Predator: Hunting Grounds review - terreno impróprio para caça

Quando o predador se torna na presa.

Um jogo mal executado, com raríssima diversão e com tempos de matchmaking inadmissíveis.

Predator: Hunting Grounds é um jogo que nos aviva as más memórias das terríveis adaptações do cinema para videojogos. Embora não seja uma adaptação directa de um filme específico, baseia-se na propriedade "Predator" da 20th Century Studios, a saga do cinema em que uma raça de extra-terrestres altamente desenvolvidos vêm à terra para satisfazer o seu desejo insaciável pela caça. As suas presas não são animais, são os Homens. Pegando na ambientação do primeiro filme de 1987, em que uma equipa de comandos na selva da América Central encontra um destes Predadores, a IllFonic apostou numa adaptação com a mesma fórmula de Friday the 13th: The Game, o jogo anterior desta produtora e que obteve um sucesso moderado.

A fórmula em questão é um jogo multijogador em que uma equipa de jogadores assumem o papel de soldados (é uma equipa de quatro pessoas), e um jogador assume o papel do Predator. Esta mesma fórmula já tinha sido vista em outros jogos como Evolve, que dividia os jogadores entre uma equipa de caçadores, e reservava um lugar para que um jogador pudesse jogar como o monstro. Portanto, Predator: Hunting Grounds não está propriamente a explorar território desconhecido com este estilo de jogo, mas ainda assim, um jogo não precisa de inovar para se tornar divertido e ter qualidade. Infelizmente, Predator: Hunting Grounds não tem nenhuma dessas duas coisas.

Matchmaking com tempos intermináveis

Antes de sequer começarmos a jogar, a experiência começa a degradar-se. Os tempos de matchmaking são demasiado longos se quiseres jogar como Predator. Nas opções de matchmaking podes escolher jogar como esquadra (assumes o papel de um soldado), como Predator (jogas com a personagem que dá nome ao jogo) ou indiferente. Ontem, depois de várias tentativas, consegui finalmente jogador uma vez com o Predator, mas antes disso acontecer, enfrentei tempos de matchmaking que foram até aos 12 minutos (depois cancelei e reiniciei o matchmaking, esperando mais uns minutos). Se optares por jogar no papel de soldado, o matchmaking é, de facto, bem mais rápido, mas num jogo que tem apenas um único modo em que os objectivos são sempre os mesmos, é natural que queiras variar eventualmente e jogar com o Predator.

Ok, finalmente consegui encontrar uma partida para jogar com o Predator. E agora?

Jogar com o Predator deveria ser altamente entusiasmante - estamos a falar de uma raça de extra-terrestres muito mais avançada tecnologicamente do que nós, também com muita mais força do que um ser humano - mas a experiência é uma desilusão. Ao jogar com o Predator tens acesso a engenhocas como a visão infra-vermelhos e a camuflagem que te torna quase invisível, mas a sensação de controlar esta personagem não é positiva. A movimentação do Predator pelas árvores torna-se frustrante porque é difícil perceber para que ramos podes saltar a seguir. A outra opção é usar o seu grande salto, mas a experiência não é muito melhor porque tens de apontar para onde queres saltar. Isto torna a movimentação pouco fluída.

"Jogar com o Predator deveria ser altamente entusiasmante, mas a experiência é uma desilusão."

Outro problema é que precisas de jogar bastante para subir de nível e desbloquear as melhores engenhocas / armas para o Predator. No seu estado inicial, o Predator tem pouco de predador. O seu único meio de combate ao longe é a mira laser, mas isto denuncia praticamente a tua posição e torna-te num alvo fácil mesmo com a camuflagem activa, já para não falar que o disparo também é lento. Apesar do Predator ser mais perigoso a curtas distâncias com as suas lâminas, uma equipa de quatro soldados a disparar para ti tira-te a vida toda numa questão de segundos. Jogar com o Predator é muito mais difícil do que jogar com os soldados e não te sentes de forma alguma poderoso. Ao longe só tens uma forma de combate e ao perto só vais vencer se um jogador se isolar dos restantes, o que nunca acontece.

