Kingdoms Of Amalur: Re-Reckoning review - renascido

Um Action RPG divertido e complexo que perdeu algum do seu brilho.

O remaster mostra o quão bom é o gameplay e que resistiu ao teste do tempo. Mas a estrutura e o trabalho em si do remaster acusam a idade.

Foi em Fevereiro de 2012 que a 38 Studios e a Big Huge Games apresentaram, com a ajuda da Electronic Arts, o jogo Kingdoms Of Amalur: Reckoning, um promissor Action RPG que tentava estabelecer as fundações para uma nova propriedade intelectual. Criado com o envolvimento de nomes como Ken Rolston (principal designer em The Elder Scrolls III: Morrowind e The Elder Scrolls IV: Oblivion), R. A. Salvatore (autor com inúmeras obras de fantasia publicadas), Todd McFarlane (criador de Spawn e uma lenda no mundo dos comics) e ainda Grant Kirkhope (compositor de diversas bandas sonoras de videojogos, como Perfect Dark ou Banjo-Kazooie), esta é uma mega produção que prometia deixar o seu nome gravado na indústria dos videojogos.

Longe de ser um jogo perfeito, este Action RPG que mais parece um MMO singleplayer (devido a inúmeras mecânicas, regras e estrutura das missões secundárias), Kingdoms Of Amalur: Reckoning deixou boas memórias à grande maioria dos seus jogadores. No entanto, a performance na PS3 e Xbox 360 não era das melhores e a ambição dos seus vastos locais também significou alguns problemas a nível técnico. Os problemas que assolaram os donos da propriedade e as vendas muito abaixo do necessário para cobrir os custos travaram os planos para se tornar numa série. Perdida no limbo durante muitos anos, a propriedade foi comprada pela THQ Nordic que inicia o seu regresso com um remaster deste jogo.

Mais de 8 anos após o lançamento da versão original, a THQ Nordic quer ver o mundo a reconhecer mais uma vez o potencial da propriedade e apresenta-te Kingdoms Of Amalur: Re-Reckoning, um remaster que até terá direito a nova expansão em 2021. Enquanto esperas pelo anúncio de uma sequela, este Re-Reckoning é o melhor que terás e para pessoas como eu, que passaram ao lado do lançamento original, é a oportunidade mais do que perfeita para descobrir a razão de todo o furor que existe em torno do jogo.

No entanto, devo confessar que isso me colocou numa posição estranha pois se por um lado consegui confirmar, tal como me disseram durante imensos anos, o quão divertido e interessante Kingdoms Of Amalur: Reckoning é, por outro fiquei com a clara impressão que este remaster está longe de ser perfeito. O trabalho da Kaiko Games, um estúdio com pouca expressão e que normalmente trata da conversão de jogos para outras plataformas, não é plenamente satisfatório e, apesar deste remaster estar muito superior ao que viste nas anteriores consolas, não consegue evitar queixas.

Uma entusiasmante fundação

Na review feita à versão original, foi destacado como as especificidades deste jogo o distinguem dos demais, especialmente no universo das consolas e passados 8 anos isso ainda é verdade. Jogar Kingdoms Of Amalur: Re-Reckoning em 2020 ainda te deixa a impressão que não há muito que se possa comparar. É um Action RPG muito fácil de jogar e divertir, cujo sistema de combate é incrivelmente simples, mas repleto de regras e mecânicas vistas nos mais complexos RPGs. Rapidamente aprendes o sistema de combate e os movimentos, contra-partidas expectáveis de cada arma (como maior poder, mas mais lenta), os controlos são igualmente fáceis de aprender e tudo decorre a boa velocidade, muito dinâmico. É um atestado à qualidade do seu gameplay, que passados 8 anos te consigas divertir tão facilmente com Kingdoms Of Amalur: Re-Reckoning.

No entanto, a narrativa criada é profunda, o mundo de jogo enorme, a gestão de inventário e equipamento constante, a subir de nível tem um toque de complexidade pois ao escolher o tipo de personagem e o foco dos seus atributos ficarás privado de alguns equipamentos ou buffs de armas. Apostar no caminho Might, por exemplo, permite-te criar um guerreiro poderoso que usa espadas e machados de guerra, mas que pouco usará equipamento com magia. Esta gestão e os atributos que escolhes ao subir de nível conferem grande personalização a Kingdoms Of Amalur: Re-Reckoning, mas exigem um pouco mais da tua atenção. Este equilíbrio entre a acessibilidade de alguns elementos como o sistema de combate e a outros mais complexos, como a gestão do personagem resultam numa experiência divertida.

