Valorant - o novo FPS da Riot Games é muito mais do que um clone de Overwatch

Competitivo, hardcore e estratégico.

Falar em Riot Games é sinónimo de falar em League of Legends e vice-versa. Desde a sua concepção que a Riot Games é exclusivamente conhecida por League of Legends e, durante muito tempo, o jogo recebeu a atenção exclusiva do estúdio. A dedicação do estúdio à sua propriedade intelectual transformou-a num sucesso gigantesco. League of Legends foi, ainda em 2019, o título mais jogado no PC, contando com mais de 100 milhões de jogadores activos todos os meses. Recentemente, a Riot Games começou a expandir-se. Em 2019 lançou o Teamfight Tactits, um jogo inserido no universo de League of Legends e baseado no Dota Auto Chess, e em 2020 avançará com Legends of Runeterra, um jogo de cartas coleccionáveis também no universo de League of Legends.

A aposta mais ambiciosa da Riot Games é, apesar dos novos jogos referidos em cima, Valorant. De uma forma simples, Valorant é um FPS competitivo de cinco contra cinco em que as personagens que tu escolhes têm poderes especiais. Dito desta forma, até parece que estou a descrever Overwatch da Blizzard, mas depois de jogar, posso dizer com segurança que Valorant é completamente diferente. A sensação de jogar um e outro não é de todo parecida! Quanto muito, o jogo da Riot Games está muito mais próximo de Counter-Strike Global Offensive (aka CS GO).

Embora a beta fechada só comece na próxima semana, a Riot Games organizou um evento digital durante o último fim-de-semana que, para além de contar com apresentações dos produtores, deixou que meios de comunicação especializados, youtubers, streamers e influenciadores experimentassem o jogo. Este foi o nosso primeiro contacto com Valorant.

Um jogo de precisão e estratégia

Valorant até pode ter heróis com diversas habilidades, mas este não é um jogo caótico em que essas habilidades se sobrepõe a tudo o resto. A jogabilidade está centrada nas armas, com as habilidades a assumirem o papel de complemento. Depois de jogarmos várias horas, isto tornou-se bem claro. As habilidades dos heróis têm que ser usadas de uma forma estratégica e pensada, e nunca de uma forma reactiva durante um confronto. Num confronto directo com outro jogador, uma habilidade nunca vai ganhar aos tiros de uma arma. Só isto já torna Valorant num FPS de heróis bastante diferente dos restantes, que preferem dar ao jogador a sensação de poder.

A dimensão de precisão e estratégia de Valorant também está incutida no manejar das armas. Não podes simplesmente apertar o gatilho descontroladamente - se fizeres isto, vais acertar em tudo menos no teu alvo. As armas requerem um manejar cuidadoso, recompensando reacções rápidas e tiros certeiros na cabeça. Este é um daqueles jogos em que pestanejas e morreste. Com tantas opções de FPS no mercado neste momento, é surpreendente que a Riot Games tenha conseguido criar uma jogabilidade com identidade para Valorant. Mais importante, é um jogo que transmite já uma sensação sólida enquanto jogas e que o coloca imediatamente como um sério candidato para conquistar o competitivo mercado dos FPS.

Como funciona?

Antes do início das partidas, os jogadores têm que escolher um herói. Por razões de equilíbrio, uma equipa não pode ter dois heróis iguais. Por outras palavras, se alguém escolher o teu herói favorito primeiro, tens que escolher outra personagem. Cada personagem tem no total quatro habilidades, três normais e um ultimate. Nas habilidades nota-se uma herança de League of Legends na sua complexidade. É preciso bastante tempo para aprender a usar bem as habilidades de cada herói, embora alguns sejam mais acessíveis do que outros. A curva de aprendizagem é bastante comprida e depois de jogar várias horas, senti que rocei apenas a superfície daquilo que é possível fazer neste jogo.

"A curva de aprendizagem é bastante comprida e depois de jogar várias horas, senti que rocei apenas a superfície daquilo que é possível fazer neste jogo"

A economia do jogo é fácil de assimilar para quem está habituado a jogar CS GO. No início de cada ronda os jogadores têm que comprar as armas (que são as mesmas para todas as personagens) que querem usar e também as habilidades - ou seja, as habilidades não ficam automaticamente disponíveis passado algum tempo, tens que comprá-las, como se fossem um consumível. O dinheiro a que tens acesso é determinado pelo sucesso da tua equipa na ronda anterior e pelos adversários que derrotaste. Uma equipa que perca várias rondas seguidas terá uma vida difícil, não tendo dinheiro suficiente para comprar as melhores armas, habilidades e os escudos que permitem à tua personagem aguentar mais dano.

