Part Time UFO - Apanhado no mobile e largado na Switch

Um extra-terrestre para os pequenos serviços.

Podendo ser confundido como um jogo original da Nintendo Switch, oriundo ainda por cima do Hal Laboratory, dada a relação histórica que existe entre este histórico estúdio e a Nintendo, a verdade é que Part Time Ufo foi lançado em 2017, como jogo mobile, no Japão. Mais, o Hal Laboratory é um estúdio independente, que muito embora trabalhe maioritariamente com a Nintendo, especialmente na série Kirby, ao longo de várias gerações de consolas, não está na realidade vinculado exclusivamente à companhia de Quioto. No entanto, a percepção que muitos terão ao jogar este curioso jogo baseado nas "claw cranes", populares na Ásia e em especial no Japão, onde são conhecidas como "UFO catchers", é que se trata de um jogo exclusivo Switch, atenta muita da artwork e da sua composição ao bom estilo retro.

É conhecida a ligação da Nintendo, nestes termos de proximidade, com outros estúdios. A Intelligent Systems, por exemplo, que há muito trabalha nas séries Paper Mario e Fire Emblem, só para citar alguns títulos de maior popularidade, embora eu seja um fã confesso de Pushmo (2011, 3DS) e Advance Wars. Isto tem como consequência a entrada regular de jogos que, ainda que marcados por uma aparente simplicidade e sobriedade, passam por vezes em esquecimento mas integram uma oferta que merece um olhar mais atento, pois em alguns deles, como sucede com este Part Time UFO, descobrimos mecânicas arcade e simples, simultanemente desafiantes e reminescentes até de algumas memórias.

Tenho bem noção das máquinas "catchers", nas quais controlamos com o joystick, durante um período limitado de tempo, uma manápula num determinado ponto que depois a liberta e a abre, podendo apanhar ou não o objecto repousado no interior do que se assemelha a um aquário repleto de coisas. Na minha vida só joguei por uma ocasião neste tipo de máquinas e a experiência redundou num falhanço, pelo que não mais tornei a meter lá moedas, embora desse conta de pessoas que sacavam relógios e peluches desses repositórios com a maior das facilidades.

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Visuais cute combinam nostalgia e física. Experiência pode ser partilhada com um outro jogador.

Felizmente, a minha experiência com Part Time UFO não podia ser mais diversa. Pese toda a simplicidade do conceito (a mecânica é muito similar à de uma máquina UFO) e apresentação, o design e o desafio são convincentes, o que resulta numa experiência agradável, desafiante e capaz de nos deixar uma boa memória. Desde logo, há mais elasticidade na manobra da "garra". Nós controlamos uma personagem que se chama Jobski. Possui o aspecto de um disco extra-terrestre com umas esferas reluzentes na base, que passou pela terra ao encontro de um trabalho a tempo parcial. O primeiro trabalho é-lhe oferecido por um agricultor que vê a sua carga espalhada pela estrada depois de embater num sinal de estrada. Concluído este serviço, Jobski acede a mais trabalhos temporários. Estes serviços diferem entre si, o que torna mais desafiante o processo de recolha.

Como referi atrás, a mecânica é muito simples e consiste em fazer chegar Jobski até ao ponto de contacto com um objecto a segurar. Depois basta lançar a garra que os dentes encarregam-se de automaticamente segurar o objecto. Mas há todo um conjunto de leis da física a ter em conta, como o peso do objecto que transportamos e a velocidade com que o transportamos. Isto é importante porque ao manobrarmos um objecto é conveniente pô-lo sobre uma superfície numa posição específica. Pode ser para servir de suporte ou simplesmente como acabamento de uma construção.

O interessante disto é que começamos por desafios simples e básicos, mas depressa nos são apresentados trabalhos mais delicados e complexos, que não só consomem mais tempo como ainda requerem um melhor estudo (por exemplo, uma ordem na deslocação dos objectos), o que nos leva a perder mais tempo, através do método tentativa e erro, a resolver o puzzle. É pena, de resto, que a mecânica não passe deste funcionamento simplificado, o que se percebe pelo facto de ser uma produção pensada para os aparelhos portáteis. No entanto, o grau de dificuldade dos objectivos a cumprir nos diversos serviços aumenta caprichosamente e o resultado é um permanente teste à nossa capacidade de movimento e transporte, mais até do que o simples aprisionamento.

Além disso, muitos dos serviços só ficam disponíveis depois de cumprida uma percentagem dos serviços anteriores. A evolução depende das medalhas que vamos coleccionando. Existem três prémios a alcançar dentro de cada serviço, por indicação dos posters e que por vezes requerem alguma inspecção antes de saber o que fazer para atingir a medalha. Seja uma construção dentro de determinados moldes ou simplesmente a execução do trabalho, ou num tempo rápido. Nos primeiros trabalhos não há grande dificuldade em conseguir o pleno. Mais adiante terão de suar um pouco mais se quiserem recolher todos os prémios.

O que acaba por emprestar brilho a esta experiência e em grande parte torná-la atractiva é a apresentação e o tom cómico que preside em determinados momentos, seja pelo cómico da situação ou simplesmente pelo aspecto "cute" dos objectos. A apresentação é muito boa, com trabalhos muito diferenciados e sempre na expectativa do que virá de seguida. A componente sonora, embora repetitiva, ajusta-se perfeitamente ao ambiente "cute", que pela artwork só podia sair de um estúdio japonês, e nem sai facilmente da cabeça quando jogamos por períodos mais longos. Além disso, está cheia de ícones e personagens ligadas a jogos Nintendo, nomeadamente a série Kirby, o que deverá deixar os fãs desta bola vermelha satisfeitos. No fundo, este jogo é um daqueles títulos que não colhe o marketing e a popularidade de outras produções mas que acaba por deixar uma óptima impressão, ao bom estilo arcade. É mais a veia experimental e nostálgica do Hal Laboratory a funcionar. Merece a atenção.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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