Outriders review - lootstorm

Ação frenética e repetitiva, mas agora com loot.

A ação frenética diverte, apesar do design linear e quebrado, má história e cutscenes. No entanto, o endgame precisa de mais incentivos.

Relativamente conhecida devido a jogos como Bulletstorm e Gears of War: Judgment, nos seus quase 17 anos de vida, a polaca People Can Fly apresenta agora Outriders, aquele que é apenas o seu terceiro projeto enquanto estúdio principal. Perante isto, não é de estranhar que Outriders ostente muitas das ideias explanadas em Judgment, uma espécie de interpretação arcada da fórmula Gears, com as habilidades e armas loucas de Bulletstorm, moldadas para a tendência atual, jogos com loot e vivos.

Outriders é a versão moderna dos jogos "dude bro" que tanto predominaram em anteriores gerações, mas agora com loot. É um jogo com uma sensação quase arcade no seu gameplay, que podes jogar de forma descomprometida e de cérebro quase desligado. A introdução do loot e níveis de equipamento que interferem com as habilidades e permitem diferentes estilos de jogo introduzem alguma profundidade, para quem se vai preocupar com builds e endgame. O design extremamente linear dos níveis, os exagerados loadings e terríveis cutscenes empurram o jogo para baixo, mas o seu gameplay é divertido e eficaz, conseguindo suportar toda a experiência nas suas costas. Outriders tem todos os condimentos de um desastre, mas a verdade é que funciona e até tem momentos muito divertidos.

Este é um daqueles jogos que confesso ter-me esforçado para gostar e fui recompensado na segunda metade do jogo, quando a qualidade gráfica é elevada pela maior variedade e qualidade dos cenários onde travas as constantes lutas. É também aqui que surgem as primeiras armas Lendárias, quando desbloqueias mais habilidades e começas a traçar as primeiras ideias para uma build específica e no que te queres focar. Outriders tem boas ideias, mas nenhuma delas original e a esmagadora maioria feita com melhor qualidade nos jogos que imita, o que torna o trabalho da People Can Fly em algo altamente curioso.

Gameplay frenético, num design aborrecido e sem grandes destaques

Outriders é uma experiência de oscilações, um jogo de ação na terceira pessoa que parece claramente inspirado pelo trabalho que a People Can Fly realizou nos vários projetos Gears of War, onde assistiu outros estúdios e até foi o principal em Judgment. É fácil perceber o porquê de ser tão instantâneo e fácil começar a jogar Outriders, parece uma espécie de Gears 6 que já sabemos controlar de olhos fechados, mas agora com loot e com inimigos ligeiramente diferentes. Isto significa que os movimentos do personagem e o uso das armas é familiar, é divertido e o principal responsável pelo encanto que poderás sentir com um jogo que corre o sério risco de figurar como extremamente banal.

Juntas a isto as habilidades para compensar a serra que os advogados provavelmente já não deixariam usar, com movimentos rápidos num design linear de skirmishes quase sucessivos e tens a receita para uma experiência de tom quase arcade. O tempo de espera pelas habilidades é mínimo para que estejas constantemente a usá-las, a árvore de habilidades ajuda a diferenciar cada classe (até dentro da mesma classe consegues grande diferenciação dependendo das habilidades e perks desbloqueados) e os inimigos fazem questão de te atacar para que a ação seja constante e frenética. O sistema de Graus do Mundo permite-te ajustar dinamicamente a teu gosto a dificuldade, para que ninguém fique de fora ou bloqueado numa parte do jogo, o que torna a experiência ainda mais acessível para qualquer tipo de jogador. Só perdes se quiseres e estás constantemente a seguir em frente, para que a sensação de gratificação não seja interrompida.

