The Division 2: Warlords of New York review - grind gourmet

A primeira expansão paga traz diversas novidades.

É sempre ingrato voltar a um jogo como The Division 2 meses depois de termos jogado pela última vez. São jogos muito próprios, que requerem constantemente a nossa atenção se queremos acompanhar as novidades, e cheios de pequenas complexidades que só começamos a perceber assim que investimos algumas horas. É muito difícil de "penetrar" num jogo destes e, quando voltamos meses mais tarde, percebemos que já não estamos mais em sintonia. Esta foi a experiência inicial de jogar Warlords of New York, a primeira expansão paga de The Division 2 que leva os agentes de volta para Nova Iorque numa caça a Aaron Keener, o agente corrupto da Division que recrutou outros agentes e se tornou numa grande força oposta ao estabelecimento da ordem.

Nova Iorque foi o palco do primeiro The Division, mas a Ubisoft não se limitou a copiar o mapa do primeiro para o segundo jogo. Em Warlords of New York o mapa é composto apenas pela parte sul de Manhattan, onde está localizado o distrito financeiro. A vantagem disto é que a Ubisoft conseguiu fazer uma recriação exacta dessa secção de Nova Iorque. Por outras palavras, este novo mapa de The Division 2 tem as mesmas ruas e a mesma escala de secção correspondente de Nova Iorque. Se alguma vez tiveste a oportunidade de visitar Manhattan e passear um pouco por esta zona, vais conseguir reconhecer muitos sítios. A versão de The Division 2 tem muito mais destruição, não só por causa do caos causado pelo vírus, mas também porque foi atingida por um furacão.

O que está incluído na expansão Warlords of New York?

Com a chegada da expansão, a Ubisoft reformulou muitas coisas, mas em termos de conteúdo, a expansão consiste num novo local e uma nova campanha com diversas missões de história. Há também um novo endgame com muitas horas à tua espera e novos talentos (skills) para o teu agente Muito resumidamente, é isto. Fundamentalmente, este continua a ser o mesmo jogo que conheceste em Março de 2019. Recebes um pedido de ajuda de Nova Iorque e terás que ajudar a limpar a aquela zona de Manhattan ao completar missões e a realizar tarefas secundárias como captura de pontos de controlo.

Ao jogares os novos conteúdos também vais estar a aumentar o nível do teu agente. Com a expansão Warlords of New York o nível máximo subiu de 30 para 40. Em simultâneo, a Ubisoft reformulou todo o sistema do equipamento e o Gear Score associado. Efectivamente, isto significa que tudo o que ganhaste anteriormente vai tornar-se inútil depois de jogares algumas horas. É normal que eventualmente este tipo de jogos faça algum tipo de reset e obrigue os jogadores a começar de novo, mas para quem investiu centenas de horas a optimizar a build do seu agente, é um golpe duro.

O novo sistema de equipamento

O novo sistema de equipamento implementando por Warlords of New York visa tornar tudo mais simples. Com o gear score removido, o mais importante agora são os talentos e atributos. Uma alteração realmente útil é que todas as peças de equipamento, sejam armas, armaduras ou modificações, têm uma barra de medição para os atributos, sendo agora extremamente fácil de perceber quando ganhas uma peça com um ou vários atributos no máximo. Mas o verdadeiro game changer no novo sistema de The Division 2 é que tens uma estação na tua base em que podes remover atributos e talentos do teu equipamento, guardá-los, e depois adicioná-los a outros equipamentos.

"Tens uma estação na tua base em que podes remover atributos e talentos do teu equipamento, guardá-los, e depois adicioná-los a outros equipamentos"

Imagina que acabaste de receber uma arma em que um dos atributos está no máximo, mas os restantes não prestam. Com o novo sistema podes guardar esse atributo no máximo e descartar a arma. Basicamente, já não precisas de estar à espera que te saia um god roll, o que pode demorar uma quantidade surpreendentemente estúpida de tempo. Com este novo sistema em prática, The Division 2 é mais recompensador porque, mesmo que um equipamento que acabaste de ganhar não presta na generalidade, ainda podes aproveitar alguma coisa. Para aqueles que facilmente passam dezenas de horas a jogar, é uma novidade que faz uma diferença enorme.

