Virtua Fighter 5: Ultimate Shodown - review - Glória à SEGA

Clássico regressa com diversas melhorias.

Parece inacreditável, mas a SEGA acordou a sua icónica série com Virtua Fighter 5: Ultimate Shodown. Foi em Julho de 2006 que Virtua Fighter 5 foi lançado para as arcadas japonesas e um ano mais tarde chegou às consolas, primeiro na PS3 e meses mais tarde à Xbox 360. Ao longo dos anos seguintes, recebeu revisões e atualizações tanto nas arcadas como nas consolas, onde a última versão foi Final Showdown em Julho de 2012. Isto até agora, até à chegada de Ultimate Showdown, acabada de lançar e posicionada pela SEGA como a derradeira edição deste sensacional jogo numa série que tem direito a um lugar muito especial no meu coração. Qualquer criança ou adolescente que cresceu com as consolas da SEGA delirou com a série Virtua Fighter ao longo dos anos e passar mais de 8 anos sem novidades foi absolutamente duro.

Eis que chegamos a Junho de 2021 e meses depois do anúncio de Virtua Fighter esports, o nome oficial desta versão no Japão, temos a SEGA a ressuscitar Virtua Fighter de uma forma que poderá surpreender alguns. A companhia não apresentou Virtua Fighter 6, mas sim uma versão suprema de Virtua Fighter 5, construída sobre Final Showdown, refeita para a anterior geração de consolas. Basta pensar que a série passou ao lado de praticamente toda uma geração e chega quando a PS4 está na sua reta final de vida para termos uma ideia do tipo de problemas que a SEGA provavelmente enfrentou para tentar decidir o que fazer com Virtua Fighter. Numa era em que diversas séries tiveram dificuldades em encontrar um equilíbrio entre atualização e identidade, a SEGA decidiu que o primeiro passo para ressuscitar Virtua Fighter é um jogo focado na vertente online competitiva, como evidencia o título usado no Japão.

Apesar de baseado em VF5, este Ultimate Showdown está desprovido de modos para um jogador como Quest e nem sequer apresenta alternativas offline como Team Battle ou Time Attack Battle. O foco vai mesmo todo para as partidas contra outros jogadores, especialmente online. Se estiveres interessado em jogar offline, tens o Arcade Mode (a SEGA não prescindiu desta opção que pode ser considerada básica, mas que fez a Capcom tropeçar no lançamento de Street Fighter 5), onde combates contra 7 adversários e no final Dural surge como luta extra. Tens ainda o modo Tutorial, Treino e um Offline Versus para enfrentar localmente amigos. Se cresceste com outros adeptos de Virtua Fighter, isto é obrigatório, apesar de não ser possível efetuar Versus Online com amigos.

Munido de um "delay based netcode" que precisa de melhorias, mas que na sua esmagadora maioria tem cumprido (algumas partidas são incrivelmente suaves e parecem partidas locais, enquanto outras são afligidas por horríveis soluços), Virtua Fighter 5: Ultimate Shodown é um produto muito específico, especialmente dedicado aos maiores fãs da série, mas que graças à parceria com a Sony Interactive Entertainment, está a tentar alcançar novos jogadores com a estreia direta nos serviços PlayStation Plus e PS Now. Parece inacreditável, mas temos um Virtua Fighter a estrear "gratuitamente" em serviços. Este é um jogo que custa 29 euros para quem o quiser comprar (uma versão que inclui o Legendary Pack de 9.99 euros, com skins de VF1 e mais de 2 mil itens de personalização), o que por si só revela a natureza humilde deste projeto.

Esta parece ser uma tentativa da SEGA medir o pulso ao interesse por Virtua Fighter sem investir imensos recursos no desenvolvimento, enquanto procura perceber como transitar a série para uma posição que lhe permita encarar o futuro onde os torneios online são cada vez mais populares. Virtua Fighter 5: Ultimate Shodown é um jogo muito específico, uma glória à SEGA e uma eletrizante experiência que te recordará facilmente como a companhia japonesa ainda consegue servir deliciosos pratos com um aroma tão caracteristicamente nipónico. Quando vi um jogo focado na vertente online competitiva, temi que não fosse para mim, mas a verdade é que o trabalho da SEGA merece muitos elogios, por muito que as suas bases num jogo de 2006 se façam sentir.

