Assassin's Creed: Valhalla: Wrath of the Druids - review - Terreno familiar

Eivor descobre novas faces num tom demasiado familiar.

Enredo e personagens interessantes, tal como as duas novas atividades no ciclo gameplay, numa experiência e locais demasiado familiares.

Assassin's Creed: Valhalla foi uma das mais divertidas e interessantes experiências que joguei em 2020 e apesar de alguma falta de polimento geral, adorei o tempo que passei enquanto Eivor a deambular por terras capazes de gerar paisagens deslumbrantes. Independente do que se possa pensar ou sentir desta nova abordagem ao mais recente design da série, diria que é um dos 3 jogos mais importantes na série da Ubisoft. Através dos avanços na história da era moderna, as revelações sobre os Isu e a forma como a Ubisoft conseguiu criar harmonia entre todos estes puzzles de diversas camadas merece elogios. Valhalla é um jogo altamente importante para o lore da série e para o seu futuro. Acredito que tem lugar ao lado de AC2 (protagonista, estabelecer de um molde que seria seguido durante largos anos) e AC: Origins (reinvenção da série como Action RPG) como um dos mais importantes jogos da série.

A jornada de Eivor da Noruega até à Inglaterra está mergulhada em confrontos entre reis e apesar de sentir que provavelmente existem 2 ou 3 capítulos a mais enquanto tenta conquistar uma nova terra, a aventura de Eivor na ilha está repleta de bons momentos, boas personagens e uma fascinante linha narrativa relacionada com a guerra entre assassinos e templários. No entanto, muitos dos melhores momentos de Valhalla são passados fora de Inglaterra e quando soube que as expansões te levariam para a Irlanda e França, fiquei de imediato entusiasmado. Senti que o bom de Valhalla pesa muito mais do que o mau e que o novo foco numa maior liberdade de exploração e simplificação de algumas mecânicas de gestão permitem ao melhor do jogo realmente brilhar. Passear pelos locais do jogo é um prazer e é fácil ficar perdido no mundo criado pela Ubisoft (mesmo que os inúmeros imersion breakers teimem em tirar-te essa satisfação).

Uma vez que parte dos meus momentos favoritos de Valhalla decorrem fora de Inglaterra, fiquei intrigado com a possibilidade de viajarmos para uma nova ilha e desfrutar de uma nova narrativa, especialmente uma que parecia estar envolta em maiores contextos de fantasia, com druidas no meio da expectável trama política com toques de religião pelo meio. Viajar para a Irlanda em Wrath of the Druids acabou por se tornar num misto de sensações e não na empolgante viagem que esperava para Eivor, isto porque percorre um terreno demasiado próximo ao que viste nos capítulos da campanha que decorrem em Inglaterra, quando Eivor tem de lidar com diversos personagens para ajudar o seu clã a conquistar aliados.

Isto envolve conversar com reis e formar alianças para ajudar um familiar seu a tornar-se na figura máxima de uma parte da ilha, o que geralmente significa que Eivor é um mero moço de recados. Seja libertar prisioneiros, eliminar adversários ou executar ataques épicos a fortalezas, Eivor faz tudo para ajudar os seus e conseguir importantes aliados. Wrath of the Druids segue bem de perto o tom narrativo dos capítulos jogados em Inglaterra, ao ponto de parecer que estás perante um capítulo que podia muito bem ter sido apresentado nessa ilha. Eivor chega a Dublin a convite do rei e descobre que se trata de uma figura que lhe é altamente familiar, que obviamente está com problemas em afirmar-se como autoridade máxima. Eivor ajuda-o ao eliminar os opositores inevitavelmente tropeçará num enredo com mais personagens e camadas. Existe um rei capaz de unir toda a Irlanda e Eivor ajudará o rei de Dublin a alcançar uma aliança com ele, através de diversas missões pelas três zonas num mapa que representa menos de metade dessa ilha.

