The Wonderful 101 Remastered - Review - Anarquia à lá Platinum

Desenhos animados ao Sábado de manhã.

Uma remasterização que parece uma conversão directa, mas os controlos melhorados beneficiam a jogabilidade.

É curioso como esta geração está a despedir-se quase da mesma forma que se introduziu, com a presença de diversas remasterizações. Estas experiências permitem às companhias trazer para uma nova plataforma um jogo que acreditam ter potencial para alcançar novos jogadores e desfrutar de maior sucesso. No entanto, como em tudo o que envolve o ser humano, existem bons e maus exemplos. Como se costuma dizer, o justo paga por causa do pecador. Com isto, quero dizer que existem bons exemplos do que uma remasterização deve ser e do tipo de jogo que merece este tratamento, mas também existem maus exemplos de jogos que nem precisariam de remaster ou que tiveram uma actualização fraca.

No caso da PlatinumGames, é praticamente impossível recusar-lhes o direito a uma remasterização pois falamos de uma companhia altamente especial. Focada no desenvolvimento de irreverentes e electrizantes jogos de acção com incrível sabor japonês, a PlatinumGames foi criada por alguns dos mais brilhantes criativos japoneses, após anos a trabalhar em algumas das mais populares editoras japonesas do ramo. Os seus jogos são adorados em todo o mundo e, ainda antes da PlatinumGames nascer, estes criativos já apaixonavam o mundo com os seus projectos. Além disso, a sua fama e popularidade cresceu de jogo para jogo e no meio de títulos mundialmente famosos, como Bayonetta ou NieR: Automata, também surgiram clássicos de culto, como Anarchy Reigns ou este The Wonderful 101.

Lançado em Agosto 2013 para a Nintendo Wii U, este peculiar jogo, um projecto de paixão de Hideki Kamiya, não teve o mesmo sucesso de jogos como Metal Gear Rising: Revengeance,. Sendo uma nova propriedade intelectual e algo que Kamiya visionou com especial carinho, é compreensível que tenha sido o escolhido para uma remasterização nas actuais plataformas.

Mais do que isso, se olharmos para o currículo de Hideki Kamiya, verás que a grande maioria dos seus jogos tiveram uma remasterização ou remake na actual geração. Resident Evil 2 foi o primeiro projecto que liderou e teve direito a remake. Devil May Cry e Okami, outras duas esplendorosas criações suas, tiveram direito a remasterizações HD, enquanto Bayonetta recebeu conversões para PC e para a Nintendo Switch. O talento de Kamiya não pode ficar preso às plataformas do passado.

Acção PlatinumGames com 100 personagens no ecrã

Eis que ficamos perante The Wonderful 101 Remastered, uma versão actualizada de mais uma propriedade nascida na mente de Kamiya, apesar de partilhar conceitos e temáticas com uma outra propriedade que criou anos antes. Viewtiful Joe foi lançado em 2003 e representa a primeira tentativa do criador japonês abordar uma temática em torno de super-heróis ao estilo dos desenhos animados de Sábado de manhã, conceito que durante décadas deixava as crianças ansiosas pelo fim de semana. 10 anos mais tarde, Kamiya decidiu regressar ao conceito e apresenta o que poderia ser descrito como a sua versão dos Power Rangers, os Wonderful Ones. Isto traduz-se numa experiência de acção difícil e electrizante, ao estilo PlatinumGames, na qual não tens apenas um protagonista, mas sim diversos num grupo de 100 super-heróis.

"Na qual não tens apenas um protagonista, mas sim diversos num grupo de 100 super-heróis"

Talvez inspirado por Ultraman, Kamen Raider ou Super Sentai, The Wonderful 101 Remastered transforma-se numa espécie de "Tokusatsu Superhero: The Videogame". Desde a ideia que qualquer um pode ser um super-herói, passando pelos diálogos repletos de humor, cenas de acção explosiva e bosses que falam disparates atrás de disparates, Kamiya revela o alcance da sua criatividade ao apresentar uma proposta que quase parece vinda da mente de uma criança. Este conceito de 100 super-heróis liderados por diversas figuras com habilidades especiais é combinada com o ADN da PlatinumGames para uma experiência muito própria, mas que ainda assim tem os seus problemas.

