Minecraft Dungeons review - Diablo cúbico

Um jogo de entrada para o género dos dungeon crawlers.

Minecraft Dungeons é um dungeon crawler simples, com um visual engraçado, mas com pouco conteúdo e variedade.

Tendo em conta que a Microsoft comprou Minecraft por mais de $2 mil milhões em 2014, estou surpreendido que esteja a demorar tanto tempo a explorar a propriedade fora do seu conceito tradicional. Minecraft Dungeons é um dos resultados dessa primeira "expedição", lançada com o intuito de explorar a viabilidade de Minecraft noutros géneros, neste caso específico, no género dos dungeons crawlers (aproveito para recordar que anteriormente tivemos Minecraft: Story Mode, desenvolvido pela extinta Telltale Games). Desenvolvido pela Mojang, com a ajuda dos britânicos da Double Eleven, Minecraft Dungeons não esconde a sua inspiração nos dungeons crawlers clássicos.

Do conceito original de Minecraft pouca coisa sobrou. Ainda tens o visual retro-cúbico que tanto caracteriza a propriedade bem como algumas armas e ferramentas, mas no fundo, é um jogo muito diferente do original, sem qualquer tipo de construção associada. Neste jogo, com suporte para modo cooperativo para quatro jogadores, vais explorar masmorras com a missão de derrotar o Arch-Illager. Em outrora, era um simples habitante de uma vila, mas que depois de ser ridicularizado pelos outros habitantes, parte em busca de uma nova casa e acaba por encontrar a Orb of Dominance. Usando o poder deste artefacto, regressa à sua vila para se vingar e criar um exército subjugando as pessoas contra a sua vontade.

Os tons da narrativa e a própria acessibilidade - é um jogo bastante simples de assimilar - apontam para que o público principal sejam as crianças. O jogo posiciona-se como um ponto de entrada para o género dos dungeons crawlers, não sendo tão complexo como outros exemplares do género como Diablo, Torchlight ou Divinity. Por um lado, isto é positivo porque podes jogar casualmente, mas por outro, pode tornar-se num jogo demasiado simples, perdendo o seu apelo muito rapidamente. Comigo foi isto o que aconteceu. Embora desbloqueies dificuldades superiores depois de venceres o boss final, a excessiva simplicidade de Minecraft Dungeons não o torna num jogo apelativo a médio ou a longo prazo.

Minecraft por fora, pouca alma por dentro

Tendo em conta que Minecraft tem mecânicas tão peculiares e profundas, surpreende-me que nada disso tenha sido aproveitado para Minecraft Dungeons. Um exemplo muito concreto é o cubo de T.N.T. que ocasionalmente encontras depois de derrotar algum inimigo. Seria de esperar que este cubo explosivo servisse para resolver puzzles ou abrir portas secretas destruindo partes do cenário, mas não é nada mais do que uma ferramenta para rebentar com grandes grupos de inimigos. Das primeiras vezes que encontrei T.N.T, ainda tentei observar atentamente o cenário e tentar perceber se podia rebentar com alguma coisa e descobrir um segredo, mas depois de várias tentativas, percebi que não tinha este propósito. É mesmo apenas uma ferramenta de combate.

Na versão para PC, que foi a plataforma para a review, os controlos são fáceis de perceber. Movimentas clicando no cursor do rato para onde queres ir. O rato também serve para atacar os inimigos quando estão perto, enquanto o botão direito serve para disparar flechas. Ainda nos controlos, a barra de espaço serve para rebolar e fugir aos ataques, e a tecla "E" para beberes uma poção que te restaura a saúde. O sistema de combate é complementado por três artefactos que podes equipar. Estes artefactos, que são activados manualmente e têm um certo tempo para ser recarregados, podem ser coisas como flechas flamejantes, cubos que disparam raios, canas de pesca que puxam os inimigos para ti, e feitiços que deixam os inimigos atordoados. A personalização do estilo de combate da personagem é complementada pela escolha de uma arma para curtas distâncias, uma arma para longas distâncias, e uma armadura.

As armas têm diferentes tipos de raridade e efeitos que podem ser desbloqueados e evoluídos com os pontos que ganhas sempre sobes um nível à personagem. Estes efeitos também existem nas armaduras e permitem que faças "builds" bastantes simples. Apesar disto, a jogabilidade não deixa de ser repetitiva, sensação que é amplificada pela própria falta de variedade dos níveis (existe variedade visual, mas o conteúdo é basicamente a mesma coisa) e de adversários. Novamente, o jogo podia ser muito mais interessante se os conceitos de Minecraft tivessem sido combinados com o género dos dungeon crawlers para criar um jogo único. Em vez disso, temos um jogo que é igual a tantos outros (e mais básico), a única diferença é mesmo o visual característico de Minecraft.

Um jogo polido, mas com falta de conteúdo

Uma das coisas que a Mojang implementou, talvez para adicionar mais variedade, foi gerar as dungeons por algoritmo. Por outras palavras, as dungeons mantém o mesmo nome e temática visual, mas o percurso sofre alterações sempre que entras lá. Como o jogo indica sempre para onde deves ir para completar a dungeon, é fácil perceber quais são os percursos alternativos que te podem levar a um baú de loot ou a um jarro de esmeraldas (que servem para comprar equipamento nos vendedores da tua base). Apesar desta aleatoriedade associada às dungeons, nunca ficas com a sensação de que estás a percorrer um nível completamente novo. Sentes que é o mesmo nível, mas com pequenas variações. Como alguns níveis têm segredos associados, com estas pequenas variações esses segredos também podem mudar de sítio.

É impossível dizer que este é um mau jogo, porque não é. Desde o primeiro minuto que se nota que a Mojang poliu bastante Minecraft Dungeons e toda a acção se desenrola com bastante fluidez. No total, existem 10 Dungeons para explorar (+1 nível secreto). Não é um jogo longo, e apesar da ideia ser repetir estas dungeons em dificuldades mais elevadas - a ideia de repetição em dificuldades mais elevadas está muito associada ao género - quando chegas ao final do jogo ficas com a sensação de insatisfação. O conteúdo é pouco e a introdução de variedade estagna a meio. Para um jogo de uma propriedade tão popular como esta, e tendo o dedo da própria Mojang, seria de esperar algo mais robusto. O jogo não traz nada de novo ou entusiasmante para o género, muito pelo contrário, e apesar daquela graça inicial causada pelo visual de Minecraft, falhou em convencer e cativar.

Prós: Contras:
  • O visual de Minecraft é o seu maior apelo
  • Modo cooperativo para quatro jogadores (e cross-play no futuro)
  • Jogabilidade fluída e fácil assimilação
  • As dungeons são geradas por algoritmo, mudando os percursos e o seu mapa
  • Poucos conteúdos
  • A meio do jogo começamos a sentir falta de variedade
  • Falha em explorar as mecânicas tradicionais de Minecraft
  • Existem segredos, mas não muitos

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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