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Se uma arma tiver pelo menos um atributo no máximo ou talento que desejes, deves usar o novo sistema de extracção.

É divertido? O que há para fazer depois de terminar a história?

Ao longo da história de Warlords of New York tens que localizar e eliminar os quatro agentes súbditos de Aaroon Keener. A narrativa é dada através de briefings antes das missões, registos de áudio que encontras espalhados por Manhattan e com a ajuda dos ecos (que constroem momentos que se passaram em locais chave). Não é que a história seja má, mas o meu parecer é que nunca vale a pena jogar este tipo de jogos exclusivamente pela história. Existem missões com história, mas o foco do jogo é outro. Se gostaste de The Division 2, ou se gostas de outros jogos deste género como Destiny 2 e Anthem (embora este seja um mau exemplo), então vais gostar da expansão Warlords of New York.

Gostei bastante do tempo que passei a jogar a expansão. A jogabilidade em si, e mesmo as actividades que tens disponíveis, são iguais às do jogo base, portanto não esperes novidades a este nível. Esta expansão é uma injecção de conteúdo acompanhada de uma reformulação do sistema de equipamento e de um novo endgame. Neste estrito sentido, Warlords of New York é uma boa expansão e o preço de €29,99 é justo. Quanto àquilo que podes fazer depois de terminar a história, desbloqueias uma a nova dificuldade lendária e podes melhorar o teu agente através dos níveis SHD (isto é feito através de um relógio que obtens de Aaron Keener).

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O menu de progressão dos níveis SHD

Podes progredir nos níveis SHD da mesma forma que sobes normalmente de nível: a ganhar a XP das diversas actividades disponíveis. Sempre que sobes um nível, podes consultar o teu relógio e investir um ponto de progressão em quatro parâmetros: ofensivo, defensivo, handling e utilidade. Os pontos que ganhas são específicos para cada parâmetro e vão rodando. Por outras palavras, o primeiro ponto que ganhas tem que ser obrigatoriamente investido em ofensivo. O segundo é para defensivo, o terceiro para handling e o quarto para utilidade - o ciclo repete-se nos níveis seguintes. Ao progredires nestes níveis estás a melhorar o teu agente de uma forma independente ao teu equipamento.

A dificuldade lendária e as esponjas de balas

Esta é uma dificuldade desenhada especificamente para os jogadores mais dedicados de The Division 2, mas trouxe de volta um problema do primeiro jogo: as famosas esponjas de balas - inimigos de barra amarela em que para quebrares a sua armadura tens que gastar não sei quantos carregadores. Para além da sua enorme resistência, estes inimigos conseguem matar-te num ápice. O outro problema da dificuldade lendária é que o loot não compensa. Embora o volume de loot seja maior nesta dificuldade, não há garantias de que vais receber bons equipamentos, pelo que há quem prefira reduzir a dificuldade e passar as missões mais rápido. A lógica por detrás desta decisão é que nas dificuldades mais baixas, em Hard ou Heróico, tens a mesma probabilidade de receber um equipamento com os atributos e talentos perfeitos.

"Trouxe de volta um problema do primeiro jogo: as famosas esponjas de balas"

Tanto a dificuldade como a qualidade do loot são coisas que a Ubisoft pode e deve ajustar. Estes jogos não são estáticos e durante os meses seguintes a Ubisoft vai continuar a fazer mudanças com base no feedback da comunidade. Com a chegada da expansão a Ubisoft também inaugurou as Seasons de The Division 2, que incluem novos alvos para a abater. À medida que o tempo passa e que os jogadores progridem, mais alvos serão desbloqueados. Em termos de conteúdo e valor de replay. Warlords of New York está carregada. É um bom momento para regressar a The Division 2. As novidades e mudanças incluídas nesta expansão são, no geral, muito positivas e melhoram a experiência.

Prós: Contras:
  • O mapa da baixa de Manhattan é uma recriação fantástica
  • Novos conteúdos e mais missões da história
  • O grind tornou-se mais refinado e acessível
  • O sistema de progressão SHD é uma melhor solução do que o Gear Score
  • Como um jogo de tiros estratégico, continua divertido e com excelente jogabilidade
  • Esponjas de balas na dificuldade lendária
  • Apesar dos novos conteúdos, não há nada refrescante

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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