Hades Review - Super roguelike

Torna-se num vício.

Foi em Dezembro de 2018 que a Supergiant Game lançou Hades, o quarto jogo de uma das companhias indie mais aclamadas na indústria e que título após título continua a surpreender. Com uma estética visual muito característica, as experiências da Supergiant Games marcaram com o uso de um narrador dinâmico e de um gameplay simples, mas frenético. Hades surpreendeu ainda mais do que Bastion, Transistor ou Pyre ao apostar numa experiência roguelike para um Action RPG, o que desde logo se torna num dos seus mais fortes traços. Uma experiência roguelike significa que quando perdes recomeçarás do zero na próxima tentativa, algo que contraria o estilo da Supergiant, cujos jogos focados na narrativa se focam na progressão e descoberta de novos locais.

Hades inspira-se fortemente na mitologia Grega e mostra-te as inúmeras tentativas de Zagreus escapar ao submundo, controlado pelo seu pai Hades, que não revela qualquer paixão pelo seu filho. Zagreus está farto de permanecer preso naquele local e de forma a tentar assegurar que assistes a todos os diálogos alternativos e linhas narrativas que se ramificam, a Supergiant aposta neste esquema roguelike através do qual assegura que voltarás imensas vezes aos salões principais do submundo, após uma tentativa que perdeste numa das inúmeras salas aleatórias. Zagreus pode usar diversas armas, feitiços ou habilidades especiais e é no combinar destes três elementos que o gameplay se eleva.

Nenhuma tentativa será igual a outra pois Hades incentiva-te constantemente a tentar desbloquear o que tu queres. Através das recompensas visíveis antes de optar pela próxima sala, podes obter o item que queres para desbloquear habilidades, cosméticos ou as sensacionais armas que modificam de forma significativa como interpretas o gameplay, que na sua camada inicial é bem simples e direto. Após quase 2 anos em Acesso Antecipado, Hades foi finalmente lançado em versão terminada em Setembro de 2020, com direito a versão Switch, algo que o marca pois seja o feedback da comunidade com o constante afinamento, Hades é um jogo que não nasceu agora, foi aprimorado ao longo destes meses.

Método Supergiant

A Supergiant gosta de contar narrativas de forma dinâmica, através de narradores que discursam em tempo real e mostra de forma dinâmica uma capacidade de se adaptarem ao contexto. Além disso, as suas narrativas são descobertas diálogo a diálogo, interação a interação, o que encontra um novo expoente em Hades pois estás constantemente a voltar ao salão principal do submundo. Ali, conversarás com deuses e outras criaturas, serás rebaixado de forma mesquinha pelo teu pai e poderás descobrir um pouco mais de Zagreus e da sua vida, especialmente do porquê de querer tanto escapar dali. É através desta metodologia que a Supergiant mostra o seu brilho e se distingue dos demais, com incrível atenção ao detalhe, sendo para mim uma das melhores produtoras indie da atualidade.

Em Hades, quanto mais jogas mais divertido se torna, mais viciante fica e mais ferramentas desbloqueias para tentar escapar. Ao mesmo tempo, quando perdes, és obrigado a reiniciar, mas não voltas à estaca zero. Ao interagir com as outras personagens fazes a narrativa avançar, descobres mais deste jogo repleto de charme e tens tudo o que ganhaste na tentativa anterior para te impulsionar na seguinte.

Antes de iniciar uma tentativa de fuga, tens de escolher uma arma e todas elas tem os seus pontos fortes e limitações. Desde espadas, punhos, lanças, metralhadora ou até um escudo, quase todas são divertidas de usar e representa uma forma de interpretar este sistema de combate que por vezes mais parece um hack n slash isométrico. Todas as armas têm um ataque alternativo e um forte, algo que combinado com o dash e a habilidade especial te permitirá percorrer as diversas salas, derrotar inimigos, obter buffs e habilidades, recompensas e escapar.

Buffs, armas e roguelike

Onde a Supergiant realmente demonstra capacidade e saber, especialmente com toda uma comunidade a ajudar, é na sensação de querer sempre jogar mais e que o teu tempo não é perdido. Encontrar a arma que mais gostas e prestar atenção a como as dádivas dos deuses no final de cada sala melhoram as tuas probabilidades de chegar mais longe torna-se num vício. A qualidade geral é imensa e tudo é feito com propósito, o que ajuda Hades a triunfar de formas que outros jogos não conseguem, mesmo que façam algo similar. A atenção ao detalhe é visível no equilíbrio entre simplicidade e profundidade. Hades parece estranhamente simples, até o é em termos de gameplay, mas está repleto de camadas que incutem estratégia.

Ao escolher a dádiva dos deuses, poderás deparar-te com aquela que tanto beneficia o escudo (como deflect aos ataques de longo alcance), como poderás obter uma que vai permitir à tua lança causar maior dano no ataque secundário, por exemplo. Experimentar, perder, voltar a experimentar e descobrir a arma que mais gostas de usar e quais as habilidades que favorecem o teu estilo de jogo (até para o dash existem dádivas que transforma o gameplay e o tornam mais frenético). Além disso, antes de entrar na próxima sala vês a recompensa que poderás obter ao eliminar todos os inimigos e assim podes optar por perseguir o item que queres para desbloquear algo que mais te interessa.

Sejam chaves para desbloquear mais armas, itens para adquirir mais habilidades e buffs (como uma segunda vida, por exemplo) ou prendas que podes dar aos deuses em troca de outros itens, sem esquecer as pedras verdes que te deixam alterar visualmente os salões principais de Hades, a Supergiant afinou o jogo para que sintas estar sempre a trabalhar em prol de um objetivo do teu interesse. Quando tens um gameplay tão bom e divertido quanto este, essa sensação de propósito personalizado é um belo toque.

Incansável vontade de superação

O que mais satisfação me dá em Hades é verificar o quão divertido é e por mais vezes que tente escapar, quero sempre tentar mais uma vez e minimizar os erros ou melhorar as reações. Hades pode ser jogado de forma simples e imediata, como um jogo de ação no qual apenas queres testar os teus reflexos, como pode ser jogado com minuciosidade e atenção ao detalhe. Todas as armas são divertidas de usar e modificam o teu comportamento, combinado com os buffs e habilidades que melhoram o teu estilo de jogo, Hades exige assim mais atenção e em troca dá-te mais emoção. A Supergiant Games está de parabéns por se exceder e criar o seu melhor jogo, até à data.

Prós: Contras:
  • Estética visual ao bom estilo da Supergiant Games
  • As armas são tão boas que se torna complicado eleger a favorita
  • Gameplay simples, mas frenético, e até estratégico
  • Buffs aleatórios tornam cada tentativa singular
  • Banda sonora de grande qualidade
  • Agarra-te e deixa-te sempre com vontade de tentar mais uma vez
  • No final de cada sala podes escolher qual a seguinte e a recompensa que terás
  • Estrutura roguelike que te força a recomeçar do zero poderá saturar alguns
  • Poderá demorar até 5 horas para passar a primeira zona e sentir verdadeira evolução

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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