Ainda hoje estes valores enriquecem a experiência e conseguem aquela sensação de "vou jogar só mais um pouco" que ajudam as horas a passar. A base original é entusiasmante e ainda preserva apelo para os adeptos do género. Mesmo longe de um estatuto de brilhantismo que o consagraria como um clássico a não perder, é divertido e o que faz bem tem mais peso do que as falhas. No entanto, existem elementos nativos do jogo que não resistiram tão bem ao teste do tempo e outros relacionados com o trabalho do remaster que deixam a desejar, eEspecialmente no que diz respeito ao tratamento visual e à melhoria na performance.

"O gameplay ainda é divertido, mas existem questões técnicas e visuais que fragilizam o potencial deste remaster da Kaiko Games para a THQ Nordic."

Um remaster que não corrige todas as falhas

Descobrir pela primeira vez Kingdoms Of Amalur: Reckoning em 2020 com a ajuda deste remaster foi um prazer muito superior ao que imaginava. Ainda é um jogo diferente da grande maioria do género nas consolas e isso é o que considero um atestado à sua qualidade. No entanto, existem aqui problemas relacionados com a qualidade do original e outros com o trabalho de remasterização que afectam esta nova versão. É verdade que por vezes só dás valor ao que tens quando olhas para o passado e Kingdoms Of Amalur: Re-Reckoning é um exemplo disso. Após 8 anos a vibrar com jogos em mundo aberto, voltar para um mundo expansivo mas fragmentado parece muito datado. Além dos constantes loadings com 35 segundos entre zonas ou fast travel (se morreres enfrentas o mesmo tempo de espera), sentirás um constante quebrar na acção que fragmenta o potencial da experiência. No entanto, acaba por ser um factor relativamente tolerável, enquanto outros nem tanto.

O que mais esperarias de Kingdoms Of Amalur: Re-Reckoning seria uma performance perfeita e uma qualidade gráfica livre de anomalias, mas nenhuma delas acontece. O pop-in de elementos do cenário é praticamente constante, varia de acordo com a escala do local e com a riqueza visual do mesmo, quanto mais detalhado e complexo no original, mais problemas terá no remaster, enquanto o trabalho de melhoria nas texturas e iluminação apenas reforça a inconsistência gráfica geral. Existem locais que parecem ter recebido mais carinho do que outros. Além disso, a performance não é perfeita e se tudo parece muito fluído e dinâmico, basta enfrentar um inimigo de maior porte ou diversos adversários e sentirás a acção a ficar lenta.

Revisitar um local outrora mágico

Kingdoms Of Amalur: Re-Reckoning é a tua oportunidade para revisitar um local outrora incrivelmente mágico e que, passados 8 anos, conseguiu preservar a grande maioria dessa magia. Enquanto jogo, ainda é divertido e muito interessante, capaz de te agarrar por mais de 50 horas se te quiseres perder neste mundo. No entanto, enquanto remaster, não é propriamente o que esperarias. A performance não é totalmente perfeita, os loadings podem tornar-se aborrecidos e o pop-in constante de elementos dos cenários não ajuda em nada a qualidade gráfica inconsistente. No entanto, se estás à procura de um Action RPG com conceitos MMO que te poderá relembrar de outras séries como Fable, este Kingdoms Of Amalur: Re-Reckoning poderá ser do teu interesse.

Prós: Contras:
  • Action RPG divertido e complexo
  • O gameplay resiste ao teste do tempo
  • Sistema de combate
  • Repleto de regras e mecânicas, mas na mesma fácil de jogar
  • Um mundo enorme repleto de locais variados ricos em fantasia
  • Estrutura fragmentada do mundo significa diversos loadings
  • Loadings com mais de 34 segundos no fast travel e troca de zonas
  • Problemas na performance não esperados num remaster
  • Problemas gráficos como pop-in
  • Aspecto visual acusa o passar do tempo

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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