Monster Hunter Rise - review - ascensão do gameplay

A Capcom dinamizou o gameplay e tornou a experiência ainda mais entusiasmante.

O gameplay é muito mais ágil e altamente divertido, numa conversão competente do design de World para uma modesta híbrida/portátil.

Monster Hunter Rise promete tornar-se num dos grandes jogos de 2021 e num título surpreendente para quem jamais esperaria ver um Monster Hunter à semelhança do revolucionário World numa consola como a Nintendo Switch, de poder modesto, mas de grande ambição. Monster Hunter World será sempre um título altamente marcante nesta série e a tarefa de criar o jogo que chega a seguir a esse seria sempre árdua, mas a Capcom conseguiu. Continuando a sua missão de tornar Monster Hunter cada vez mais amigável das massas, sem perder a sua identidade, manteve o design de World para a híbrida/portátil da Nintendo e apresenta-te o melhor Monster Hunter portátil de todos os tempos, repleto de melhorias no gameplay que terão de estar presentes nos futuros jogos.

Algo que tens de ter em conta é que Monster Hunter permanece um jogo igual a si mesmo, é um jogo no qual vais caçar monstros, equipado com uma de 11 das armas disponíveis, para obter partes do seu corpo e fabricar armas ou armaduras mais fortes. Isto vai-te permitir avançar na história e ficar equipado para enfrentar os monstros seguintes. O processo básico é este e permanece fiel à identidade da série. Ao completar caçadas subirás de Hunter Rank e poderás aceitar caçadas mais difíceis, sendo frequentemente forçado a caçar o mesmo monstro para obter todas as partes e quantidades necessárias para fabricar a arma ou armadura que desejas. Após isto, terás de procurar a arma que mais gostas, escolher os atributos favoritos nas armaduras e criar um conjunto que provavelmente será composto por partes de diferentes monstros, ao invés do set completo de um. Mas isso é para o endgame e numa fase mais avançada.

Vamos voltar ao início e a Monster Hunter Rise, um jogo através do qual a Capcom pega na fórmula de World e a converte para a Switch. Isto significou uma simplificação do design, um ajuste na dificuldade, totalmente compreensível pois é uma plataforma híbrida e na qual existe até um modelo exclusivamente portátil. A Capcom teve de ajustar os locais e caçadas para permitir várias caçadas por carga da bateria. Em World, algumas caçadas podem durar mais de 40 minutos, em Rise raramente ultrapassam os 25 minutos, por exemplo. No entanto, o que mais interessa, é que permanece incrivelmente divertido, faz as horas voar e a estratégia dos combates continua gloriosa. Além do mais, ajustar a dificuldade é algo que considero benéfico pois tornar as caçadas ainda mais rápidas e dinâmicas faz-te motivar a jogar mais e mais, repetir mais e mais caçadas para obter mais rapidamente as peças e acima de tudo, o mais glorioso neste Rise, uma maior sensação de conquista.

Rise após World

World transformou o mundo de Monster Hunter para sempre, desde o design aberto dos locais à simplificação de alguns processos para fabrico de itens, a Capcom esforçou-se para tornar a experiência Monster Hunter mais amigável dos novatos, sem prescindir da identidade que a torna tão apelativa aos veteranos. Rise tenta fazer precisamente o mesmo, mas também tenta ir mais além, um próximo passo na evolução, mesmo que seja num molde ajustado ao da Nintendo Switch. Isto significa que encontrarás um equilíbrio entre melhorias no gameplay e na qualidade do que representa Monster Hunter, mas também algumas simplificações da conversão desse design para hardware mais modesto. Totalmente previsível e os resultados são francamente sensacionais.

Quando chegas a Kamura terás de ajudar esta aldeia inspirada no Japão Feudal a sobreviver a uma nova Rampage, quando os monstros, por um motivo inicialmente desconhecido, ficam loucos e começam a agir de forma errática. Começam a surgir em locais onde não era suposto, descem das montanhas e aproximam-se perigosamente da aldeia, basicamente deixam em perigo os aldeões e tu serás o principal caçador nos esforços para travar as constantes ameaças. Isto significa entrar em caçadas para matar ou capturar os monstros. No entanto, Rise coloca-te perante 2 tipos de caçadas, as de história e as da Guild, que podes jogar com outros jogadores. As primeiras ajudam-te a avançar na história e a descobrir o que se passa, enquanto as outras aumentam o teu nível de Hunter Rank. Após completar um determinado número da fase atual, terás de completar uma especial e passarás para a fase seguinte, com direito a subir de HR nas missões da Guild.

