Mafia Definitive Edition review - potencial desperdiçado

Podia ser muito mais do que um atmosférico, ocasionalmente belo e desajeitado jogo em mundo aberto.

Está a algumas atualizações de se tornar no remake que quer realmente ser. Até lá, o seu gameplay e animações clunky testam a tua paciência.

Foi em 2002 que a indústria dos videojogos recebeu um dos seus mais conceituados jogos de ação em mundo aberto, chamado Mafia. Este jogo apostou numa história envolvente e numa sensação de realidade na condução e controlo de Thomas Angelo nos tiroteios. Para tornar ainda mais específica esta proposta, Mafia decorre na década de 30 em Lost Heaven (uma versão fictícia de Chicago, nos Estados Unidos), apostando num jogo de época e até aos dias de hoje raro de ver. Foi uma proposta singular que tivemos na altura e que em 2020 regressa na forma de um remake que coloca uma nova luz sobre o trabalho da Illusion Softworks (atualmente parte da Hangar 13, estúdio que desenvolveu este remake).

Inspirado em filmes como "Tudo Bons Rapazes" e "O Padrinho", Mafia realizou o sonho de obter uma experiência interativa que parecia recriar em formato de videojogo o que Martin Scorsese e Francis Ford Coppola fizeram no cinema. Facilmente se tornou num jogo memorável pelo seu conceito de mundo aberto épico e detalhado, com missões difíceis, tiroteios exigentes e diversos momentos que desafiavam o conceito do que era esperado de um videojogo na busca de uma maior ambição cinematográfica. É fácil entender o porquê de Mafia merecer uma Definitive Edition que na verdade é um remake desenvolvido com o motor de Mafia 3 (jogo lançado em 2016), é um jogo com uma atmosfera e personagens envolventes, com uma narrativa que te prende e missões variadas. Atualmente poderá parecer normal, mas na altura foi impressionante.

É fácil ficar entusiasmado com Mafia: Definitive Edition quando pensas em todo o potencial cinematográfico relacionado com a atualização de uma experiência deste tom, especialmente porque esta temática continua a ser pouco explorada e porque um dos encantos nos videojogos também são as viagens temporais. É um efeito sensacional quando um jogo tem suficiente capacidade imersiva para te envolver numa outra era e te fazer quase sentir o cheiro da cidade e fazer crer, através dos sons e paisagens, que estás numa outra era. Infelizmente, este Mafia: Definitive Edition apenas consegue triunfos parciais e inesperadamente, dei por mim a sentir que é um jogo dividido em duas partes, a não interativa e a interativa, com qualidade bem distintas.

Cinema interativo de incrível imersão

Mafia: Definitive Edition é um jogo que tenta atualizar a ambição de apresentar um épico atmosférico em mundo aberto centrado numa disputa entre duas famílias de mafiosos. Código de honra, respeito entre a família e a constante sensação que alguém vai trair os irmãos e coisas dessas. Thomas Angelo é apenas um taxista que acaba por inadvertidamente ser envolvido nesta trama e inicia a sua vida de criminoso. Com um bom coração e com uma perspetiva diferente da lealdade cega, Angelo é o teu passaporte para uma narrativa repleta de personagens interessantes, bem construída na sua grande maioria e com um tom altamente cinematográfico. Existem diversas cutscenes altamente cativantes em Mafia: Definitive Edition, que ficas a assistir com deleite, especialmente porque a qualidade gráfica nestes momentos é sensacional.

Como referi, a sensação que fiquei é que Mafia: Definitive Edition brilha nos seus elementos não interativos, os elementos que impulsionam o tom cinematográfico e te deixam imerso neste mundo. Seja pela elevada qualidade dos personagens, excelente iluminação ou reflexos, Mafia: Definitive Edition é um jogo que te fará pensar que estás já na próxima geração. No entanto, essa qualidade gráfica é inconsistente e se num momento tens um momento de grande qualidade, especialmente à noite ou nas cutscenes, no seguinte podes estar a conduzir pela cidade de dia e a assistir a imenso pop-in constante, geometria básica à distância e outros problemas visuais. É mesmo pena que Mafia: Definitive Edition esteja tão repleto de "immersion breakers".

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Especialmente à noite, a sensacional iluminação e os reflexos fazem com que Mafia Definitive Edition quase pareça um jogo de próxima geração. É um belo efeito e mostra como o jogo no seu melhor é bom, mas que infelizmente também acentua a inconsistência geral da experiência.

Mas a narrativa é boa, apelativa e cativante. Esta trama entre mafiosos enverga bons argumentos para te manter a jogar e frequentemente dei por mim a tolerar o mau de Mafia: Definitive Edition apenas para desfrutar do bom. É certo que não te devias forçar a jogar um jogo para aproveitar o bom, mas queria tanto que este remake de Mafia fosse bom que lá resisti e continuei a jogar, mesmo quando a minha paciência era testada incessantemente. A sensação que é preciso mais polimento e algumas atualizações não me deixou, mas a atmosfera e algumas paisagens criaram momentos que me agradaram imenso.

