Battletoads - Review - Super Sapos

Difícil, desafiante e viciante.

Battletoads é provavelmente uma das maiores razões pela qual a Rare Studios ficou conhecida. É também o início de uma série de lançamentos que marcaram a puro ouro a sua década de 90. A companhia poderá ser especialmente conhecida por jogos como Donkey Kong, Killer Instinct, GoldenEye 007, Banjo-Kazooie, Conker ou Perfect Dark, que demonstram de forma eficaz os gloriosos anos a colaborar com a Nintendo, mas Battletoads foi a origem dessa mítica parceria. Assim sendo, não surpreende que desde a aquisição pela Microsoft, os pedidos para ressuscitar algumas das suas mais aclamadas séries são mais do que muitos e após anos a reinventar a sua imagem, um dos maiores pedidos foi finalmente realizado, através deste novo Battletoads.

Desde sempre um objecto de culto e um dos mais irreverentes beat'em ups da década de 90, Battletoads deixou o nome da Rare marcado na SNES. É um jogo que modifica constantemente o seu gameplay, surpreende pela sua elevada dificuldade, envolta num irreverente estilo visual e musical. É um jogo repleto de estilo e que muda por completo o que esperas de um jogo de um género específico, algo que surpreendeu na altura e o elevou para um estatuto único. Agora em 2020, tantos anos depois desse marcante lançamento, Battletoads regressa e o mais curioso é verificar que apenas precisa ser igual a si mesmo para triunfar, não precisa inventar. Vivemos numa era de híbridos, na qual já tivemos irreverentes e excêntricas experiências incrivelmente difíceis e existe um maior interesse geral por elas.

A Dlala Studios, com quem a Rare volta a colaborar em Battletoads e que assumiu o principal papel no seu desenvolvimento, apenas (como quem diz) tinha de acertar no equilíbrio entre respeito pelo clássico e actualização da experiência de jogo pois a essência em si é incrivelmente actual. Ao longo destes últimos meses, o silêncio em torno de Battletoads trouxe alguma ansiedade, mas o recente trailer que revelou a estética actualizada devolveu a esperança e posso dizer que este é já um dos meus jogos favoritos destes 8 meses de 2020. Poderá ser considerado um título "menor" dentro do panorama geral da Xbox Game Studios, mas é precisamente o tipo de jogos que te dão uma grande diversão, desafio e vontade incrível de partir o comando, se o conseguires largar das mãos.

Grandiosamente freak

Desenvolver a sequela para aquele que é considerado um dos jogos mais difíceis de todos os tempos imagino ter sido um desafio duro, especialmente porque é uma postura que lidera todo o design e poderá facilmente criar problemas. Ser difícil apenas porque sim é mesquinho, ser difícil de uma forma que incita em ti a sensação de triunfo é glorioso. No entanto, a Dlala, com a ajuda da Rare, captou na perfeição o que esperarias de um Battletoads em 2020. Desde o design visual 2.5D gloriosamente desenhado à mão, a estética e profundidade dos cenários, alcançada através de camadas diferentes nos diversos locais, a banda sonora, cutscenes, e enredo remetem-te de imediato para um desenhado animado de Sábado de manhã dos anos 90. Algo que te posso assegurar é que Battletoads capta na perfeição o espírito do original, numa versão actualizada e consequentemente todo um tom anos 90 que pensarias não ser possível de capturar.

Os mini-jogos surreais que te vão deixar de testa encorrilhada, as secções com as motos e aquelas diabólicas secções de plataformas nas quais o mínimo erro te leva de volta ao checkpoint estão todas aqui presentes, num jogo que se torna visualmente sensacional. Como referido, a Dlala acertou em cheio na essência de Battletoads e isso não se aplica somente ao quão multi-facetados são os estilos de jogo, também se aplica à sua elevada dificuldade realizada com saber e sem se sentir "cheap". Battletoads exige imenso de ti e tu vais sentir que se deres mais de ti, melhor te sentirás. Apesar da simplicidade da experiência e até dos controlos, existem imensas mecânicas a ter em conta em cada secção e os teus reflexos serão constantemente testados. Experimenta jogá-lo com amigos e poderás ver o quão frágeis são algumas amizades.