Se te focares demasiado nas de história, que dura 15 horas, terás acesso instantâneo a uma de Guild que te fará aumentar de imediato o HR por isso, as coisas equilibram-se. Após terminar a campanha e ver os créditos a passar, podes continuar as missões da Guild e subir o HR até chegar às missões de 7 estrelas. Isto na verdade é a continuação na narrativa e devo dizer que as primeiras 22 horas de Monster Hunter Rise foram uma espécie de treino, quase desprovido de dificuldade e onde apenas farmei um set, que me acompanhou ao longo desse tempo. Somente a partir daqui, quando tens acesso às missões de dificuldade superior, as High Rank, é que o jogo começa a sério. A partir daí, foram mais 22 horas até ao boss final e concluir a atual narrativa de Monster Hunter Rise.

Monster Hunter Rise é um jogo de dificuldade e longevidade variável, mas admito que tornar as caçadas mais rápidas e até mais acessíveis é algo que considero positivo. Passar horas sem resultados poderia ser muito frustrante e ao tornar toda a experiência mais acessível, não necessariamente desprovida de dificuldade, a Capcom assegura que sentirás que estás constantemente a ganhar algo. Se te decidires focar em fabricar diversas armas ou armaduras, vais demorar mais tempo a terminar tudo, mas uma vez que me foquei em jogar a solo, com uma Longsword e apenas a farmar sets quando o monstro assim exigia, esta é a duração da minha experiência. Confesso que até chegar às missões High Rank terminei todas as caçadas à primeira e com cerca de 20/25 minutos cada. Somente na fase High Rank, com acesso à variante S das armaduras é que a dificuldade aumenta e tive de repetir algumas caçadas. É quando Rise alcança o seu pleno potencial e se revelou um dos maiores vícios que tive na Nintendo Switch.

Kamura, o novo hub

A aldeia de Kamura é extremamente bela, mesmo que a qualidade gráfica na Nintendo Switch nem sempre deixe perceber isso, sendo um local repleto de influência japonesa e um forte contraste do que viste anteriormente na série. Algo que terás de ter em conta é que a Capcom desenhou a aldeia para que, se te focares na campanha, tenhas tudo o que precisas à volta, aplicando-se o mesmo para quem quer apenas caçar com amigos ou executar caçadas da guild e a fase High Rank. Isto significa que nos dois locais tens ferreiros, pessoas que vendem itens e quem te dá as missões. Além disso, tens vários NPCs que te dão missões extra e tens ainda as refeições, com direito a chás que podes escolher para ter benefícios específicos. Podes até preparar uma refeição e chás para acesso rápido e repetir.

A funcionalidade Fast Travel é muito cómoda e os loadings quase instantâneos, o que torna visitar locais como a Buddy Plaza muito mais fácil. É aqui que terás de gerir quase tudo o que está relacionado com o Palico e o Palamute, uma das grandes novidades. Seja enviar Palicos ou Palamutes para encontrar itens em missões, seja contratar mais ajudantes ou mandar um negociar itens encontrados pelo barco, a Buddy Plaza é o ponto essencial para gerir quase tudo sobre os teus ajudantes. Quase tudo porque fabricar armaduras é algo feito no ferreiro Palico, uma novidade. Estas armaduras e armas são fabricadas com Scraps encontrados nos monstros ou ao desfazer peças de monstros que apanhaste.

Kamura está desenhada para tornar a experiência Monster Hunter muito cómoda, imediata e sem qualquer atrito, sendo fácil percorrê-la a pé, montado no Palamute ou com a Fast Travel. É um local plano, muito mais fácil de explorar do que Astera ou Seliana, sendo igualmente belo e planeado para servir de forma cómoda os teus interesses. É fácil sentir que Monster Hunter Rise está desenhado para se tornar numa experiência frenética, sem paragens, onde estás constantemente a ganhar algo ou a explorar algo, tornando-se muito mais apelativa para uma maior audiência.

Palamutes, Wirebug e Wyvern Riding, a ascensão no gameplay

A sensação que Monster Hunter Rise transmite é que tornou a experiência Monster Hunter mais vertical, social, dinâmica, acessível e frenética, basicamente uma continuidade das filosofias impressas em World pela Capcom. Outra das filosofias com continuidade é a forma como revela um benéfico simplificar de processos como fabricar os itens altamente importantes para te manteres vivo nas caçadas (é automática a criação dos itens que assim definires para que não estejas constantemente a fabricá-los após apanhar os materiais necessários), mas até na gestão de armas e armaduras ou na quantidade de caçadas que tens de repetir para apanhar as partes necessárias para as fabricar. Isso contribui imenso para a acessibilidade dos novatos, mas as outras facetas estão relacionadas com um revigorar do gameplay.

O design de World já evidenciou o intuito de dinamizar Monster Hunter, mas Rise é o próximo passo nesses planos. Desde o primeiro momento, quando acaba o loading e começas a caçada, a experiência torna-se muito mais frenética e dinâmica com a possibilidade de montar no Palamute e cavalgar pelo cenário sem gastar stamina. Chegas muito mais rápido ao monstro e sem te cansares, cortando aqueles momentos iniciais aborrecidos e removendo assim uma fase inicial lenta para a qual nem sequer imaginarias melhorias. No entanto, a dinamização do movimento e agilização do ritmo das caçadas também conta imenso com a presença da nova Wirebug, que permitiu introduzir maior verticalidade nos cenários e povoá-los com zonas secretas.