Os soldados são mais fortes do que o Predator

Um exemplo de como os soldados estão melhores equipados do que o Predator são os consumíveis. Os soldados têm dois itens para restaurar a saúde (enquanto o Predator tem apenas um) e múltiplas granadas. As armas dos soldados também são, logo à partida, muito mais eficazes ao longe do que a mira laser do Predator. Não estou a pedir que o Predator fosse invencível, mas de todas as partidas em que participei, os soldados venceram a esmagadora maioria, o que mostra uma desequilíbrio na capacidade de combate da personagem. Em termos de experiência, jogar com o soldado é mais agradável do que controlar o Predator porque não sentes que estás a controlar um robô mal jeitoso, mas isto não significa que Predator: Hunting Grounds se destaque como um FPS (nos melhores momentos, é mediano).

Quando jogas com um soldado, o teu objectivo não é propriamente matar o Predator. Chegas à selva de helicóptero, juntamente com a tua equipa, onde vais combater contra traficantes de droga. Por outras palavras, invades pequenas aldeias, matas os soldados a patrulhar a zona e os restantes que vão aparecer milagrosamente do nada, e depois explodes com coisas. Os objectivos são sempre os mesmos. É claro que, enquanto fazes isto, o Predator pode estar a observar (quando jogas com o Predator, não sabes onde estão os jogadores, tens que os procurar pelo mapa e não existe nada que distinga os soldados controlados pelos jogadores daqueles que são controlados pela IA). Assim que terminas a tua missão, é tempo de voltar para o helicóptero. Se conseguires, missão completada com sucesso.

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O jogo está longe de ser visualmente impressionante, mas está bloqueado a 30 FPS.

Existe, no entanto, outra forma de terminar uma partida. O Predator pode explodir-se numa tentativa de te levar para a morte com ele (pode activar a bomba quando estiver perto da morte). Assim que o Predator se suicida numa grande explosão, a partida termina. O Predator também pode conseguir eliminar e coleccionar os crânios dos quatro soldados, mas como já referi, só vi isto acontecer uma vez. O jogo tem boas ideias, mas está terrivelmente mal executado, não apenas no design e equilíbrio, como na questão técnica. Visualmente é banal para os padrões actuais, mas está bloqueado a 30 fps nas consolas (mesmo na PS4 Pro). Não existe nenhuma justificação válida para isto, é um jogo mal optimizado.

Salvam-se as skins e personalização

Nota-se que a IllFonic desenhou Predator: Hunting Grounds para durar dezenas de horas, a julgar pela quantidade de itens de personalização que existem. As várias opções de personalização para os soldados e para a armadura do Predator fazem-me querer jogar, mas depois lembro-me que a experiência não é muito divertida. O único modo de jogo existente não tem profundidade, valor e diversão suficiente para suportar esta experiência de dezenas de horas visionada pelo estúdio. Na sua ânsia de colocar os jogadores a jogar muitas horas para desbloquear as melhores armas (e isto sente-se bastante no caso do Predator). A IllFonic esqueceu-se que, em primeiro lugar, o jogo tem que ser divertido e sólido. Jogues com o Predator ou com o soldado, sentes que este é um jogo que deixa bastante a desejar. Esta qualidade seria aceitável para uma alpha ou uma beta, não para um jogo final disponível nas lojas para os consumidores.

Obviamente que vivemos numa actualidade em que os jogos são mutáveis, com as experiências a serem moldadas pelo feedback pelos jogadores. Não sei se isso vai acontecer com Predator: Hunting Grounds. Neste momento, não é um jogo que merece a tua atenção, nem mesmo pelo preço reduzido de €39.99. É uma pena, visto que o jogo até foi dobrado na totalidade para português de Portugal, o que é bastante raro.

Prós: Contras:
  • Há boas ideias...
  • Está dobrado em português de Portugal
  • Há muita coisa para desbloquear
  • ... mas estão mal executadas
  • Sentes-te fraco a jogar com o Predator
  • A jogabilidade com o Predator não é fluída
  • Longos tempos de matchmaking
  • Gráficos banais, limitados a 30 FPS
  • Apenas existe um modo de jogo

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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