalidades acessíveis
  • Equipamentos alegóricos
  • Mecânicas ajustadas aos diferentes desafios
  • Fácil começar a jogar
  • Duração limitada
  • Modalidades em número aquém do esperado
  • Escassos modos de jogo

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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Simulação incrivelmente aprofundada e divertida.

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