Joguei Tales of Arise e tornou-se num dos jogos que mais aguardo

A Bandai Namco revitalizou a série.

Para um fã de JRPGs que não se restringe somente aos nomes mais comerciais e mainstream, a série "Tales of" da Bandai Namco é simplesmente incontornável, mesmo que o seu legado e identidade tenha significado digerir alguns elementos menos positivos para desfrutar do melhor que tem. Felizmente, a sensação que tive ao jogar a demo de Tales of Arise é que a Bandai Namco encontrou finalmente uma forma de injetar dinamismo na série, sem prescindir da sua identidade. Isto deixou-me com confiança para sentir ainda mais entusiasmo pelo jogo, ao ponto de se ter tornado num dos jogos que mais aguardo para o resto de 2021. É um jogo que dinamiza de forma empolgante as bases da série e se desvia dos clichés (lolitas, por exemplo) aos quais parecia aprisionada.

Tales of Arise marca o regresso da série após 5 anos de pausa e é apenas o 2º jogo apresentado após a saída de Hideo Baba, que durante vários anos liderou a série e apresentou diversos jogos com imensos elementos comuns. Poderá não estar relacionado, mas após alguma estagnação e decréscimo de popularidade, a série começou a navegar por novas marés e a mostrar sinais de mudança, mas se Berseria já mostrou o que nova liderança poderia representar para a série da Bandai Namco, parece que somente agora com Arise teremos um pleno vislumbre de uma nova era e confesso que é eletrizante imaginar o futuro.

Em desenvolvimento desde 2018, Arise é um título desenvolvido por uma equipa liderada por Yusuke Tomizawa, originário da equipa responsável por Code Vein e God Eater, que enfrentou o projeto com a especial missão de refrescar a imagem de "Tales of". Seja na narrativa, temáticas, design de personagens, sistema de combate e até grafismo, a equipa pensou em como poderia reavaliar a fórmula da série e acima de tudo elevá-la. Para alcançar este objetivo, a equipa de desenvolvido foi equilibrada com veteranos da série e sangue fresco, o que lhe permitiu procurar um equilíbrio entre a identidade da série, mas introduzir imensas perspetivas novas e até identificar o que precisava sair para realmente elevar a experiência.

Sim, eu sei que com este entusiasmo até parece que joguei o jogo todo, mas enquanto consumidor ávido de JRPGs e adepto de Tales, esta demo com cerca de 30 minutos foi o suficiente para me deixar ansioso por mais. Isto deve-se especialmente a 3 fatores: a qualidade visual, o design e personalidade dos personagens e o sistema de combate, ai o sistema de combate. Vamos lá por partes.

Para elevar a qualidade da série e iniciar uma nova era, a equipa decidiu de imediato que iria descartar o motor de jogo. Provavelmente já estavam fartos das piadas que os jogos Tales pareciam jogos PS2. O Unreal Engine 4 foi a escolha desta nova equipa devido às suas cartas dadas e fácil adaptação, dizem os entendidos pois eu não percebo nada disso, essas coisas de programação. Isto significa que Tales of Arise é um jogo de qualidade visual repleta de bons momentos, muitos deles impressionantes, com personagens que parecem verdadeiramente saídas de uma anime e com cenários que mantêm o design de anteriores jogos, mas mais amplos e visualmente bonitos, especialmente nos seus detalhes. A componente visual certamente tornará Arise mais apelativo para as audiências mainstream e ajuda imenso na imersão neste mundo de fantasia.

Se os visuais alcançados com o UE4 são parte desta nova identidade de Tales, também o design visual e da personalidade das personagens o é, pois mostra que a aposta num maior apelo às audiências ocidentais significa um afastamento dos clichés frequentemente ridículos que pareciam satisfazer a base japonesa de fãs. As jovens mulheres exageradamente sexualizadas, algumas delas crianças, protagonistas femininas que cumpriam com os requisitos de indefesas e extremamente doces de personalidade banal, por exemplo, foram colocadas de lado e dão lugar a mulheres de personalidade forte, vincada e capazes de conquistar. Shionne é um dos melhores exemplos disso, uma mulher firme e decidida, totalmente o oposto das anteriores protagonistas, com a exceção de Velvet Crowe que já mostrava sinais que a Bandai Namco queria mudar esse lado da série.

Os seus diálogos com Alphen, o outro protagonista, evidenciam bem como a equipa procura uma nova direção, suportada ainda pelo tom mais sombrio do mundo. Shionne é uma protagonista com potencial para ficar na memória e estou ansioso para descobrir mais deste choque entre dois mundos. Especialmente porque o restante elenco, composto por Rinwell, Law, Kisara e Dohalim parece muito carismático. A personalidade e design dos personagens parece altamente consistente.

Resta então falar do sistema de combates, provavelmente o melhor elemento da minha curta experiência com Tales of Arise e penso que não estou a exagerar quando escrevo que vi aqui o potencial para se tornar num dos melhores sistemas da série e até dos JRPGs de ação. Tal como tudo em Arise, é construído com o intuitivo de dinamizar a série e eletrizar a sua identidade para o futuro, mas sem prescindir totalmente do legado. A base é o Linear Motion Battle System, mas a liberdade dos movimentos, o dinamismo do dodge e combos torna-o incrivelmente divertido.

Escolhi jogar com Alphen e a minha equipa de 4 contava com Shionne, Rinwell e Law, mas podia a qualquer momento colocar Kisara e Dohalim nos combates, se assim o quisesse. Os personagens movem-se com grande agilidade e toda a experiência é frenética, chegando quase a parecer um fighting game em alguns momentos. Atacas e sempre que o fazes ganhas um ponto da barra de especiais e sempre que quiseres podes alternar entre os 3 movimentos especiais e criar imensos combos. Um especial no ar representa um movimento diferente e podes experimentar imensas combinações diferentes. Consoante o tempo passa ou atacas, uma barra de habilidade suprema vai enchendo e podes encadear 4 destes ataques supremos para um combo devastador. Além disso, poderás executar uma habilidade suprema cooperativa com dois personagens, mais uma ramificação dos especiais e de grande espetacularidade visual.

A liberdade e velocidade dos movimentos é refrescante e eletrizante, não apenas no movimento do personagem que controlas dentro do campo de batalha. A inteligência artificial mostrou sinais de alta competência, curando quando precisas, por exemplo, o estilo de combate é variado e executar diferentes golpes como se fosse um jogo de luta deixou-me com um sorriso na face e ansioso por mais. É divertido o combate em Tales of Arise, muito mais do que em qualquer outro Tales.

Dito isto, resta-me dizer apenas que Tales of Arise poderá realmente ser o que os fãs ocidentais tanto desejam e o que a Bandai Namco procurava há tantos anos. Um ponto de viragem repleto de energia que dinamizará a imagem da série, com imensas novidades e com um sistema de combate com o potencial para se tornar espetacular. Foram apenas 30 minutos, mas passaram a voar e fiquei ansioso por mais.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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