Apesar da narrativa começar demasiado familiar para o meu gosto, rapidamente a religião entra em cena e surgem os druidas para inserir um toque muito próprio, trazendo mistério e criando mais fascínio pelos eventos que vão desenrolando. A Ubisoft conseguiu criar personagens e uma narrativa que entretêm e foi um dos aspetos que mais me prendeu a Wrath of the Druids. Existem momentos muito interessantes e acontecimentos inesperados, especialmente algumas boss fights com os druidas, que criam momentos diferentes do que viste até agora, mesmo que sejam poucas. Numa experiência tão familiar, se estiveres distraído a ver gameplay sem saber o local que está a ser mostrado não conseguirás distinguir Irlanda de Inglaterra, o novo local é pouco diferenciável do original, são as narrativas relacionadas com os druidas, as suas zonas e as novas atividades que fazem a diferença.

Ainda antes de chegar à Irlanda, Eivor descobre uma mercadora que o convida a ajudar a subir o nível de Dublin através do comércio. Isto vai-te incentivar a libertar Tradeposts, locais habitados por bandidos que deves eliminar para depois procurar na área em redor a licença de forma a tornares-te dono do posto de comércio e consoante as melhorias feitas em cada um, mais itens terás para comercializar. O ciclo desta nova atividade é resumido de forma simples: libertar o posto, encontrar a licença, voltar e adquirir o posto, usar matéria prima obtida nas Raids para construir novos espaços no posto, viajar até Dublin e abrir o baú na barraca da mercadora para adquirir os itens comercializados a um ritmo que depende das melhorias desbloqueadas em cada posto. Esses itens são então entregues à mercadora em troca de itens exclusivos (desde cosméticos para o barco a novas armaduras vindas de outros locais do mundo).

Inicialmente pensei que esta fosse mais uma atividade para prolongar artificialmente a longevidade, mas tendo em conta as recompensas e como forma um ciclo coeso de gameplay com as raids e até a narrativa ao servirem como pontos de viagem rápida, dei por mim a desviar-me cada vez mais das missões principais para desbloquear os postos. Desta forma, a narrativa principal que dura 10 horas para terminar permitiu ganhar mais algumas horas ao explorar mais locais e participar nestas novas atividades. Digo novas porque existe uma outra, na forma das Missões Reais e que são obrigatórias em 2 momentos da campanha principal, mas podem ser executadas à vontade para ganhar mais matéria-prima para os postos.

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Os druidas são mesmo uma das maiores novidades que marcam esta expansão e os responsáveis pelos melhores momentos.

Estas são missões opcionais que podes repetir e são obtidas em locais específicos espalhados pelo mapa. São missões que geralmente envolvem matar alguém ou roubar um item e existem parâmetros a respeitar para obter melhor pontuação e recompensas. Roubar um item sem matar ninguém, matar um determinado número de rufias sem ser visto, coisas assim para que te sintas mais desafiado. Além disto, tens ainda uma nova árvore de culto para explorar, relacionada com os druidas e intimamente ligada com a campanha, apesar de metade dela não ser necessária para terminar a expansão.

Apesar de altamente familiar, Wrath of the Druids enverga qualidade suficiente para se tornar interessante aos que gostaram de Valhalla e querem mais. Pena que relembre em demasia a campanha original com a sua temática de reis a formar alianças, mas os personagens são interessantes, os eventos apelativos e darás por ti a querer saber o que acontecerá em seguida. O conteúdo relacionado com os druidas é o melhor da expansão, sejam os locais controlados por eles, as boss fights ou o seu papel na narrativa, enquanto uma certa falta de polimento prejudica a imersão (a IA tem momentos horríveis nas batalhas de maior escala). Existem novas habilidades (adorei aquela onde invocas um cão que derruba os adversários), novos inimigos e novas mecânicas, pensadas especialmente para quem procura mais do mesmo, mas um mais do mesmo com qualidade.

Prós: Contras:
  • Nova história e personagens interessantes
  • Novas atividades que adicionam mais uma camada ao loop gameplay
  • Mais de 10 horas de nova história num novo local
  • A Irlanda não parece muito diferente de Inglaterra
  • Algumas boss fights continuam parvas
  • Problemas com a IA nas raids e glitches gráficos

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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