Gears Tactics review - Nova história, num novo género

Mas sem perder a identidade da série.

Depois de Halo Wars que converteu a série Halo num jogo de estratégia, a Microsoft decidiu agora experimentar a mesma abordagem com Gears of War. Apropriadamente chamado Gears Tactics, foi desenvolvido numa parceria entre a Splash Damage e a The Coalition, o estúdio da Microsoft que controla a decisão da série. Gears Tactics é um jogo de estratégia por turnos que pega em todos os elementos que conheces desta propriedade e os adapta para um género completamente diferente. Geralmente, os jogos de estratégia assumem um ritmo mais lento, não sendo tão rápidos e imediatos como um jogo de acção, portanto, será que Gears Tactics consegue manter-se apelativo o suficiente para os fãs dos jogos tradicionais?

A Splash Damage e a The Coalition foram obviamente influenciadas por XCOM, um dos maiores clássicos no género de estratégia por turnos, mas Gears Tactics é muito mais do que clone desse jogo com uma skin de Gears of War. O maior desafio para as duas produtoras foi adaptar a jogabilidade furiosa e visceral da série para este formato sem que houvesse perda da sua potência. Mas, de certa forma, a série até já estava preparada para esta conversão se pensarmos no característico sistema de cobertura da série. Avançar cuidadosamente de cobertura em cobertura, abatendo inimigo a inimigo, sempre fez parte da identidade de Gears of War. Se calhar é por isso que a série conseguiu encaixar tão bem neste formato.

Gears Tactics - Como funciona?

Os princípios são os mesmos de qualquer jogo de estratégia por turnos. O jogador tem um turno, com várias acções disponíveis para as personagens que controla, e a seguir é a vez dos inimigos fazerem a sua jogada. No caso de Gears Tactics, cada personagem que controlas tem três acções disponíveis por cada turno. Com estas acções podes deslocar-te no mapa, disparar, recarregar a tua arma, usar habilidades, e ficar a defender uma zona (overwatch). O número de unidades que podes levar depende da missão, mas no máximo terás até quatro personagens para controlar. A deslocação nos mapas é completamente livre, no sentido em que não tens que obedecer a um sistema de quadrículos que é tão habitual neste género. Graças a isto, Gears Tactics oferece uma grande elasticidade estratégica.

Como qualquer jogo deste estilo, existem elementos de aleatoriedade. Quando vais disparar para um inimigo, raramente existe 100% de probabilidade de acertares. Depende da distância a que estás, do ângulo de visão e das modificações que tens equipadas na arma daquela personagem. As próprias personagens da tua equipa têm funções diferentes. Existem personagens de ataque (vanguard), suporte, snipers, heavy e scouts. Depois, dentro destas categorias, podes subir de nível e gastar pontos para evoluir e personalizar as habilidades de acordo com o teu estilo de jogo. A elasticidade estratégica de que falei há pouco não se aplica apenas na jogabilidade, também se alarga às possibilidades de evoluir e personalizar as muitas unidades que vais desbloquear.

Um jogo de estratégia agressiva

Gears Tactics é um jogo de estratégia em que a agressividade compensa, um dos motivos pelos quais tive uma experiência tão agradável. Embora nestes jogos geralmente seja recomendado manter a distância dos inimigos (o que às vezes ainda se aplica, visto que há inimigos com características especiais), é demasiado apetecível ir a correr em direcção a um inimigo com a moto-serra do Lancer ou com a lâmina aguçada do Retro Lancer. O provérbio "a melhor defesa é o ataque" encaixa na perfeição na jogabilidade Gears Tactics. Em parte isto é válido devido à grande quantidade de inimigos que terás de enfrentar em simultâneo. Como existe uma grande liberdade estratégica e de movimento, com mapas desenhados para haver várias oportunidades de flanquear, a solução para tornar o jogo desafiante foi colocar uma grande quantidade de inimigos. Tendo em conta que com uma granada consegues eliminar quatro inimigos mais fracos de uma vez (se estiverem próximos), não nos podemos queixar de que não existem formas de lidar com tantos inimigos.

