Clubhouse Games: 51 Worldwide Classics review - Edição velhotes

No banco do jardim.

Todas as listas ou selecções dos melhores de qualquer coisa estão sempre sujeitas a discussão. Este arranjo de 51 clássicos "clubhouse", por via da NDCube, não é diferente. Não há listas definitivas. Mas pelo menos encontramos em qualquer uma, desde que bem fundamentada, uma tentativa de organização que nos mostra uma perspectiva curada, servindo muitas vezes como montra possível. Neste caso, veicula a ideia que o ser humano joga desde sempre e que na maior parte dos jogos seculares existem influências geográficas, tornando interessante o prospecto. O que é um clássico? Um jogo popular jogado desde quando?

Jogamos toda a vida, algo que fazemos desde os primórdios da humanidade. Até no ensino somos introduzidos a muitos destes jogos. Chegamos à idade escolar e já conhecemos um baralho de cartas ou sabemos mexer com peças do dominó. Crescemos a jogar e estudar jogadas num tabuleiro de xadrez. São passatempos marcados pela competição mas também por um aguçar da inteligência, de operações e cálculos com que podemos vencer um adversário. No extremo do treino existem livros e até manuais que explicam minuciosamente como se pode ser melhor num determinado tipo de jogo. Há quem se perca nos jogos. Há quem encontre neles uma via profissional e competitiva.

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Mancala. Nalgumas tradições era permitido ao vencedor insultar e vexar o adversário, sem que este pudesse responder.

Nesta meia centena de jogos seleccionados encontramos sobretudo jogos de tabuleiro, jogos de brinquedo, cartas e peças, bem como as mais regulares adaptações a videojogos, como o bowling, a pesca, o bilhar, o golfe e os dardos. Não vão encontrar aqui grande inovação, pois é sobretudo pela preservação e apresentação dos jogos no seu estado original que esta oferta se distingue. Esse é o maior mérito, a boa adaptação dos jogos ao tipo de interacção permitida pela Switch, até porque por muito que saibamos jogar uma boa porção deles, há um conjunto que ainda nos surpreende, especialmente nos jogos orientais, de onde provêm os famosos baralhos de cartas hanafuda, curiosamente o primeiro negócio da Nintendo, o que é uma óptima forma de conhecer o passado desta companhia.

Simplicidade na apresentação das regras

Entrando no jogo, o normal é que muitos comecem por descobrir as propostas mais exóticas, especialmente o Hanafuda, Shogi, entre os jogos chineses. Nos jogos orientais é onde radicam as maiores surpresas. A apresentação é muito simples e eficaz. Antes de nos lançarmos no jogo podemos desfrutar de uma pequeno vídeo composto por uma partida em andamento. Há uma explicação simples sobre a origem do jogo, e as regras são facilmente apreendidas, sem grandes complicações ou quadros muito demorados. As situações de aprendizagem por tentativa e erro acontecem mas nalguns jogos só durante as primeiras partidas. Podemos activar um assistente e até tirar partido de um modelo de jogadas que nos orienta em momentos menos sondáveis.

De início é criado um avatar, com o qual podem interagir com outros avatares oriundos de diferentes pontos do planeta. Rapidamente descobrem que à localização de cada "boneco" corresponde um conjunto de jogos criados nesse ponto do globo. Os jogos ocidentais são os que mais facilmente identificamos, assim como os americanos. Podem desta forma optar por jogar títulos de um ponto do globo ou escolher um jogo individualmente, percorrendo o indicador de selecção, por uma ordem de "scroll" horizontal, desde o primeiro ao quinquagésimo primeiro.

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President é um jogo até quatro jogadores com grande popularidade no Japão.

Levaria muito longe mencionar aqui todos os jogos presentes, com as suas regras e especificidades. Descobrir o jogo na sua totalidade leva imenso tempo. Os clássicos que conhecemos dispensam apresentações, mas na sua grande maioria esta compilação pauta-se pela diversidade, bem capaz de nos surpreender nos seus meandros por bastante tempo, a solo, online ou partilhando a consola com outra pessoa (até um máximo de quatro nos jogos que contemplam a funcionalidade). À curiosidade em saber como se jogam muitos títulos que encontramos em museus, revistas e jornais, acresce o factor sorte associado a alguns deles, que sem grande complexidade - para nossa grande surpresa - se disputam, associados a breves períodos de tempo. Podendo revelar uma grande longevidade, é compatível com períodos curtos de disponibilidade, a pausa no almoço ou um intervalo a meio da tarde. E se nos fartamos de jogar algum passamos para outro.

Contra o computador ou contra humanos

Todos os jogos possuem diferentes níveis de dificuldade, pensando já nos principiantes e nos mais experientes, que pretendam encontrar no Xadrez, por exemplo, um rival à altura de Garry Kasparov. As opções permitem também alterar as regras, estabelecendo diferentes condições de vitória, por exemplo, e até mudar o design dos jogos. Diga-se que na sua esmagadora maioria a apresentação é bastante simples. Poderiam ter acrescentando um pouco mais de valor e polimento na apresentação, com mais perspectivas e uma apresentação com mais valores de produção. Como está tende a oscilar entre o minimalismo e o razoável, ficando a impressão no entanto que poderiam ter ido mais longe.

Jogar a solo é uma óptima forma de acumular experiência para os embates mais sérios online ou contra algum rival de carne e osso. Existem medalhas a lograr e objectivos a cumprir para cada jogo. Os registos são depois transportados para o nosso avatar, servindo de apresentação aos oponentes, demonstrando logo particular habilidade nalgum tipo de jogo. Nem todos os jogos estão preparados para receber multiplayer até quatro jogadores, embora o normal seja jogar contra um oponente, controlado pelo computador ou por um jogador verdadeiro, usando um Joy-Con e, quando possível, partilhando o ecrã táctil da consola.

É relativamente comum encontrar muitos jogos destes "a solo", ou então variantes desenvolvidas dos clássicos dentro de um modelo específico de progressão. É incomum e praticamente uma surpresa aceder a uma selecção assim tão grande e diversificada de jogos clássicos. Na sua maioria são jogos que nos lembram outros tempos e um tipo de experiência que tende a ser cada vez menos prevalecente mas que ainda integra os currículos escolares. Mas se alguns são mais conhecidos e sabemos como jogar de olhos fechados, para outros é uma óptima oportunidade para os experimentar, num ambiente de competição e grande acessibilidade.

Prós: Contras:
  • Meia centena de jogos é dose
  • Diversidade e quantidade permitem grandes surpresas
  • Acessibilidade
  • Modo assistente ajuda a compreender melhor as regras
  • Merecia mais produção e reforço visual
  • Nem todos os jogos contemplam opção para 4 jogadores

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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