Death Stranding PC - Review - Uma nova existência

Aprimoramento aos sentidos.

Uma experiência única e imperdível destinada a voos mais altos. É tudo o que temos na PlayStation 4 e mais além.

Transportar um jogo que é concebido especificamente para determinado hardware, neste caso a PlayStation 4, para outra plataforma, nem sempre foi executado da forma mais assertiva. Em certas ocasiões são colocadas de lado determinadas particularidades e capacidades de um hardware mais capaz e com múltiplas opções. Não raramente os estúdios se limitam a fazer uma cópia directa, onde nem os fotogramas por segundo são alterados, aumentando apenas a resolução. Death Stranding não se fica pela mera clonagem, mas poderia e deveria ir mais além.

É notória a melhoria visual, isso é inegável, com uma fluidez de imagem tão proeminente que nos arranca um sorriso logo à entrada, verdade mesmo. Igualmente fenomenal é a opção ultrawide, jogar a 21:9 deveria ser obrigatório num jogo como este. Por vezes deparamo-nos com o nosso espírito a vaguear de deslumbramento pela paisagem saída da mente de Hideo Kojima, que tem aqui o brotar de toda a sua criatividade. O referido ultrawide, em sintonia com o upgrade em fotogramas, tornam esta experiência tão impressionante que nos esquecemos de tudo o que poderia ter sido acrescentado a nível visual.

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Paisagens deslumbrantes onde nos perdemos em sentimentos quase incompreendidos.

"A união das pessoas vai muito além do jogo, ultrapassa a barreira do universo virtual e transborda para uma ligação à realidade"

O entendimento contextual de Death Stranding, o cerne e as bases onde se cimentou, é bem desenvolvida na nossa análise à versão PlayStation 4, sendo absolutamente a mesma aqui. Temos uma sociedade destruída por eventos até então desconhecidos, criando um mundo quase desprovido do traço humano, como um vislumbre dum paraíso utópico que oculta a humanidade, sem que esta seja o dominador que tudo pode e faz. A vida e morte estão em ligação, cria a perseguição humana por algo após a morte, uma busca intemporal sem resposta.

As ligações são um marco a atingir, ligar um país inteiro tornando a sociedade novamente funcional, unindo facções distanciadas por ideias divergentes, que nos separam e nos afastam quanto comunidades. Essa é a tarefa de Sam, o nosso protagonista que é um elemento chave em todo este compilar de matrizes. Esta tarefa de unir um país é elaborada apenas com a complexidade suficiente, tornando Death Stranding tão fresco de se assimilar. Nada aqui é demasiado complexo, deixando o jogador degustar a seu ritmo esta obra criada por Kojima.

A união das pessoas vai muito além do jogo, ultrapassa a barreira do universo virtual e transborda para uma ligação à realidade numa coordenação executada com mestria. Este sistema de Likes, Social Strand, implementado faz com que tudo o que é feito por nós seja merecedor de feedback por parte da comunidade e do próprio jogo. Quantas vezes dei por mim com dificuldade em chegar a determinado destino, quando vislumbro ao longe um abrigo construído por outro jogador que me irá permitir descansar e recuperar do desgaste da viagem. São estes pequenos grandes pormenores que atribuem a esta obra um sentido especial e único.

Já acima referido, temos exactamente o que é encontrado na PS4, mas com um toque especial dado por uma parceria inesperada, mas ao mesmo tempo natural, entre a Kojima Productions e a Valve, mais concretamente pelo cruzamento com Half-Life e Portal. Não vou estragar as surpresas, apenas refiro que são missões secundárias específicas, em que obviamente teremos que executar determinada tarefa para as completar. Umas mais complexas que outras, mas bem explícitas e de fácil análise, nunca ficando esquecidas muito devido à opção de as destacar das demais para que assim não aconteça.

Já ando neste mundo dos videojogos desde as suas origens, e ver uma das minhas franquias mais queridas evidenciada num jogo tão singular mexe com o íntimo pessoal. Esta parceria é tão única como natural, criando uma ligação a mundos quase paralelos que poderiam coexistir. Após completar cada missão, somos recompensados com artigos tanto cosméticos como influenciadores directos na jogabilidade, mais não acrescento, descubram por vocês.

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Um dos cosméticos que podemos adquirir nas missões especiais do universo Half-Life.

"Inclusão da tecnologia DLSS 2.0 da Nvidia, que favorece e permiti ganhos em performance em toda a sua linha RTX"

Voltando ao início desta análise, e o que realmente importa na versão PC de Death Stranding, que é de facto a transposição de plataforma e se foi feito tudo o que deveria ter sido feito. Não é fácil chegar a uma conclusão directa, pois apesar de tudo o que é acrescentado, que eleva o jogo a outro patamar, mais deveria, e obviamente poderia, ter sido feito. O jogo não tira partido de todo o poder do PC, pois como referi na minha preview, a placa gráfica nunca atinge o limite de utilização, talvez com novos drivers da Nvidia isso venha a mudar.

Relevante é a inclusão da tecnologia DLSS 2.0 da Nvidia, que favorece e permite ganhos em performance em toda a sua linha RTX. Presente também está a tecnologia FidelityFX CAS da AMD, que aplica um sharpening à imagem para que esta fique mais nítida, limpa. É muito útil quando utilizamos o TAA como anti-aliasing, que por norma coloca a imagem com muito blur, e o FidelityFX CAS trata de melhorar esse problema de imagem, permitindo aplicar o nível de sharpening que desejamos.

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Campo de visão alargado só possível com monitores ultrawide. Devia ser obrigatório jogar a 21:9.

"Jogar dezenas de horas a versão PS4 e dar este salto que é gigantesco, com fotogramas por segundo desbloqueados onde existe um renascer de Death Stranding"

Visualmente temos então um jogo com melhorias evidentes em resolução, opção ultrawide, e fluidez de imagem sem precedentes. Para além destas metas alcançadas gostaríamos de ter visto mais impacto noutros campos, como a nível de texturas que são basicamente apenas mais definidas que na PS4 muito devido à resolução, e iluminação reformulada com a implementação do ray tracing. Já me imagino a deambular pelas paisagens de Death Stranding com ray tracing implementado e HDR de elevada qualidade. Um sonho não tornado realidade. Mas temos que voltar ao que mencionei vezes sem conta na minha preview, a passagem da barreira dos 30fps. É algo que só visto, vivido e sentido. Nem todos irão ter essa oportunidade, de jogar dezenas de horas a versão PS4 e dar este salto que é gigantesco, com fotogramas por segundo desbloqueados onde existe um renascer de Death Stranding.

Esta expedição é indispensável a todos os apreciadores de arte jogável. Uma sintonia perfeita de som e imagem para os sentidos, que nos transporta para uma solidão inquietante. Death Stranding PC é tudo o que encontramos na PS4 e muito mais. Uma narrativa digna de se viver, alimenta o nosso íntimo, e chega agora a todos os que não tiveram a possibilidade de o jogar na máquina da Sony, mas também a quem o quiser revisitar, seja pela melhor experiência de jogo aqui conseguida bem como pelos extras trazidos do universo Half-Life e Portal. Imperdível.

Prós: Contras:
  • Fotogramas por segundo desbloqueados
  • Suporte para monitores ultrawide
  • Missões extra do universo Half-Life e Portal
  • Banda Sonora de cortar a respiração
  • Paisagens que nos deixam a vaguear pelos sentidos
  • Poderia ir mais além nas opções gráficas
  • Não chegou mais cedo ao PC

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Sobre o Autor

Adolfo Soares

Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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