Snack World: The Dungeon Crawl - Review - Monster Hunter 4 Kids

Remaster 3DS da Level-5 chega demasiado tarde.

O design datado prejudica a experiência a longo prazo, mas se o jogares com amigos adiarás a sensação de cansaço.

The Snack World foi anunciado em Dezembro de 2015 como uma propriedade intelectual multimédia da Level-5, composto por uma série anime, manga e de um videojogo chamado The Snack World: Trejarers. Foi um RPG que chegou ao Japão em Agosto de 2017 para a Nintendo 3DS, uma consola que estava de despedida. Em Abril de 2018, o jogo teve direito a um port expandido para a Nintendo Switch repleto de melhorias e novidades, a consola que entretanto tomou conta do Japão e do mundo. Essa versão expandida chegou agora à Europa.

Apesar do port melhorado para a Switch ter chegado ao Japão em 2018 e de ter demorado praticamente dois anos a chegar cá, terás de ter em conta que a versão original é de 2017 e foi pensada para uma portátil com limitações específicas. Além disso, é um jogo imaginado para os jogadores japoneses que vibravam com a série Monster Hunter na 3DS, que há três anos, ainda incertos sobre a Switch, tinham acabado de ajudar os mais recentes jogos da Capcom a vender mais de 3 milhões de unidades.

Imaginada como uma propriedade para os mais pequenos, Snack World: The Dungeon Crawl é a oportunidade perfeita para todos os que assistiram à anime passarem mais tempo neste universo. No entanto, ao contrário do que aconteceu no Japão, não tivemos acesso à anime, manga ou brinquedos através dos quais a Level-5 tentou criar mais um furor no Japão

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Tutti-Frutti, o hub principal de Snack World.

Isto é muito importante para o contexto do jogo, pois o objectivo da Level-5 parece claramente criar uma espécie de Monster Hunter, que na altura do desenvolvimento de Snack World apresentava, com os lançamentos 3DS, resultados de gerar cabeçalhos a ritmo constante. Talvez por isso não seja de surpreender que Snack World: The Dungeon Crawl pareça uma espécie de tentativa de simplificar Monster Hunter, com um aspecto cartonesco a acompanhar, para o tornar mais acessíveis às audiências mais jovens.

Bem humorado, mas o grind não te fará sorrir

Snack World: The Dungeon Crawl recorre a bom humor e situações caricatas para avançar no seu enredo, que combinado com o aspecto altamente colorido inspirado na anime, resulta muito bem. A conversão para a Switch consegue conferir-lhe um tom actual e jamais imaginarias que estás perante um jogo nascido na 3DS, pelo menos a olhar para os gráficos. A estrutura e ciclo gameplay já não se pode gabar do mesmo. Tal como o nome indica, este é um "Dungeon Crawl" e estarás constantemente a percorrer as mesmas masmorras para ganhar XP, apanhar armas ou itens para fabricar ou melhorar peças que já tens.

O hub principal, Tutti-Frutti, uma adorável cidade que está repleta de cidadãos que te dão missões opcionais, lojas onde podes comprar armas ou armadura e locais repletos de NPCs com histórias fascinantes. A sua personalidade bem humorada é bem expressa neste local, a partir do qual geres as várias mecânicas e escolhes a missão. Após um ecrã de loading, és transportado para o local da missão (varia de tamanho e apesar de repetires muitos dos locais as masmorras variam o design a cada vez que lá entras), cumpres a missão e voltas a Tutti-Fruti para escolher nova missão e repetir.

"Apesar do aspecto adorável, existem diversos sistemas a gerir e um ciclo gameplay repetitivo".

Frequentemente, terás de repetir as mesmas missões para ganhar XP, obter materiais ou armas, e melhorar a tua probabilidade de triunfar numa masmorra com missão de história- É aqui que Snack World: The Dungeon Crawl se torna repetitivo e até aborrecido. A possibilidade de jogar com amigos (via online ou local) mitigará o cansaço, mas se o jogares a solo, prepara-te para repetir constantemente missões. O ciclo gameplay poderá deixar-te a suspirar por mais e a constante necessidade de obter mais uma espada para melhorar a espada que tens, sem esquecer os materiais também necessários, retira rapidamente fulgor a um jogo que nem é tão simplista quanto poderia ser.

Uma relíquia do passado

Em Snack World, terás diversos sistemas a gerir e com nomes próprios que tornam tudo inicialmente mais complicado. As armas que equipas e levas contigo são chamadas de Jagras, e os monstros que podes capturar e levar contigo são os Snacks. No Japão, a Level-5 criou brinquedos com código NFC que podias ler e receber prémios no jogo, algo que nos escapará nesta versão Ocidental. A gestão e evolução das Jagras força um grind excessivo e repetir os mesmos níveis para o conseguir apenas prejudica a experiência, enquanto os Snacks são uma boa forma de introduzir profundidade.

No entanto, Snack World consegue ser um jogo divertido, especialmente no sistema de combate em si. Além da estética visual e do bom humor, a Level-5 criou um sistema de combate em tempo real que se tornou no grande motivo para continuar a jogar, é dinâmico e interessante. Podes martelar o botão de ataque, mas terás constantemente de alternar de Jagra para uma mais adequada para o monstro que estás a enfrentar e estas têm barra de uso. Isto significa que quando a barra azul da Jagra chegar ao fim, terás de trocar para outra e poderás ficar sem aquela que é mais indicada para um boss. Pequenos detalhes que incutem dinâmica e profundidade.

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Os brinquedos de Snack World que nunca chegaram ao Ocidente.

Esquivar no momento certo, alternar entre Jagras, escolher os melhores Snacks, explorar as masmorras, e enfrentar alguns bosses bem difíceis tornou-se inesperadamente interessante. Um total oposto da estrutura e design arcaicos que nos remete para uma anterior geração.

Snack World: The Dungeon Crawl (o Gold no nome significa a presença de todos os DLCs lançados para a versão Japonesa) é um jogo com charme, bem humorado e capaz de momentos divertidos. No entanto, não esconde que é um jogo pensado para uma portátil de anterior geração, com um design datado. Se tivesse sido lançado em tempo útil, talvez fosse mais fácil equilibrar o que tem de bom com o resto, especialmente porque tem pouca concorrência na Switch. Mas quase dois anos depois é difícil afastar a sensação que teríamos ficado melhor servidos com uma sequela, já pensada em pleno para a híbrida da Nintendo.

Prós: Contras:
  • Visuais coloridos
  • Enredo repleto de bom humor
  • Gameplay com boas mecânicas que tentam introduzir diversidade
  • Possibilidade de jogar com outros jogadores
  • Design arcaico
  • A solo torna-se aborrecido
  • Grind repetitivo
  • Demasiados sistemas para aprender e gerir

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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