Observer System Redux review - Viagem psicológica

Terror como deve de ser.

Pegar num jogo sem saber o que nos espera é coisa rara nos dias que correm. Confesso que foi um pouco o que me aconteceu com Observer System Redux, mas obviamente que não foi inteiramente como uma venda a tapar os olhos. Apenas com conhecimento do tópico abordado, ligado ao universo Cyberpunk com muito terror psicológico. Esta é uma versão melhorada do original que foi lançado em 2017, que além das melhorias visuais expande ainda um pouco o seu universo. Chega assim às novas consolas PlayStation 5 e Xbox Series X/S, e também ao PC, uma viagem que se revelou até um certo ponto surpreendente.

A produtora, Bloober Team, tem-se dedicado de alma e coração ao terror psicológico, com lançamentos como Layers of Fear em 2016, Observer no ano seguinte, e em 2019 entrega Layers of Fear 2 e Blair Witch. Observer foi bem recebido pela critica, e agora com a versão Redux refina a fórmula através da inclusão de um grafismo mais avançado no qual se incluí a utilização da tecnologia ray tracing.

Estamos em 2084, somos o detective Daniel Lazarski (baseado no actor Rutger Hauer), denominado por Observador. Este possui implantes cibernéticos que o ajudam nas suas investigações. Tudo se inicia com uma chamada por parte do seu filho, que não o vê há muitos anos, dizendo que precisa de ajuda. Um começo comum a outro qualquer, mas em Observer nem tudo é o que parece. Somos encaminhados por um mundo obscuro repleto de desorientações mentais onde a identificação do real e virtual é uma linha muito ténue, e por vezes não é uma coisa nem outra. É uma viagem psicológica que nos deixa em constante sobressalto.

"Existe aqui um pouco da atmosfera Blade Runner"

Existe aqui um pouco da atmosfera Blade Runner, pelo menos foi o que senti, e uma certa colagem do nosso protagonista à personagem interpretada por Harrison Ford, Rick Deckard, embora no filme de Ridley Scott, Blade Runner não possui Implantes Cibernéticos. Como referi, Daniel Lazarski é um observador que parte à procura do seu filho, dirigindo-se para o local de onde proveio a sua última chamada.

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Atmosfera electrizante e rica em pormenores.

Num mundo futurista em que todos, ou quase todos, possuem implantes, Lazarski dirige-se ao complexo de apartamentos de onde é originária a chamada que recebeu do seu filho, percorre a área recolhendo evidencias analisando-as com a tecnologia que possui, atribuída pelos seus implantes. Este consegue fazer scan a quase tudo, desde componentes electrónicos e até evidências orgânicas. Esta é a única ferramenta ao seu dispor, desprovido de armas, ele consegue em último caso entrar dentro da mente dos indivíduos através de uma ligação física ao cérebro, para dessa forma reviver os seus passados e descobrir o que os levou àquela situaçãoa.

"entramos no domínio da mente das outras pessoas que nos deparamos com confusões geradas pela junção de pensamentos"

É nos momentos em que entramos no domínio da mente das outras pessoas que nos deparamos com confusões geradas pela junção de pensamentos, onde as memórias de Lazarski se misturam com a do indivíduo, criando pensamentos distorcidos e extremamente aterradores. É sempre uma viagem de elevadíssima intensidade psicológica com enormes doses psicadélicas - não aconselho o jogo a quem tenha historial de problemas de epilepsia. A Bloober Team consegue um ambiente muito aterrador, onde os visuais melhorados aprimoram esse alcance. De destacar também a componente sonora, que é expandida na PlayStation 5 através do DualSense, e foi essa a versão que joguei. Observer System Redux tira partido das possibilidades permitidas pelo comando, desde ouvir determinados sons nas palmas das nossas mãos, e até forças diferenciadas nos gatilhos.

Ainda em relação ao comando, neste caso o DualSense, tenho que registar a presença de algumas dificuldades em interagir com objectos, a precisão é dificultada e chega a ser frustrante em determinados momentos. Essa parte fez-me ter a necessidade de jogar com rato e teclado. Muita da jogabilidade traz-me certos registos de um jogo particularmente marcante, Outlast. Pode ser estranha esta associação, mas é o que surge durante esta narrativa, muito pela forma como percorremos as áreas e até a alguns elementos stealth.

O upgrade visual é de sobremaneira evidente em relação ao original de 2017, com resolução 4k e uma fluidez de imagem agradável. Mas nem tudo está como deveria, o modo com ray tracing é completamente injogável, a queda de performance é avassalador,a e cria problemas até nos nossos olhos. É claro que o jogo fica mais bonito, com reflexos reais e sombras, mas com uma performance abaixo dos 30fps fica impossível de suportar. O modo a 60fps também não é perfeito, com quebras acentuadas em determinada zonas, sem explicação aparente - existem áreas que basta atravessarmos uma porta para isso afectar a performance, estranho no mínimo.

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Melhorias evidentes em relação ao jogo original.

"upgrade visual é de sobremaneira evidente em relação ao original de 2017"

Alimentado pelo ambiente sinistro e uma sonoridade própria do género, em sintonia com a vertente futurista, esta versão Redux detém para além da história principal alguns desvios que podem ser explorados, recompensam com mais conhecimento da sociedade em que este se desenrola e prolonga um pouco mais a sua longevidade, que pode durar até 8 horas jogado de forma normal. Pode tornar-se um pouco repetitivo, muito pelo facto de estarmos sempre a efectuar as mesmas tarefas, investigam locais de crime. Relevante salientar que também possui mini puzzles, não muito complexos, alguns deles obrigatórios para a progressão.

Esta viagem apresentada pela Bloober Team não pode ser esquecida pelos que adoram jogos de terror psicológico. O alcance conseguido é deveras inesperado, com uma história que se vai revelando cada vez mais interessante à medida que se prossegue, onde as peças vão encaixando pouco a pouco, de forma natural. Este é o relato de uma sociedade que vive numa renúncia de interacção humana, em que muitos vivem apenas num universo paralelo, virtual. Uma viagem alucinante pela mente humana e uma previsão de um futuro sombrio para a humanidade.

Prós: Contras:
  • Grafismo de excelente qualidade
  • Terror psicológico como deve de ser
  • Aproveitamento das funções do DualSense
  • História cativante
  • Modo ray tracing injogável nas consolas
  • Problemas de precisão a jogar de comando
  • Tarefas um pouco repetitivas

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Sobre o Autor

Adolfo Soares

Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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