Perante a sensação de um jogo de ação frenética com controlos imediatos e familiares envoltos numa sensação quase arcade, seria de esperar que Outrides fosse uma vitória imediata, mas infelizmente não o é. O design é extremamente linear e o uso do Unreal Engine 4 não revela a mestria apresentada pela The Coalition nos mais recentes Gears, seja no design dos níveis ou na qualidade visual. Outriders é um jogo de design pobre, praticamente sempre em frente e com áreas de combate pensadas para que o inimigo te possa flanquear facilmente e intensificar a sensação de uma dificuldade artificial, enquanto as boss fights não ficam na memória de ninguém. Um jogo destes precisava de momentos visualmente marcantes e estonteantes, algo que não consegue, precisava de boas boss fights e não do que parecem ser cópias baratas do que já vimos na série Gears.

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O gameplay decorre em corredores e terás de passar por um loading ao viajar entre os diversos pontos do mapa, mas existem diversas atividades opcionais em cada local.

O loot e as atividades secundárias

O design de corredor com skirmisher uns atrás dos outros transforma a experiência num Gears com habilidades, mas onde Outriders tenta diferenciar-se do trabalho da The Coalition é com o loot e atividades secundárias. Existem diversas missões opcionais que te ajudam a ganhar mais XP e loot, o grande motivador para explorar mais dos diversos locais de Enoch. Este é o planeta onde chegas para ajudar a explorar, numa tentativa de ajudar a humanidade a sobreviver. A história não é particularmente interessante, apesar de melhorar na segunda metade, mas o mesmo não pode ser dito das embaraçosas cutscenes que mais parecem de um jogo de 2011, especialmente nas animações. História pouco interessante e fracas cutscenes à parte, as missões opcionais são mais skirmishes contra os mesmos inimigos para obter melhor loot.

A People Can Fly espera que te sintas investido o suficiente para explorar uma árvore de habilidades especifica em cada classe para criar um personagem focado no teu estilo de jogo, mas para aumentar o teu poder, precisarás de loot. Assumindo-se como um shlooter, Outriders pede-te para procurar mais loot e apesar da esmagadora maioria das armas serem desinteressantes, as habilidades são interessantes e tens um incentivo a procurar melhor equipamento. No entanto, é mais do mesmo e nem aqui tens grande variedade no gameplay. A funcionalidade Fast Travel é competente mas o design de níveis linear e sem momentos de especial destaque torna toda a experiência banal.

Foram poucas as missões secundárias que realizei pois a dificuldade, mesmo ajustável dinamicamente, sente-se de tal forma controlada que não existem incentivos a tentar explorar mais de Enoch. Não consegues ficar mais forte do que aquilo que a PCP pretende para esse determinado momento da campanha e senti até que jogar com outros jogadores poderá ser pior para a experiência, fica mais difícil e vês os inimigos a tirar-te muito mais dano e a absorver muitas mais balas antes de tombar.

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Outriders revela a sua falta de inspiração com menus que parecem saídos de Destiny sobre um gameplay que parece Gears com armaduras de Mass Effect. O fraco design das armas e armaduras apenas prejudica.

Mesmo ajustando o Grau do Mundo, a solo conseguia despachar inimigos 2 níveis acima do meu com facilidade, enquanto acompanhado, até os inimigos com o meu nível eram mais difíceis. Esta sensação de artificialidade na dificuldade derruba o propósito do sistema dinâmico introduzido com os Graus do Mundo, que no papel até parece ser uma boa ideia.

O endgame e os problemas frustrantes

Após a campanha que dura entre 18 a 20 horas e invariavelmente terminarás com nível 27 no teu personagem, poderás chegar a 30 se completares todas as missões secundárias, ficarás perante as Expedições, uma espécie de Strikes de Destiny onde terás de completar pequenos níveis o mais rapidamente possível. Existem 14 e representam os planos a longo prazo de Outriders, mas tendo em conta que é mais uma tentativa de tornar Outriders numa experiência o mais frenética possível onde tens de usar constantemente habilidades, trabalhar com outros 2 jogadores numa corrida contra o tempo com um estilo quase arcade, isto deixa algumas builds automaticamente de fora do endgame. Quanto mais rápida for a equipa, melhor o loot e isto força-te a criar uma build focada no DPS para cumprir o objetivo endgame. Se cometeres o erro de criar uma build ou escolher uma classe tanque, poderás ver a tua vida complicada no endgame, o que te força a iniciar o jogo com outra classe.

