Produtor de Cyberpunk 2077 queixa-se de crunch contínuo desde Maio de 2019

Denúncia turnos de 16 horas.

A CD Projekt deu a entender que o crunch (a prática de se trabalhar horas extras continuadamente) de Cyberpunk 2077 estaria limitada a estes últimos meses que antecipam o lançamento, mas a realidade não é como a gestão do estúdio a pinta.

Um produtor de Cyberpunk 2077 expôs no Reddit as condições de trabalho da CD Projekt RED, queixando-se que o crunch tem sido contínuo desde Maio de 2019. A identidade deste produtor foi confirmada por Jason Schreier, que conversou com ele ao telefone depois de encontrar o seu comentário no Reddit.

"Não só esta conversa não aconteceu", disse o produtor em relação aos seis dias de trabalho por semana, "como é apenas mais uma coisa numa longa lista de comportamentos tóxicos vindos da gestão para com os produtores".

"Posso confirmar que esta conversa nunca aconteceu, os produtores têm estado a fazer crunch sem parar desde Maio de 2019," desabafou. O produtor acrescenta ainda que os produtores nunca foram avisados dos dois adiamentos que aconteceram, descobriram sempre pelo Twitter (só nas horas seguintes é que receberam um email de Adam Badowski, líder do estúdio).

"As pessoas estão a ficar fartas do crunch. Só para que saibas, muitas pessoas têm passado fins-de-semana no escritório e a fazer turnos de 16 horas desde Junho de 2019, alguns departamentos até começaram a fazer mais cedo," denunciou o produtor anónimo.

"Muitas pessoas têm passado fins-de-semana no escritório e a fazer turnos de 16 horas"

"De cada vez que isto é abordado, recebes o habitual discurso copy-paste do tipo 'somos movimentados por paixão, somos rebeldes, isto não é para todos e outros slogans copy-paste, o que é uma maneira fixe de dizer 'Não temos ideia do que estamos a fazer, mas temos dinheiro infinito e podemos corrigir tudo com mais crunch."

O produtor queixa-se que a gestão está completamente desligada da realidade dos produtores. Em relação aos bónus salariais, mostra que a realidade não é tão entusiasmante como parece no papel. No ano passado, em que as vendas de The Witcher 3 dispararam graças à Netflix, os produtores séniores levaram para casa cerca de 1800 euros extra, enquanto os juniores receberam 550 euros.

"Enquanto isso, o quadro de directores recebeu valores de seis dígitos."

"Embora não seja o meu lugar discutir as finanças do estúdio, conseguem pagar muito mais recompensas aos seus funcionários," concluiu o produtor noutro comentário.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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