A Wirebug é um item que podes usar como um propulsor na direção que desejas e começas sempre com duas, mas podes obter uma terceira nos locais das caçadas. Seja para escapar aos monstros, escalar montes e chegar a locais que de outra forma não conseguirias ou para transformar quase por completo a forma como usas cada arma, as Wirebugs, tal como os Palamutes, certamente vão-se tornar em peças fundamentais no futuro de Monster Hunter. Permitem aceder a novas habilidades ao usar cada uma das diversas armas e tornam-se em mais um elemento a gerir e cujo timing de uso será importantíssimo. Gerir a stamina, decidir quando atacar ou fugir e qual a arma a usar são fundamentos estratégicos de Monster Hunter, mas existe um novo.

Resta ainda falar de uma peça importante do gameplay de Monster Hunter Rise, a mecânica Wyvern Riding, uma nova forma que a Capcom encontrou para dinamizar o gameplay. É frequente ver os monstros a combater pelo território, mas agora, alguns deles ficam atordoados e podes usar as wirebugs para os montar e controlar. Isto vai-te permitir executar ataques aos outros monstros e desferir dano incrível. Se por acaso for o monstro que queres caçar a ficar atordoado, podes mandá-lo contra uma parede e causar dano, em seguida ele fica amarrado pelas wirebugs durante algum tempo e sem escape.

São as grandes novidades de Rise e tornaram-se nas suas principais facetas, sendo incrivelmente divertidas e importantes na forma como agilizam o gameplay e dinamizam alguns processos. Os futuros jogos da série terão de ter em conta estas novidades e dei por mim ansioso com os confrontos entre monstros, sempre a vibrar com momentos incríveis onde os controlas e executas poderosos ataques.

Diz que é uma espécie de World na Nintendo Switch

Quero ainda mencionar que apesar da experiência ser incrivelmente reminiscente de World, existem concessões ao transportá-la para a Nintendo Switch. Começando pelos visuais, Rise é um jogo repleto de partes básicas nos cenários, com uma constante sensação que a resolução é demasiado baixa do que deveria e que as texturas não abundam, foram posicionadas em locais estratégicos. É um trabalho engenhoso da Capcom e que merece elogios, o RE Engine é um motor fantástico, mas apesar de cenas impressionantes, será fácil visualizar as fragilidades gráficas.

Além da qualidade dos visuais, terás de ter em conta que muitos dos monstros e armaduras surgem exatamente iguais ao que viste anteriormente, o que coloca maior foco nas novidades. O design dos locais, apesar de maior verticalidade, também revela as concessões necessárias para converter a fórmula World para a Nintendo Switch. Os locais das caçadas são mais pequenos e isto significa que terás várias caçadas nos mesmos locais. Por outro lado, podes pensar que combinado com a maior velocidade da experiência e o Palamute, faz com que Monster Hunter Rise se torna mais dinâmico.

No entanto, o que mais me fascina em Monster Hunter Rise é que a Capcom fez o que muitos consideraram impossível durante muito tempo. É um Monster Hunter da era pós-World, ajustado e adaptado de forma praticamente perfeita para a Nintendo Switch. O gameplay revela evolução sobre World, na maior agilidade, enquanto o design simplificado dos locais é uma amostra das pequenas concessões necessárias, além da qualidade visual, mas também da procura de um novo tom mais dinâmico para caçadas mais frenéticas. As caçadas ficaram um pouco mais fáceis para servir os propósitos de uma consola que pode ser usada como portátil, mas se és viciado em Monster Hunter, nem penses duas vezes, Rise é sublime e vale bem a pena pois é inegável tratar-se de um esforço incrivelmente competente na forma como adapta a sua escala à Switch. Para os novatos, poderá ser o melhor Monster Hunter de sempre.

Prós: Contras:
  • Ver o design de Monster Hunter World a correr numa portátil é quase inacreditável
  • Caçadas desafiantes e novos monstros fantásticos
  • Uma narrativa cinematográfica tal como viste em World
  • Mecânicas como a Wirebug e Wyvern Riding marcam de forma altamente positiva o gameplay
  • O Palamute tornou-se imprescindível no futuro da série
  • Os novos níveis Rampage são incrivelmente intensos, mas divertidos
  • Uma boa quantidade de novas criaturas, ao lado de nomes já bem conhecidos
  • Loadings muito rápidos
  • Mais uma experiência que dura centenas de horas
  • O design visual simplificado
  • Voltar a jogar Monster Hunter a 30fps exige algum esforço
  • A resolução a 540p na dock poderá causar algum desconforto em sessões portáteis mais longas

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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