Gameplay desajeitado, propenso a problemas

Do outro lado, tens a parte interativa que tal como os visuais e o forte foco na criação da atmosfera correta e singular, tenta realçar o realismo e invocar as sensações do original. Juntamente com ocasionais bugs nas animações, é no gameplay que Mafia: Definitive Edition mais te desafiará e onde sentirás que é preciso polimento adicional para melhorar. Os controlos exigem algum tempo para habituação, mais do que poderias inicialmente pensar, mas se na condução a estranheza acaba por desaparecer, nos tiroteios não consegui encontrar satisfação. As animações e controlos parecem demasiado clunky e se em parte isto é propositado, por outro é prejudical para um jogo repleto de tiroteios e missões difíceis.

Será frequente sentir problemas a apontar as armas, Mafia: Definitive Edition não te ajuda com a mira, mas isso acaba por te desafiar a aprender as manhas e apontar melhor. No entanto, a forma estranha como o personagem se move e a sensação de lentidão nos movimentos não resultam da melhor forma para tornar o gameplay mais divertido. Pelo contrário, enquanto a Rockstar Games conseguiu um belo efeito de realismo e peso em Red Dead Redemption 2, em comparação Mafia: Definitive Edition parece desajeitado e imperfeito. Em algumas secções de fuga de carro ou a pé, o gameplay do jogo torna-se demasiado stressante.

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É frequente sentir quebras de imersão ao percorrer a cidade, devido ao pop-in de partes do cenário perto de ti e de geometria de baixa qualidade à distância, que vai ganhando detalhe consoante de aproximas dela. Revela uma qualidade gráfica inconsistente e uma falta geral de polimento.

Em alguns momentos, ainda existem bugs que afetam as animações e os contra-ataques. Além disso, os problemas constantes nas animações e movimentos dos personagens, frequentemente na interação com os cenários, fazem com que Mafia: Definitive Edition pareça um jogo com uma elevada necessidade de algumas atualizações para polimento.

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Além da ideia que a qualidade de imagem não é tão nítida quanto deveria, existem momentos que revelam a falta de polimento geral.

Polir e atualizar poderá ajudar imenso

A sensação que tive ao jogar Mafia: Definitive Edition foi que os bons elementos, como os melhores momentos visuais, a cinematográfica narrativa e a atmosférica cidade merecem uma melhor companhia por parte da vertente interativa. Mesmo que esteja dedicada a um gameplay singular, focado no realismo e que implementa uma sensação de peso para afetar a forma como Angelo se movimenta, a Hangar 13 precisa polir Mafia: Definitive Edition para corrigir animações e ocasionais bugs. A dada altura pensei que poderia nem sequer terminar a missão, mas o NPC lá conseguiu parar de andar às voltas e seguiu o seu trajeto previsto. A sensação que a imersão é constantemente quebrada é o pior que podes encontrar num jogo com tamanha ambição cinematográfica.

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Nos interiores, onde passaremos bastante tempo aos tiros, a qualidade da iluminação e reflexos também brilha, conseguindo bons momentos.

Mafia: Definitive Edition podia muito bem figurar como um dos melhores exemplares do termo "remake", mas a Hangar 13 apenas conseguiu alcançar esse efeito pela metade. A parte visual, mesmo inconsistente e com problemas facilmente percetíveis, consegue belos momentos que te vão surpreender, mas o gameplay será um constante desafio. Isto é especialmente importante num jogo difícil e cujas missões te vão forçar a repetir checkpoints com grande frequência. Ver o ecrã cinzento e aquela música a fazer tempo de espera antes do loading para recarregar o checkpoint também se torna irritante com grande facilidade.

Um olho no passado e outro no futuro

Mafia: Definitive Edition tem dois efeitos distintos. O primeiro é mostrar o quão singular o original foi e ainda continua a ser, o segundo é que nem todos os remakes conseguem alcançar em pleno os seus objetivos. A Hangar 13 manteve-se fiel ao original e merece todo o respeito por isso, a qualidade gráfica consegue momentos sublimes e a atmosfera cinematográfica, especialmente na narrativa, ainda triunfa. Pelo outro lado, os controlos são desajeitados, existem diversos problemas nas animações, ocasionais bugs quebram a imersão com maior frequência do que o controlo de qualidade devia ter permitido e a qualidade gráfica inconsistente quebra constantemente a imersão. Se a Hangar 13 apostar nas atualizações e no refinamento, polindo a experiência geral, quem sabe através de ports para a próxima geração, terei todo o gosto em revisitar Mafia: Definitive Edition.

Prós: Contras:
  • Momentos visuais de grande qualidade
  • Boa atmosfera que reforça o envolvimento com a narrativa
  • Protagonista carismático que te faz ganhar interesse pelos eventos
  • Missões diversificadas e muitas delas exigentes
  • Pop-in constante quebra a imersão
  • Momentos visuais de fraca qualidade
  • Controlos altamente clunky
  • Problemas nas animações, colisões e ocasionais bugs
  • Falta geral de polimento
  • Sensação de inconsistência na experiência

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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