Paper Mario: The Origami King - Review - Herói desdobrável

Mergulho em confetes.

Do mesmo estúdio que proporciona a incrível série Fire Emblem, chega mais uma aventura da série Paper Mario, desta vez com o subtítulo The Origami King. Numa série em que o papel é central, faz sentido o origami enquanto forma de cultura japonesa. Consiste em dobrar folhas de papel até adquirirem as mais variadas formas, podendo ser um pássaro ou uma estrela. As possibilidades são infinitas e a Intelligent Systems presta aqui um magnífico tributo a essa arte oriental. Mais uma vez, o estúdio que nos deu Paper Mario: Thousand Year Door, experimenta uma série de novas funcionalidades e mecânicas, ao mesmo tempo que retoma parte da estrutura de formação dos mundos e espaços abertos de Color Splash, o Paper Mario da Wii U, editado há quatro anos.

O resultado é um jogo aberto na forma como manipulamos uma série de elementos. De objectos sujeitos a interacção espalhados por cenários multi-coloridos, até aos poderes especiais de Mario, como uns braços extensos, The Origami King exala cor, arte e um sentido de estratégia e puzzle dentro das batalhas por turnos, conjugando muito daquilo a que nos temos habituado ao longo de várias gerações de plataformas com uma apresentação impecável.

Peach novamente raptada

Talvez não partilhe da mesma incisão de um Fire Emblem, mais arrojado do ponto de vista narrativo, com personagens com as quais acabamos por estabelecer grande afinidade, mas parte do interesse em Paper Mario reside na simplicidade com que é revelado este mundo em tons de um desenho animado, num apelo a jogadores de todas as idades, através de uma história mais leve e descontraída mas nem por isso menos apetrechada de bons momentos. Depois de A Thousand Year Door, The Origami King é capaz de projectar a narrativa mais consistente e equilibrada, a qual nos leva a acompanhar com interesse novas personagens, nomeadamente Olivia, uma amorosa e desdobrável criatura que funciona como uma aliada de Mario e Luigi, na senda contra o irmão King Olly, responsável por capturar Peach e por querer transformar o Mushroom Kingdom num origami Kingdom.

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À procura dos Toads. Existem imensos puzzles e quebra-cabeças nos mundos que compõem Origami King.

Há momentos de maior descontração e esvaziamento narrativo em prol de uma dedicação à exploração e interacção com este renovado Mushroom Kingdom. Pese embora a linearidade na forma como as áreas estão ligadas, há toda uma atenção ao detalhe, bem como uma arte muito vincada, especialmente quando entramos na Toad Town, maravilhoso bairro pelas suas casas clássicas, jardins tratados e cores contrastantes. As maiores surpresas, assim que passamos à exploração, nem estão nos insuspeitos aliados, pois não é regular terem Bowser e o seu exército do nosso lado (querem escapar da condenação imposta por King Olly), mas no renovado sistema de combate.

Habituados a Paper Mario, talvez este seja o ponto mais distintivo, ainda que aproveite e dê por adquirido muito do que vimos nos sistemas de combates por turnos. O básico, apresentado através de breves explicações que não podem escapar, é composto pelos ataques de marreta, ou aos saltos, como é de lei em qualquer Super Mario. Mas a grande diferença está no sistema rotativo, uma espécie de zona circular (planetária) que envolve várias camadas, estando os inimigos posicionados da zona interior até à camada exterior, mais afastada, em pontos distintos. Num tempo limite, Mario procura alinhar os inimigos em fila (numa ou mais), já que eles tendem a ficar dispersos. Depois de bem alinhados basta activar um ataque regular ou recorrer a algum golpe especial para o caso de uma "boss fight". Se o ataque sair bem, há sucesso garantido.

O número de inimigos presente no círculo permite activar as rotações possíveis, como forma de obter o melhor posicionamento. É um sistema engenhoso e interessante se queremos sair daquela situação com vantagem, a conjugação de elementos mais tradicionais num puzzle com os elementos de role play. Mas por aqui também se faz alguma diferença relativamente aos mais tradicionais jogos de role play, já que em termos de experiência não há qualquer tipo de acumulação de pontos, não há barra de vida dos adversários, nem são melhoradas determinadas habilidades. Os golpes especiais derivam do equipamento adquirido.

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Batalhas contra os boss, são mais demoradas.

Grande parte destes combates são travados por opção, permitindo um ganho monetário que pode ser canalizado para aquisições de armas e equipamento. Também podem ser chamados a combater através de situações fortuitas, quando abrimos uma porta ou acedemos a algum espaço e somos confrontados com uma Gomba origami que não é possível evitar. De resto, e com os adversários bem à vista, só entramos em combate quando queremos. Ao redor da arena, existem bancadas que vão ficando cheias à medida que enfrentamos rivais mais poderosos. Embora estejamos diante de um sistema inovador, a breve trecho sentimos alguma simplicidade na sua execução e até alguma repetição.

Mundos vibrantes

Não estamos de modo algum sempre a combater, mas seria interessante contar com um sistema capaz de proporcionar mais diversidade, embora seja justo salvaguardar que a aquisição de equipamento, items e armas, adquirem alguma semelhança com a aquisição de experiência. É uma opção diversa mas que acaba por retomar alguns princípios titulares dos jogos de role play. Por isso é que The Origami King é um jogo que não se pode considerar bem um título de role play, antes ajustado a uma diferente execução.

O maior brilho deste Paper Mario provém da construção e apresentação dos mundos. Existem imensos puzzles a resolver entre as áreas e toda a interacção é bastante proveitosa. Não é necessário um poder de observação acima da média para resolver os quebra-cabeças. Alguns são bastante simples, aliás, como já dissemos, pode ser desfrutado tanto por mais novos como por mais velhos, sejam pessoas experientes em jogos ou não. A variedade dos mundos é assinalável, embora não se possa falar em verdadeiros mundos abertos, pois há inúmeras ligações, sendo a Toad Town o núcleo urbano.

The Origami King é uma experiência acessível, dotada de um sistema de combate diferente do habitual embora aproveite as raízes da série. Porém, é na exploração deste mundo peculiar e desdobrável, assente numa narrativa melhor urdida, que encontramos mais motivos para sorrir. Dos visuais, à música e apresentação, passando pela tradução para o inglês com o habitual toque humorístico, nota-se um trabalho muito consistente e aprazível. Na tentativa de encontrar algo de novo, o sistema de combate é talvez o ponto que poderá lançar mais dissonância. No entanto, não põe em causa o âmbito global da experiência.

Prós: Contras:
  • Estilo Origami bem representado
  • Diversidade e apresentação de mundos
  • Puzzles e constante interacção com o mundo
  • Banda sonora
  • Tradução para o inglês e o tom cómico
  • Narrativa bem construída
  • Sistema de combate algo repetitivo
  • Ausência de evolução por experiência
  • Menor consistência nalgumas batalhas.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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