Desenvolvido em parceria pela AM2 e Ryu Ga Gotoku Studio, Virtua Fighter 5: Ultimate Shodown é uma versão refeita do jogo onde foi usado o Dragon Engine para injetar uma quantidade incrivelmente superior de detalhe nos personagens, melhorar a resolução sem prejudicar a necessidade de uma performance perfeita a 60fps e ainda tornar os cenários muito mais bonitos em 2021. Apesar da resolução deixar um pouco a desejar para quem o vai jogar na PS5, é um jogo PS4 que podes jogar na nova consola da Sony, a verdade é que VF5 ainda ostenta aquele estilo visual tão característico da SEGA, rebelde com espírito arcada e acompanhado pelas guitarras elétricas irresistíveis que nos fazem perceber de imediato que isto é um título completamente japonês e que tão prazerosamente conquista o mundo.

As melhorias e atualizações nos visuais permitem a Virtua Fighter 5: Ultimate Shodown manter um aspeto atual, apesar de alguns elementos mais básicos dos cenários, mas os personagens ainda conseguem surpreender com os detalhes e movimentos. Se te imaginas a apostar num VF focado em modos Ranked Match Online ou partidas mais casuais com jogadores aleatórios na internet, podes render-te a este Ultimate Shodown pois aquele gameplay quase matemático está de volta como uma gloriosa carta de amor à SEGA.

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O motor da série Yakuza e Judgment foi usado para uma versão definitiva do clássico Virtua Fighter 5.

Fácil de aprender e muito difícil de dominar, Virtua Fighter sempre foi uma experiência arcade e de sabor fresco, capaz de divertir de imediato ao pegar em personagens como Sarah ou Jacky, enquanto Jeffry e Wolf satisfazem os que procuram opções mais brutais e devastadoras. No entanto, dominar e conquistar Virtua Fighter sempre foi como domar um animal selvagem, o que significa que somente os mais dedicados poderão dominar personagens como Akira. Isto porque Virtua Fighter apresenta uma camada por baixo da superfície, um magnífico convite a aprender muito mais golpes de cada personagem, convida-te a dominar os ritmos, a descobrir quais as melhores ações em cada momento, os tempos de cada movimento, a interpretar esta matemática de gestos, pois esta é uma experiência onde até um passo a mais na direção errada poderá prejudicar.

Os combates de Virtua Fighter podem ser brutais, mas o melhor de tudo é que são sempre muito divertidos, sempre com aquele estilo arcada tão SEGA, frenéticos e apesar de toda uma simplicidade, ostenta nuances que vais desejar dominar. Isto pode ser dito de diversos outros jogos de luta, mas diria que Virtua Fighter consegue surpreender e diferenciar-se pela forma como se foca tanto nos timings. Apesar de arcada, existem regras e apesar dos movimentos acrobáticos existe uma certa sensação de realismo a respeitar. É mesmo algo muito próprio e que facilmente se torna um vício. É precisamente isso que este Ultimate Shodown veio fazer, relembrar-me numa plataforma atual o vício que é Virtua Fighter. Não é de forma alguma um jogo perfeito e não é a versão definitiva como a SEGA sugere, mas mostra como este velho clássico poderá surpreender uma audiência moderna.

Prós: Contras:
  • O Dragon Engine de Yakuza permite personagens altamente detalhados e impressionantes
  • O gameplay de Virtua Fighter já tem décadas, mas ainda é capaz de conquistar novas audiências
  • A banda sonora está repleta de temas sensacionais
  • Modo Tutorial e Treino competentes para ajudar novatos e até veteranos
  • Apesar do foco nos esports, inclui Modo Arcade ao estilo dos clássicos
  • Não existe aproveitamento da PS5 e um reforço na resolução ajudaria imenso
  • Poucos conteúdos para quem prefere jogar a solo offline
  • Não existe modo Versus Online

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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