CD Projekt RED criou demo falsa de Cyberpunk 2077 para maravilhar o mundo na E3 2018, acusam ex-funcionários

Sabiam dos problemas, mas acreditavam em magia.

Lançado a 10 de Dezembro de 2020, Cyberpunk 2077 da CD Projekt RED bateu recordes de vendas mesmo antes de chegar às lojas e conseguiu vender o suficiente em meras semanas para figurar entre os mais vendidos do ano.

No entanto, a história do novo jogo da popular criadora de The Witcher 3: Wild Hunt está longe de ser bonita e agradável, como provavelmente sabes, está envolta em grande controvérsia e ao longo das últimas semanas já tivemos relatos relacionados com o desenvolvimento que colocam em causa a postura dos gestores da companhia.

Apesar de alguns problemas na versão PC, são as versões de consola de Cyberpunk 2077 que maior polémica estão a gerar, especialmente porque foram praticamente escondidas dos milhões que encomendaram o jogo sem sequer o ter visto a correr na consola onde o iam jogar. A situação relembra o que se passou com outros estúdios, especialmente com a BioWare em Mass Effect: Andromeda e Anthem.

De acordo com a mais recente investigação de Jason Schreier para o Bloomberg, o desenvolvimento de Cyberpunk 2077 foi um caos na forma como foi gerido e está envolto em imensa magia, mas que à semelhança da Bioware, simplesmente teimou em não funcionar.

Schreier conversou com diversos funcionários e antigos funcionários da CD Projekt RED que relatam como os gestores simplesmente recusaram ouvir as preocupações de quem trabalhava mais de 13 horas por dia simplesmente com base na crença que "nós criamos The Witcher 3" e que tudo acabaria por dar certo na hora do lançamento.

Outros relatam que a equipa imaginava um lançamento somente em 2022, o que daria cerca de 6 anos de desenvolvimento a sério, uma vez que o projeto arrancou em 2016, sendo totalmente surpreendidos quando lhes disseram que seria lançado em Setembro de 2020. A equipa pedia mais tempo e o gestores confiança na magia que lhes permitiu dar ao mundo The Witcher 3, mas surgiram ainda mais imprevistos.

A pandemia COVID-19 forçou a equipa ao trabalho remoto e a trabalhar a partir de casa, nem todos os responsáveis por corrigir erros e melhorar a performance não tinham acesso aos kits PS4 e Xbox One para testar essas versões, cujo estado se foi tornando cada vez mais desconhecido para a grande maioria da equipa, segundo estes relatos.

No entanto, o relato mais caricato nem é o de Adrian Jakubiak, antigo programador de áudio na CD Projekt RED que teve de abandonar esse trabalho após semanas a trabalhar mais de 13 horas por dia, que contou como "descobriremos a solução pelo caminho" era a resposta para muito problemas apresentados.

O acontecimento mais surreal no desenvolvimento deste jogo, que até 2016 era um jogo na terceira pessoa, ano em que o desenvolvimento começou verdadeiramente, está relacionado com a E3 2018 e a apresentação do que é chamada de "demo falsa" que de forma alguma correspondia à qualidade do jogo ou sequer ao seu estado naquela altura.

"Muito do foco da CD Projekt RED, de acordo com diversas pessoas que trabalharam em Cyberpunk 2077, estava em impressionar o mundo exterior," conta Schreier no seu mais recente artigo. "Uma fatia de gamplay foi apresentada na E3, o principal evento da indústria, em 2018. Mostrava o protagonista a entrar numa missão, dando aos jogadores uma amostra da Night City, assolada pelo crime."

"Fãs e jornalistas ficaram maravilhados com a ambição e escala de Cyberpunk 2077. O que eles não sabiam era que a demo era quase toda falsa. A CD Projekt ainda não tinha finalizado e codificado os principais sistemas gameplay, sendo por isso que muitas das funcionalidades, como emboscadas a carros, estão ausentes do jogo final."

"Os programadores disseram sentir que a demo foi um desperdício de meses que deviam ter ido para o desenvolvimento do jogo."

Algumas destas pessoas que trabalharam no desenvolvimento de Cyberpunk 2077 dizem que o desenvolvimento foi "como conduzir um comboio enquanto colocavam a pista à frente", algo que se torna surpreendente tendo em conta o mediatismo do projeto.

A apresentação de trailers com gameplay falso ou manipulado para evitar spoilers ou parecer melhor do que realmente é não é um conceito novo, mas desperdiçar meses numa demo falsa para maravilhar o mundo é de uma outra escala.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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