Granblue Fantasy Versus - Review - Grande Fantasia

Modo RPG inesperado e acessibilidade marcam este jogo.

Os visuais e banda sonora de grande qualidade, o modo RPG e a acessibilidade são pontos positivos, mas algumas decisões são questionáveis.

Granblue Fantasy Versus é a mais recente produção da Arc System Works, uma companhia que pintou o seu trajecto pela actual geração com electricidade e irreverência. Basta olhar para os jogos que coloca no mercado para perceber que está à procura de manter a sua própria identidade dentro dos jogos de luta, espalhando a sua essência ao longo de experiências acessíveis, mas com a possibilidade de descobrir mais camadas, se quiseres investir o teu tempo e ir além do óbvio.

Começando com Guilty Gear Xrd -SIGN- em 2014 para a PlayStation 4, passando por BlazBlue: Central Fiction em 2015, Dragon Ball FighterZ e BlazBlue: Cross Tag Battle em 2018 e agora com este Granblue Fantasy Versus, sem esquecer que Guilty Gear Strive ainda chegará este ano e existiram outros tantos pelo meio, o percurso da Arc System Works nesta geração tem sido incansável e fantástico. Parece que as pilhas não esgotam e está constantemente à procura de criar jogos que são capazes de atrair todo o espectro de jogadores.

Esta incessante busca por realizar fighting games que não prescindem de uma acessibilidade imediata, cujo gameplay é de tão forma explosivo e excêntrico que encanta visualmente, tem feito da ASW um nome cada vez mais popular. Perante o seu recente sucesso, a Cygames decidiu contratá-la para expandir a propriedade Granblue Fantasy fora do mobile e o primeiro projecto é este inesperado Granblue Fantasy Versus. No entanto, o ADN da ASW e algumas surpreendentes novidades coexistem com algumas decisões menos entusiasmantes.

Fighting Game ou RPG side-scrolling?

Granblue Fantasy Versus é um jogo que bebe da mesma fonte da qual originam BlazBlue Cross Tag Battle e Dragon Ball FighterZ. Com isto, quero dizer que é um fighting game que arrisca no delicado equilíbrio da acessibilidade, sem banalizar. Quase de imediato começas a jogar e a executar movimentos bonitos de ver (especialmente com esta estética visual que parece uma anime de fantasia medieval interactiva), mas que te permite elevar a tua qualidade para outros patamares se investires tempo em explorar as mecânicas para criar combos mais prolongados. O uso de teclas de atalho para especiais torna-o acessível para todo o tipo de jogadores (tal como em Dragon Ball FigherZ). Deste modo, os fãs de Granblue Fantasy podem sentir-se na mesma atraídos a apostar num género que habitualmente lhes passaria ao lado.

Pelo outro lado, temos os adeptos dos fighting games e da ASW, que querem mais do que auto-combos ou atalhos para "Hadoukens". Em Granblue Fantasy Versus, os personagens executam as Skybound Arts, movimentos especiais e até um Ultimate, com apenas o pressionar de um botão, mas és recompensado por executá-los da forma tradicional. Especialmente porque activas diferentes versões e isso será fundamental para a tua abordagem aos combos que te permite ir além do básico. Sim, Granblue Fantasy Versus é um jogo frenético e incrivelmente acessível, mas podes tirar muito mais dele do que poderias esperar.

Além deste sistema de combates altamente entusiasmante, Granblue Fantasy Versus surpreende com o seu RPG Mode, que o transforma numa espécie de beat'em up side-scrolling. A ASW tem apostado em Story Modes que são autênticas novelas gráficas (alguns deles com combates pelo meio, outros nem isso), mas em Granblue Fantasy Versus as coisas chegam aos céus. Este modo é mesmo muito divertido e transforma o gameplay beat'em up 2.5D no que esperarias de um Action RPG side-scrolling, lembrando experiências como Dragon's Crown da Vanillaware.

Podes obter diversas armas, de diferentes qualidades, lutar contra personagens não jogáveis em modo boss, tens missões secundárias, loot, bilhetes para obter recompensas estilo gacha (herança do lado Cygames), adquires mais lutadores ao avançar na história e, acima de tudo, tens mais um aprofundar da metodologia da ASW. Com a excepção dos loadings, que podem ser demasiados e alguns demorados, e ainda um pouco aproveitamento da transição de cenários para dinamizar o modo (a maioria dos níveis decorre num cenário como se fosse uma partida tradicional, mas com diversos inimigos que estão constantemente a surgir), este modo poderia ser ainda melhor.

Nem tudo é skybound

Num universo tão focado nos céus e numa experiência tão acessível repleta de adrenalina, nem tudo está no mesmo patamar. Apesar do modo RPG divertido e dos modos offline cumprirem as funções mínimas, a médio-longo prazo será no online que apostarás a maioria do teu tempo, especialmente se queres mostrar que foste além da camada superficial de acessibilidade. No entanto, ao apostar em delay-based netcode, a Arc System Works faz do modo online um embaraço, sem qualquer necessidade.

Ao falhar em usar um sistema melhor para o seu netcode, a Arc fragiliza um jogo de nicho. Aalém de se tornar mais demorado encontrar uma partida, a ligação será duvidosa quando finalmente encontras uma e, na grande maioria dos casos, o outro jogador nem aceita iniciar a partida. Quando consegues finalmente uma partida com boa indicação (azul ou verde), o melhor é enfrentar repetidamente o mesmo jogador para aproveitar que se encontraram. No entanto, isto não assegura que a qualidade será boa e frequentemente sentirás uma lentidão geral na experiência. No pior dos casos, quase total ausência da fluidez que tens no jogo offline.

Onde Granblue Fantasy Versus realmente incomoda é na forma como a Cygames e a Arc System Works gerem o elenco e suporte. Mesmo antes do lançamento, já tinha sido confirmado o lançamento de 5 lutadores extra pagos, com um segundo pacote de lutadores a caminho. Tendo em conta que existem apenas 11 lutadores base e que a grande maioria não os conhece sequer, não deixa de dar a sensação que é uma má jogada e que mais parece pretender obter mais dinheiro dos poucos que conhecem o jogo mobile e estas personagens. Perante a acessibilidade do gameplay, investir tempo a descobrir novas personagens poderá ampliar a sensação de profundidade, mais do que num outro jogo do género.

Por exemplo, Narmaya (parte do Passe de Lutadores 1) tornou-se numa das minhas lutadoras favoritas e o meu principal recurso no modo online, algo que me deixa com a clara sensação que esta não foi a melhor das decisões.

Arc System(s) Work

Se tal como eu tens acompanhado os jogos da ASW, especialmente ao longo destes últimos 6 anos, e se adoraste Dragon Ball FighterZ, Granblue Fantasy Versus é mais uma boa adição ao catálogo da companhia. A combinação de visuais e banda sonora de grande qualidade com um sistema de combate incrivelmente acessível, sem esquecer o modo RPG, fazem de Granblue Fantasy Versus um jogo que conquistar diferentes tipos de jogadores. No entanto, a abordagem ao online e DLC prejudicam a validade do jogo a médio-longo prazo.

Prós: Contras:
  • Modo RPG é inesperadamente divertido
  • Boa qualidade visual e sonora
  • Gameplay altamente acessível, mas com profundidade
  • Combos explosivos executados com relativa facilidade
  • Poucos lutadores
  • Modo online deixa a desejar
  • Aposta em Passe de Lutadores para apoiar o jogo

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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