O provérbio "a melhor defesa é o ataque" encaixa na perfeição na jogabilidade Gears Tactics

Assim que começas a perceber a sinergia entre as personagens - existem varias formas de exceder as três acções por turno, por exemplo - e numa jogada eliminas múltiplos inimigos, Gears Tactics dá-te uma satisfação enorme. Apesar disto, senti falta da existência de stealth. Os inimigos sabem sempre que estás a caminho, mesmo quando ainda não disparaste um tiro sequer. Assim que os inimigos entram no teu campo de visão, eles vão começar a atacar-te e a dirigir-se na tua direcção. Em certas missões, as vagas infinitas de inimigos também podem parecer estranhas - um engenho artificial de dificuldade. Mesmo com estas pequenas frustrações, Gears Tactics permanece uma adaptação triunfante ao género de estratégia por turnos e que mantém a identidade da série num novo território. Para além de poderes executar inimigos com a moto-serra do Lancer, podes pegar também nas armas largadas por inimigos, como o lança-granadas Boomshot e o Torque Bow.

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Cada capítulo termina contra bosses gigantes.

A história é sobre o quê?

Antes de mais, Gears Tactics é exclusivamente um jogo single-player. Existe valor de repetividade na forma de dificuldades mais elevadas, mas não há multijogador. Cronologicamente, é uma prequela que decorre 12 anos antes do primeiro Gears of War. Novamente, como nos outros Gears, vais controlar um esquadrão de Cogs na luta contra a Horda dos Locust. O protagonista desta narrativa é Gabe Diaz, que vai reunir vários soldados e descobrir um terrível segredo. O tom da história, o comportamento das personagens e a ambientação é aquilo que encontras nos outros Gears of War: um jogo adulto, sombrio, e com sacrifícios e muita coragem das personagens para superar as adversidades. A campanha é surpreendentemente longa, sendo precisas entre 25 a 30 horas para terminar numa dificuldade intermédia.

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O ecrã onde podes personalizar e evoluir as personagens.

A campanha é tão longa porque existem missões opcionais que na realidade não são opcionais. Entre capítulos é comum o jogo apresentar-te missões opcionais que tens de completar para avançar na história. Quando mais avanças na história, mais o jogo carrega nestas missões opcionais. No primeiro capítulo, tinha que completar apenas uma de duas missões opcionais para continuar a história, no entanto, em capítulos mais adiantes já tinha que completar três missões opcionais de quatro. Existem aqui dois problemas: o primeiro é que não é correcto chamar "opcionais" a missões que tens que completar; em segundo, os objectivos destas missões repetem-se (tens que segurar pontos de controlo acumulando pontos, fugir de um bombardeamento constante ou salvar soldados capturados).

Gears Tactics review - Um Gears a sério!

Apesar deste ser um género diferente das suas origens, Gears Tactics é uma estreia digna da série nos jogos de estratégia por turnos. Os fãs de Gears of War vão encontrar aqui uma agradável surpresa. Mesmo que nunca tenhas jogado um título deste género, a adaptação não é complicada e o jogo explica-te como funcionam as várias mecânicas bem como as particularidades de cada inimigo. Numa nota pessoal, este não é um género do qual seja um fervoroso adepto, mas Gears Tactics conseguiu conquistar-me. Sabendo de antemão que tanto a Splash Damage como a The Coalition não têm experiência neste género, o que conseguiram fazer aqui é um brilharete. É um jogo muito sólido, que demonstra uma vasta compreensão dos elementos que constituem um jogo de estratégia por turnos e também daquilo que caracteriza Gears of War.

Prós: Contras:
  • Uma excelente adaptação de Gears of War ao género da estratégia
  • História com novas revelações sobre o universo Gears
  • A jogabilidade dá-te imensas opções estratégicas
  • Todos os elementos tradicionais da jogabilidade de Gears foram preservados
  • Vastas escolhas na personalização e evolução das personagens
  • Divertido e desafiante
  • Missões opcionais obrigatórias e repetitivas
  • Em raras ocasiões, os inimigos podem ser demasiados
  • Perda de qualidade gráfica em ângulos aproximados das personagens

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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