Este conceito singular desperta curiosidade e gera momentos entusiasmantes, com muito de familiar no que já viste da Platinum, mas ainda assim com muitas coisas próprias. No entanto, também resulta num gameplay caótico e inexplicavelmente difícil. A sensação de diversão que tens com as bases do gameplay é mesmo muito boa, mas ao focar-se em 100 heróis, entras em cenários que parecem miniaturas, uma espécie de dioramas, o que dificulta frequentemente perceber o que se está a passar. Perante a inundação de mecânicas necessárias para executar habilidades, The Wonderful 101 torna-se num jogo inesperadamente complicado de digerir.

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Existem boss fights sensacionais, segmentos incrívels e entusiasmantes, mas também existem secções que vão testar a tua paciência.

Electrizante, difícil e frustrante

Uma experiência na qual controlas 100 personagens quase como se fossem um só e as perspectivas aéreas dão a ideia de um jogo miniatura no qual terás dificuldade em acompanhar as acções em muitas lutas, especialmente contra alguns inimigos com protecções ou bosses. Acontece tanto caos no ecrã que nem consegues perceber o que se está a passar. Com mais resolução e nitidez na imagem, a remasterização ajuda um pouco nisto, mas a experiência foi pensada assim. Quando imaginas um gameplay de acção estilo PlatinumGames, no qual precisas de reagir rapidamente para esquivar dos ataques, com personagens miniatura em ambientes repletos de explosões e caos, consegues imaginar que os teus olhos vão conseguir acompanhar tudo.

Na Wii U, com o GamePad, as coisas podiam ficar piores devido à sua ergonomia e isto é provavelmente o melhor que tens em The Wonderful 101 Remastered. Os controlos receberam grandes melhorias e será difícil falhar os movimentos com o analógico para criar as formas necessárias para mudar de herói principal ou criar objectos especiais. Será ainda mais perceptível naqueles momentos em que o jogo pára à espera que desenhes a forma e conseguires sem problemas. Tendo em conta que o jogo é altamente difícil e com secções enervantes, ter melhores controlos é um ponto muito positivo.

"Os controlos receberam grandes melhorias e será difícil falhar os movimentos com o analógico"

Em The Wonderful 101 Remastered estás constantemente a enviar os outros heróis para atacar os extra-terrestres invasores, enquanto o líder e a sua habilidade específica é controlada com outro botão. A constante necessidade de desviar dos ataques no timing perfeito revela bem o ADN da PlatinumGames no jogo, ainda mais quando tens bosses que te testam a valer. No entanto, a constante necessidade de trocar de herói principal (desenhando formas com o analógico direito) para ripostar melhor a um adversário específico e a total ausência de dicas sobre o que fazer em certos momentos fragilizam a personalidade destes Wonderful Ones.

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A espada que Blunder Blue usa é a sua habilidade específica, criada ao formar uma linha recta com o analógico direito, gesto que serve ainda para trocar para este personagem. A espada é formada pelos outros super-heróis no grupo que pode ir até 100 no máximo.

Fica ainda a sensação que o jogo é demasiado complicado com uma avalanche de mecânicas, troca de perspectivas e inúmeros segmentos aleatórios que surgem uma vez apenas, tornando-se quase sufocante tentar reagir a tudo. The Wonderful 101 ocasionalmente dá a ideia que está sempre a aparecer algo novo para o qual não foste preparado e, por magia, terás de descortinar o que fazer, reduzindo o quão intuitivo é.

Uma remasterização ou conversão directa?

Tão peculiar, surreal, divertido, colorido, frenético e stressante quanto era em 2013, The Wonderful 101 Remastered representa uma actualização que desafia o conceito de remasterização, e não é no bom sentido. Os controlos foram muito melhorados e por isso já vale bem a pena regressar ao jogo, no entanto, não esperes muito mais. A existência de The Wonderful 101 Remastered é bem bem-vinda e coloca o jogo nas plataformas actuais, permitindo um acesso mais fácil, sem esquecer que poderá ser jogado por muitas mais pessoas. No entanto, o jogo é o mesmo que sempre foi: incrivelmente divertido em diversos momentos, muito frustrante noutros, e demasiado caótico.

Prós: Contras:
  • Os controlos são melhores do que na Wii U
  • O ADN da PlatinumGames numa experiência estilo desenhos animados de sábado de manhã
  • Algumas das boss fights são muito divertidas
  • Diálogos e piadas fantásticas
  • Super desafiante
  • Mecânicas verdadeiramente singulares
  • Acção caótica torna-se confusa ocasionalmente
  • Uma remasterização com poucas melhorias
  • Sobrecarga de mecânicas
  • É fácil ficar confuso sobre o que fazer em algumas cenas
  • O trabalho da câmara nem sempre é o melhor

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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