Se num momento estás a percorrer da esquerda para a direita cenários repletos de pequenos grandes detalhes, este beat' em up side-scrolling repleto de inimigos venenosos que testam a tua agilidade. Serás constantemente forçado a trocar entre Rash, Zitz e Pimple, se jogares a solo, para tirar proveito da maior força, agilidade ou equilíbrio de cada um, mas no capítulo seguinte do mesmo acto poderás estar montado numa moto flutuante a tentar desviar dos obstáculos a velocidade vertiginosa. Tudo engenhosamente simples, mas gloriosamente difícil e é isso que me cativou tanto em Battletoads. Não é um jogo que recorre de forma barata à nostalgia, é um jogo embrenhado em diversão e metodologia. Na altura do original destacava-se por motivos infames, mas agora encaixa na perfeição com outras recentes experiências. As massas estão melhor preparadas para experiências difíceis e um sector específico até procura por elas.

"Battletoads é super difícil, multi-facetado e altamente divertido. É um daqueles jogos que te fará querer partir o comando, para a seguir te fazer sentir espectacular".

Ainda assim, consegue ser algo próprio, mesmo que a dificuldade te faça pensar no quão populares os jogos super difíceis se tornaram, especialmente porque revitaliza uma propriedade que há muito parecia perdida. Outro exemplo da qualidade de Battletoads que te poderá apanhar desprevenido são os capítulos em que controlas uma nave e se transforma num twin-stick shooter. Foi aqui que mais senti vontade de mandar o comando pelo ar, mas também onde percebi que não conseguia parar de jogar. Estes momentos de grande dificuldade e fácil frustração alternam entre engenhosas secções de plataformas com uma energia totalmente diferente das secções beat'em up e foi mais ou menos por aqui que dei por mim totalmente rendido a Battletoads. Diria que somente as boss fights não se conseguem distinguir pela positiva ou negativa, simplesmente existem e cumprem a sua função, sem surpresas.

Battletoads dura cerca de 5 horas e jogado com amigos poderá tornar-se numa experiência incrivelmente divertida, mas com ocasionais frustrações. Existem mini-jogos que a solo são horríveis de completar, testam mesmo a tua paciência, enquanto outros com amigos serão um teste à amizade. No entanto, a dificuldade é bem-vinda e torna-se num dos melhores traços da sua personalidade. Faz dele um jogo com mérito, que te dá mais vontade de jogar e de querer jogar melhor. Poderá afastar imensos jogadores (que terão uma dificuldade mais acessível como alternativa), mas é um daqueles jogos que parece ter saído directamente dos anos 90 e recriado com todas as coisas sensacionais que a actual tecnologia permite, seja a arte desenhada à mão e gloriosamente colorida ou a excentricidade do gameplay. É um espírito punk que se revolta contra o que seria de esperar num género específico.

Retro chique

Após o sensacional Streets of Rage 4, temos agora Battletoads para relembrar alguns dos melhores momentos da década de 90. No entanto, apesar de honrar o seu legado, este novo Battletoads parece vibrar pelo facto da equipa saber que existe um maior interesse por experiências diabólicas para o teu ego e desta forma validar a sua infame dificuldade. Este não é um beat 'em up puro e duro, essa é apenas uma das suas facetas. Inclui secções com motos, naves no espaço e até em plataformas 2D, sem esquecer os surreais mini-jogos. Isto faz com que a desgovernada jornada de Rash, Zitz e Pimple seja muito mais do que poderias imaginar. É um sensacional e electrizante "indie" da Xbox Game Studios cuja esplendorosa arte 2.5D desenhada à mão o torna num jogo a guardar com estima. A banda sonora que parece saída de uma série de animação dos anos 90 é a cereja no topo do bolo.

Prós: Contras:
  • A elevada dificuldade faz-te querer superá-lo
  • Visualmente parece um "saturday morning cartoon" em movimento
  • Argumento tonto e bem humorado que entretém
  • Gameplay multifacetado e incrivelmente exigente
  • Presta homenagem ao clássico em diversas secções
  • Alguns mini-jogos são horríveis
  • Ocasionais segmentos frustrantes testam a paciência
  • Pouco a fazer após o terminares
  • Nenhuma boss fight se destaca

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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