Animal Crossing New Horizons - Passámos o primeiro dia na ilha

A estreia da série na Nintendo Switch.

Ao tempo da leitura deste artigo terão já visto, muitos de vós, a Direct que a Nintendo dedicou à nova incursão da longa série Animal Crossing. Oito anos após New Leaf, espera-nos a partir de 20 de Março uma nova jornada. O vídeo entretanto dedicado ao novo capítulo é amplo o suficiente para deixar perceber as novidades e a sequência mais formal desde a primeira hora. Aventura mais estruturada, apoiada em objectivos com mais ou menos nuances, embora dentro do âmbito de um "sim life", ou "animal life".

Quer isto dizer que embora seja possível comprimir uma grande dose de informação num vídeo, há pormenores que só poderão ser aquilatados ou melhor percepcionados no longo curso. Tudo leva o seu tempo na paz de um dia de primavera ou numa noite contemplada pela queda de uns flocos neve. As tarefas do quotidiano - as rotinas diárias - mantêm-se em sintonia com avanços na campanha single player e multiplayer.

Nós tivemos a oportunidade de jogar a versão final, a mesma que dia 20 poderão experimentar nas vossas Nintendo Switch. Um período de tempo breve, cerca de 45 minutos, não permite grandes veleidades ou avanços para além do primeiro dia. Na verdade, jogamos apenas dois dias dentro do jogo. É um instante num oceano de tempo que New Horizons pode proporcionar, tempo escasso para uma percepção duradoura, mas suficiente para inaugurar e compreender os meandros e sinais de um caminho que será aberto daqui por um mês. Por isso, aproveitamos este artigo para descrever as impressões e o que vimos nos primeiros 45 minutos, não deixando de ter em conta as funcionalidades reveladas pela Nintendo no vídeo da Direct.

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Antes da partida para a ilha podem tomar algumas opções.

Procedimentos na partida para a ilha

Em AC New Horizons toda a acção decorre numa ilha. O prospecto de uma viagem que tem ida marcada mas sem bilhete de regresso, parece evocar os sete anos passados na montanha pela personagem central do épico A Montanha Mágica, de Thomas Mann. É isso que começam por evocar Timmy e Tom Nook, novamente os exploradores do negócio, ao proporcionarem a opção por uma ilha no hemisfério norte ou sul do planeta. A norte há uma camada espessa de neve acumulada e temperaturas mais baixas, enquanto que no sul a composição é bem mais primaveril e até paradisíaca. No entanto, a partir do primeiro dia há uma alteração, dado que o jogo reentra no curso normal do relógio da consola.

Timmy e Tom lançam ainda a questão de um único objecto que gostaríamos de guardar na ilha: comida, lâmpada ou um cobertor. A resposta não parece produzir efeitos, até porque depois do editor de personagem, assente numa base algo minimalista mas suficientemente ampla para permitir uma diferenciação da personagem, passamos para a ilha, ainda por explorar. É necessário associar um nome à ilha e marcar o sítio desejado para montar a tenda.

"De início toda a sequência se desenvolve dentro da base de campismo, mas a longo prazo é possível construir uma casa"

De início toda a sequência se desenvolve dentro da base de campismo, mas a longo prazo é possível construir uma casa, com todas as comodidades associadas. A escolha do equipamento, mobiliário e design é essencial na formação do espaço dedicado à habitação e lazer. O tamanho também pode ser aumentado por forma a receber os objectos, móveis e utensílios únicos.

O smartphone como "hub" de operações

A novidade mais interessante nesta primeira fase vivida na ilha é a utilização do "smartphone", um telemóvel dotado de uma série de aplicativos que com tempo são adicionados, permitindo uma gestão dos afazeres e dos objectivos. Claro que as actividades de rotina mantêm-se: recolher lenha para uma fogueira ao final do dia, para que possam "queimar" algum tempo sob o rigor do inverno e recolha de frutos existentes nas árvores. O procedimento, recolha, obtenção e entrega é o mesmo, com a simplicidade a que nos habituamos. Os primeiros habitantes da ilha solicitam-nos indicações sobre os espaços onde montar as suas tendas. Após alguns instantes, lá vemos as suas tendas, enquanto circulam livremente no exterior.

