Atelier Ryza 2 - Review: Uma joia de rapariga

Dar e receber faz-nos florescer.

A sequela da Gust aposta em melhorar as mecânicas do primeiro e consegue mais uma jornada de tom adorável que nos deixam rendidos a Ryza.

Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy é o mais recente jogo da Gust e se estás familiarizado com a companhia, sabes bem o que te espera. A Gust é conhecida pelas suas produções de escala humilde, designs arcaicos e personagens absolutamente adoráveis, que te levam ao longo de jornadas de auto descoberta e aventuras entusiasmantes. Sempre protagonizadas por jovens alquimistas a tentar encontrar o seu lugar no mundo e como melhorar as suas habilidades, a série Atelier encontrou um expoente de adoração em Reisalin Stout, cujos atributos físicos e personalidade são simplesmente irresistíveis. Fan service em forma de personagem.

Ryza 2 chega pouco mais de um ano após o primeiro e perante a fenomenal popularidade de Ryza, não é surpreendente que seja a primeira protagonista a assumir o destaque em dois jogos seguidos. O seu design é o sonho de qualquer apaixonado por anime. Sendo uma sequela direta, a Gust mostra-te Ryza 3 anos depois dos eventos do primeiro, em viagem para Ashra-am Baird onde vai ajudar Tao a explorar ruínas para descobrir todos os seus segredos. Ao longo da sua jornada, reencontrará diversas faces familiares, conhecerá novas amizades e terá ainda de lidar com o mistério de um estranho ovo que levou consigo de Kurken.

Este é o pronto de partida para um jogo que segue de perto o original e refina todas as facetas que o tornaram num dos mais elogiados e vendidos jogos da Gust. Além do fascínio pela personalidade de Ryza, descobrirás uma cidade inteira, que infelizmente não é aberta e está dividida por zonas separadas por loadings (o sistema altamente competente de fast travel mitiga um pouco o cansaço que este design quebrado poderia causar), como ponto de partida para a tua jornada pelos locais ao seu redor, através dos quais chegarás às masmorras, onde os principais mistérios de Atelier Ryza 2 vão sendo revelados.

Atelier Ryza 2 é um JRPG bem peculiar, com uma atmosfera juvenil e doce, repleto de momentos que tentam mostrar o quotidiano de Ryza e tentar dar-te uma ideia de uma vida com os pés bem assentes no chão. Apesar de existirem mistérios nas masmorras, a Gust volta a tentar incutir algum toque de realidade nesta fantasia, através das interações entre as cidades. Quando está na cidade, onde tem o atelier onde mistura ingredientes ou objetos para criar outros que precisa (seja para ajudar os cidadãos, amigos ou usar nas batalhas), Ryza passeará pela cidade e podes conversar com NPCs e amigos dela. Descobrirás banais, mas estranhamente apelativas narrativas secundárias que dão imenso charme ao jogo.

Quando sais da cidade, podes explorar os diversos locais sempre a recolher ingredientes e materiais para inserir no pote de alquimia e misturar para originar outros. Seja com o seu bastão ou outras ferramentas que terás de criar, o teu objetivo é amealhar mais SP para desbloquear novas receitas na árvore de habilidades. Passear pelos locais fora da cidade torna-se numa jornada para recolher tudo o que podemos e quanto melhor for a habilidade de recolha na árvore de habilidades, melhores serão os materiais. Apanhar itens nunca é de mais e seja para missões opcionais ou para misturar, sentirás que vale sempre a pena apanhar coisas. O design destes locais é na sua maioria básico e linear, mas a área envolvente consegue o seu propósito de te transportar para locais de fantasia.

Estes locais servem para chegar às masmorras, onde Atelier Ryza 2 demonstra o seu melhor e pior. O design das masmorras é básico, linear e visualmente datado, o que tendo em conta que passarás aqui muito tempo não é o melhor que se podia pedir. No entanto, pelo outro lado, existem diversas mecânicas próprias e os combates são mesmo divertidos e simples de aprender. Se o design visual das masmorras é básico, a exploração das ruínas para desbloquear memórias e explorar o passado desses locais é uma boa mecânica. Após encontrar memórias, Ryza terá de encaixar no seu caderno cada entrada para revelar os segredos dos locais e ao mesmo tempo descobres mais sobre cada um. É necessário para seguir na história e obriga-te a explorar bem cada ruína.

Ryza 2 tornou-se num jogo humilde nos valores da produção, como esperado da Gust, mas repleto de alma e charme, ao ponto de te seduzir a cada hora que passas a jogar, tal como esperado da Gust. O sistema de combates, como tudo o resto, refina o que foi feito no anterior e mistura mecânicas de tempo real com turnos. Tens de esperar pela tua vez para atacar, decides no menu se queres usar um item (altamente eficazes de forme os corretos para o inimigo), habilidade especial ou ataque e quando atacas tens de pressionar diversas vezes o botão. Existem ainda benefícios ao encadear especiais e podes controlar os diferentes personagens ou somente um, dependendo da profundidade estratégica que procuras para cada combate.

1
Existem momentos visuais que te fazem mergulhar nestes locais e desfrutar ainda mais da jornada de Ryza.

Atelier Ryza 2 é um jogo com o qual me debati sobre a possibilidade de lhe atribuir o selo de Recomendado. É um jogo adorável, com mecânicas e gameplay que me agarraram e deixaram com vontade de jogar mais e mais. No entanto, os visuais e o design arcaico (especialmente nas masmorras), fazem com que a experiência em si fique fragilizada e não recomendável a qualquer jogador. Mesmo dentro do género JRPG, esta sequela de Gust não é uma experiência para todos pois só alguns vão adorar as suas particularidades, por mais adorável e fofa seja Ryza e a sua aventura.

Prós: Contras:
  • História adorável de aventura e mistério
  • Sistema de alquimia refinado e simplificado
  • Sistema de combate simples e divertido
  • Constantes tarefas opcionais
  • Design arcaico nas masmorras
  • Alguns loadings longos
  • Visuais fracos nas masmorras

Lê o nosso Sistema de Pontuação

Salta para os comentários (8)

Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

Conteúdos relacionados

Também no site...

Ex-funcionária da PlayStation processa a companhia por alegada discriminação

Diz ter sido despedida após apresentar queixa de discriminação.

FUT 22 - Renato Sanches destacado para celebrar a Black Friday

As melhores transferências dos últimos tempos transformadas em novas cartas.

Cyberpunk 2077 será considerado um jogo muito bom, acredita a CD Projekt RED

Consoante é melhorado e melhor hardware fica disponível.

Comentários (8)

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela tua contribuição!

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários