Mario Kart Live: Home Circuit - onde acaba o brinquedo e começa o jogo?

Corridas na sala, no quarto, na cozinha ou na casa de banho.

Apresentado no pretérito dia 3 de Setembro, Mario Kart Live: Home Circuit é mais uma daquelas experiências que cruza o virtual com o real. Não é propriamente inédito, mas é uma novidade em Mario Kart e ao mesmo tempo o regresso da realidade aumentada às consolas da Nintendo. Ao invés de dar sequência às corridas da franquia original, Mario Kart Live opera num conceito próximo do brinquedo capaz de proporcionar um videojogo, a partir de Karts miniaturas onde está instalada uma câmara que é capaz de reconhecer o ambiente ao redor e assim permitir a construção de circuitos, transformando o nosso quarto ou sala de estar numa pista onde Mario e Luigi vão competir pela vitória. Assim, enquanto controlamos o kart virtual na consola por entre o nosso quarto ou sala, o kart miniatura real dá voltas à pista imaginária, aumentando ou diminuindo a velocidade consoante os power ups aumentem a velocidade ou haja atrasos provocados pelas bombas.

Vale a pena lembrar que o jogo que será posto à venda a partir de 16 de Outubro é disponibilizado apenas no formato digital, através de código, mas não faltará conteúdo físico, pois em vez de um cartucho, na caixa especialmente generosa vão encontrar um kart miniatura, quatro pontes, dois sinais de curva e um cabo USB. O processo de montagem e preparação é muito simples, já que a ligação do entre o Kart e a consola é operada via Wi-fi, sendo depois necessário proceder à avaliação do espaço para que o Kart possa percorrer dentro de uma margem significativa de liberdade o espaço onde serão colocadas as pontes que funcionam como uma espécie de pontos intermédios de sinal (pensem nos três sectores de uma pista de Fórmula 1), com as quais a interacção é maior.

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O nosso quarto e sala de estar transformados numa pista, é este o conceito de Mario Kart Live.

Voltas de reconhecimento

A premissa é realmente interessante e nós que tivemos a oportunidade de observar recentemente uma apresentação detalhada do produto, ficamos não só interessados no conceito como em sentir até que ponto este cruzamento do virtual com o real assegura ao mesmo tempo um gameplay que é marca de Mario Kart, pelos seus drifts estonteantes, percursos fantásticos e competição do tipo arcade. Ainda não pudemos experimentar o jogo e perceber até que ponto está assegurada a jogabilidade clássica, embora possamos perceber pelos vídeos mostrados que a produtora nova iorquina Velan Studios, responsável pela apresentação e desenvolvimento da ideia à Nintendo, que há uma aproximação à jogabilidade típica de um Mario Kart.

Porém, há diferenças, a começar pela perspectiva montada ligeiramente acima e atrás da cabeça do piloto, que não só nos dá uma perspectiva ampla do ambiente do Kart (rente ao chão) como da frente do kart. Não vimos perspectivas exteriores, o que neste tipo de jogos arcade tende a funcionar como colocação natural quando controlamos o carro em drift, soltando a traseira. Aqui a perspectiva como que se debruça para a frente, deixando ver a personagem, os pneus dianteiros e as pontas do spoiler dianteiro. A sensação de velocidade está no entanto assegurada, especialmente nos karts de cilindrada 150 e 200 cc. Desbloqueadas de início as classes 50 e 100 CC. Equipados com um motor eléctrico, os karts brinquedo também asseguram diferentes velocidades. Por enquanto não sabemos a duração das baterias ou quantas corridas poderemos efectuar até ficarem descarregadas, o que é um factor importante quando se pensa numa sessão multiplayer prolongada..

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Ao ambiente podem ser adicionadas molduras como a deste circuito sub-aquático.

O processo de ligação do kart à consola é simples, assim como é a criação do circuito. Para tal teremos que colocar as quatro pontes, uma para partida e as restantes servindo de secções intermédias. Na criação dos percursos, à medida que o kart real avança, controlado pela consola, é deixada uma marca de tinta que depois passa a assinalar automaticamente os limites. Com um ambiente real do nosso quarto, sala, cozinha ou outro (desde que haja espaço suficiente para o kart deslizar) em fundo, podemos depois aplicar um "template", que vai do sub-aquático ao cavernoso. Consoante o tipo de curso elaborado haverá uma categoria específica. Há obviamente limitações quando pensamos nas possibilidades de percursos de um Mario Kart 8. As zonas aéreas não são possíveis e as rampas ou descidas só em pequenos declives.

Até quatro Karts em pista

Existem quatro modos de corrida: GP, Custom Race, Time Trial e Multiplayer local, esta uma opção que permite até quatro jogadores juntarem quatro consolas e quatro karts num mesmo espaço. Um jogador adquire a pele de "host", o que lhe permite personalizar a corrida e o ambiente. A margem de personalização é significativa. As pontes intermédias e a ponte de partida podem ser personalizadas, mas todo o circuito também, com vários objectos que podem ser colocados na pista como obstáculos ou funcionando como limitadores. Neste caso a imaginação do criador do circuito não tem muitos limites.

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Karts personalizados.

Os karts também podem ser personalizados, através de diferentes cores, decalques e até sons de buzina. No que respeita aos "power ups" parece existir variedade, podendo atribuir-se um padrão de power ups diferenciados em cada portão. Na competição diante de adversários controlados pela inteligência artificial, pelos vídeos divulgados parece existir animação e suficiente competição em pista pela posição dianteira. O comparativo com a jogabilidade de Mario Kart 8 será inevitável num primeiro momento, algo que só poderá ser aquilatado depois de tomada a consola em mãos e dadas as primeiras voltas a fim de se obter uma impressão mais firme, que neste momento nos falta.

Pelo revelado, parece existir uma aproximação à linha principal da série, mas é também uma jogabilidade de cariz arcade adaptada a este particular cruzamento de realidade com o virtual. O conceito por detrás de Mario Kart Live passa por esta especialidade, que embora não sendo inédita, funciona como um novo título bandeira. Ainda temos dúvidas sobre a duração da bateria dos karts reais e especialmente sobre o impacto na jogabilidade como divertimento e desafio, mas certo é que este circuito doméstico penetra no âmbito das corridas Mario Kart, chamemos-lhe a vertente eléctrica e amiga do ambiente. Um conceito que parece bem explorado, este emparelhamento de brinquedo e realidade com videojogo, resta saber até que ponto funcionará como alternativa sólida a Mario Kart 8.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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