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O novo sistema de milhas é central no cumprimento dos objectivos.

Dentro da tenda, os objectos são escassos. Uma lamparina, um rádio e uma cama para a primeira dormida. É quase como um naufrago que acaba por dar à costa, uma vida limitada mas aberta à exploração e fabrico de objectos. É isso que nos pede Tom Nook, após uma primeira noite. As "receitas" são uma espécie de manual de instruções que permitem construir utensílios indispensáveis à exploração dos recursos da ilha. A cana de pesca é uma ferramenta habitual com a qual nos lançamos na captura do peixe.

"Dentro da tenda, os objectos são escassos. Uma lamparina, um rádio e uma cama para a primeira dormida"

Timmy e Tom fornecem os meios para o fabrico, embora tenhamos que angariar os recursos, como canas de árvores. A partir daí é a máquina instalada no serviço de assistência pelos Nook que dá seguimento. Uma casa aberta 24 horas por dia, para as mais diversas funcionalidades. Nem todas estão disponíveis no primeiro dia. Algumas só a médio e longo curso, como o serviço de postais e até um aeroporto.

Sistema de milhas

Mas a maior novidade implementada no "smartphone" é o sistema de milhas, uma espécie de registo diário de actividade. Por cada objectivo cumprido é atribuído um conjunto de milhas que são depois transformados em unidade monetária, os "bells". Pela atribuição da ilha e total de encargos espera-nos uma soma de 50.000, valor que não tem de ser liquidado numa operação, mas por prestações, diluído ao longo do tempo. O objectivo é jogar e cumprir objectivos por forma a ganhar milhas e assim liquidar o tal empréstimo. É um sistema que pode ganhar contornos mais abrangentes, integrado com outras operações e até na componente multiplayer.

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Cenários apresentam uma composição tradicional, num traço minimalista.

Se a jornada comprimida em 45 minutos de jogo se resume a uma introdução que não contempla grandes alterações na ilha, isso não significa que não venham a ocorrer as tais transformações. Para além do serviço de residência de 24 horas de Timmy e Tom Nook, haverá um museu, lojas e até um alfaiate para a produção de vestuário específico para a ocasião e determinados eventos. Gradualmente são abertas novas lojas na ilha e regularmente darão à costa personagens naufragadas. É uma interacção que advém dos jogos anteriores da série e que só a longo prazo adquire melhor percepção.

"Gradualmente são abertas novas lojas na ilha e regularmente darão à costa personagens naufragadas"

A criação de ferramentas é um processo indispensável à transformação da ilha. É possível torná-la num espelho nosso sobre o que faríamos num espaço pequeno mas susceptível de arranjo. Cada um tem a sua ilha, podendo mudar os cursos dos rios, fazer pontes e até abrir socalcos ou formar muros, uma estrutura em pisos que contempla por exemplo bonitas quedas de água. O desenvolvimento da ilha é acompanhado por novas apps. Chegam regularmente ao telemóvel e vão para lá da habitual fotografia (photopic)

Até um máximo de oito pessoas podem explorar a ilha, partilhando actividades, recursos e obtendo mais milhas. Haverá eventos específicos na base do dia-a-dia, para lá das tradicionais festas do Natal, aniversários e comemorações do ano novo. Se o sistema online contempla essa agregação, até quatro jogadores podem jogar por via cooperativa num mesmo sistema, usando um cartucho.

A Nintendo aponta a uma série de actualizações gratuitas após o lançamento. O Nooklink, por exemplo, deixará pesquisar um padrão de designers. Será permitido usar o telemóvel para chat por texto. A componente online terá preponderância no futuro a longo prazo. No imediato, a estrutura single player à qual nos remetemos, ainda que por um curto período de tempo, revela uma abordagem tradicional, refeita e com uma base diferenciada, mas substancialmente ligada às raízes de Animal Crossing. É um jogo de um apelo especial entre os fãs, faltando saber como será a performance numa Switch cuja expressão é significativa.

O Eurogamer viajou até à Nintendo of Europe, a convite da Nintendo, onde jogou 45 minutos da versão final de Animal Crossing New Horizons.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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