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Os vários heróis de Valorant (não estão todos aqui). Phoenix é um dos que tem as habilidades mais fixes e um dos mais acessíveis.

Cada partida está divida em duas metades. Na primeira metade existe uma equipa a atacar (plantar a bomba) e outra a defender. A meio, os papéis invertem-se. A partida será ganha pela equipa que conseguir acumular 13 pontos. Devido a isto, as partidas podem alongar-se bastante, ultrapassando 40 minutos de duração.

Hardcore e altamente competitivo

Todos os elementos de Valorant estão feitos para potenciar a dimensão competitiva do jogo e recompensar os jogadores hardcore que invistam centenas de horas a jogar. A Riot Games não esconde esta faceta do jogo e aplicou-a no design dos mapas do jogo. O estúdio afirma que os mapas foram optimizados para serem jogados durante centenas de horas e para permitirem diferentes abordagens estratégicas. Os mapas têm um design extremamente limpo, sem muitos objectos a interferirem na tua linha de visão, e com texturas que não deixam que os heróis se camuflem no cenário. Os caminhos alternativos também são vários e nunca sentes que estás preso ou bloqueado.

"Todos os elementos de Valorant estão feitos para potenciar a dimensão competitiva do jogo e recompensar os jogadores hardcore."

A maior profundidade estratégica vem dos vários heróis que podes escolher. Phoenix foi a personagem com que mais joguei e é um herói de ataque, consegue atirar uma bola de fogo com as mãos deixando o chão arder. Tem também uma bola curva que é extremamente útil nas esquinas para deixar os adversários encadeados, mas a sua habilidade mais incrível é o ultimate chamado "Run it Back". Este ultimate marca o local em que o activaste e quando o cronómetro expirar, voltas ao mesmo sítio, mesmo que tenhas morrido. Sim, é essencialmente um vida gratuita. Os ultimates de Valorant são as únicas habilidades que não podem ser compradas - a cada partida, ganhas um ponto, o que vai enchendo a barra. Podes, contudo, encontrar pontos de ultimate espalhados pelo mapa.

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Um dos mapas de Valorant. A Riot Games teve bastante cuidado em criar um estilo de arte limpo.

Para além de Phoenix, houve outros heróis que me chamaram a atenção como Sova, que consegue disparar flechas que detectam os inimigos e tem um ultimate que atravessa paredes. Viper é uma personagem com habilidades inspiradas no veneno. Uma das suas habilidades é criar uma poça de ácido e lançar uma bomba de gás capaz de criar uma barreira de fumo (a parte difícil de jogar com esta personagem é que tens de gerir o combustível usado para criar o veneno). O seu ultimate é extremamente útil para plantar / defender a bomba, criando uma nuvem venenosa de gás que cobre uma grande área na qual Viper tem vantagem em detectar os inimigos.

Quando é que podes jogar Valorant?

A versão final de Valorant será lançada algures em 2020. Já na próxima semana a Riot Games vai começar a deixar a comunidade experimentar através da beta fechada, que começa a 7 de Abril. O método de aceder à beta fechada não é fácil. As chaves para aceder à beta fechada serão exclusivamente distribuídas no Twitch, em streamers com parceria com a Riot Games. Portanto, a única forma de aceder à beta fechada será estar atento ao Twitch e ter a sorte de te calhar uma chave.

Daquilo que jogamos, podemos dizer que é um jogo com bastante potencial, mas que também exige bastante dos jogadores. Há muito para aprender, desde dominar o coice das armas, usar devidamente as habilidades das personagens e ficar familiarizado com os mapas. Se preferes um FPS mais casual, Valorant não é uma boa opção para ti. Uma das poucas coisas que não gostamos foi o movimento. As personagens parecem que estão a andar, em vez de correr, e os saltos são extremamente curtos. Fora isto, a Riot Games apresentou um jogo bastante sólido, com uma jogabilidade muito fluída, profunda e satisfatória. Sacar um tiro na cabeça em Valorant é espectacular e faz lembrar os velhos tempos do Counter-Strike, em que surgia um enorme jacto de sangue (nota: podes desligar o sangue nas definições).

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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