O endgame apenas realça a natureza oscilante de Outriders, um jogo com coisas boas, mas que infelizmente parece vítima da falta de experiência do estúdio, que terá agora meses para melhorar a experiência de jogo. Corredores a terminar de forma frenética e o mais rápido possível podem causar sorrisos iniciais, mas para escalar o grau endgame e chegar ao mais elevado, terás de passar muito tempo a repetir as mesmas Expedições até a rotatividade trazer mais uma mão cheia delas. Além disso, jogos como Gears 5 já nos apresentaram ideias como Escape, modo PvE altamente divertido e que simplesmente parece ir mais além do que aquilo que é aqui feito.

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Pensado para ser jogado de forma eletrizante, o endgame de Outriders não é propriamente algo entusiasmante o suficiente para convencer a permanecer muito tempo.

Outro exemplo da experiência inconstante e a precisar de acertos são os visuais. Existem poucos momentos espantosos, poucos locais ficam na memória, o design dos inimigos é banal, tal como o da esmagadora maioria das armaduras e armas, enquanto a experiência em si te estará constantemente a relembrar outros jogos. Seja Mass Effect pelo ambiente sci-fi ou Gears pelo gameplay e animações. No entanto, existe aqui uma experiência divertida para jogar com amigos, até a solo, mas os problemas enfrentados no lançamento apenas tornaram tudo mais frustrante.

Aqueles loadings para surgir uma cutscene em que o personagem salta e 3 segundos depois há novo loading para gameplay são toleráveis, tais como as animações de 2011 nas cutscenes, mas passar sessões com constantes crashes para o menu da consola, constantes problemas na ligação aos servidores e a incapacidade para completar uma Expedição sem sair para o menu da consola ou perder a ligação são irritantes. Numa Expedição que consegui terminar, apenas para chegar ao local e o jogo bloquear, não acontecendo o que estava previsto e ficarmos ali no cenário sem saber o que fazer. Outriders tinha tudo para ser um jogo muito mais divertido e apelativo, por muito respeito que a People Can Fly mereça por tentar a sorte com uma nova propriedade inteletual com alguma ambição e evitar um desastre.

Ação frenética de cérebro quase desligado

Outriders é um jogo com momentos divertidos e jogabilidade frenética, sendo fácil perceber o seu apelo mainstream. É um jogo de gratificação quase imediata e que até podes jogar sem foco no loot ou builds, sendo uma espécie de TPS à lá Gears. Mas se quiseres jogar o endgame e atentar ao loot, terás de ligar um pouco do cérebro e estar atento às habilidades que desbloqueias por classe e a build que queres construir. Isto se a People Can Fly nao aplicar nerfs 5 dias depois de chegarem e decretarem que toda uma classe é inútil para o endgame. Apesar de ocasionais momentos divertidos, o maior feito de Outriders foi dar-me vontade de ir jogar Gears 5, The Division 2, Borderlands 3 ou Destiny 2, jogos que copia e fazem melhor o que tenta fazer.

Prós: Contras:
  • Gameplay familiar consegue divertir
  • Alguns raros momentos visualmente espetaculares
  • Incentivo ao uso de habilidades no meio dos tiros
  • Ação frenética com um estilo quase arcade
  • História esquecível e cutscenes de má qualidade
  • Design extremamente linear
  • Não existem boss fights ou inimigos memoráveis
  • Dificuldade ajustável banaliza por completo a existência de loot
  • Expedições como endgame focadas em DPS banalizam algumas builds
  • Apesar do foco no cooperativo, a sensação é que jogar cooperativamente te prejudica

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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