Patapon 2 e os seus encantadores exércitos dão ritmo à PS4

O improvável jogo de guerra e estratégia.

Obscura produção maioritariamente consagrada entre nichos, Patapon ainda é uma série capaz de suscitar curiosidade e interesse, mais de dez anos após o seu lançamento.

Editado em 2007 no sistema PSP, ganhou na portátil uma vitalidade e sucesso de monta, tanto da crítica como dos jogadores.

Patapon representou a veia criativa do estúdio nipónico Pyramid, em colaboração com o Japan Studio e o seu sucesso explica-se na forma de uma trilogia.

Convertida para formato 4K em 2017, Patapon é uma realidade remasterizada no quadro do sistema doméstico, uma viagem ao interior do lar na tentativa de encontrar novas audiências e chegar a uma nova geração que eventualmente desconheça os originais.

O filão de remasters de clássicos tem sido explorado pela Sony com sucesso, trazendo títulos de outras décadas, ligados anteriormente apenas a formatos específicos, uma entrada no espaço mais abrangente da família de consolas PS4.

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É impressionante a quantidade de acções disponíveis através dos tambores, mas também é mais fácil errar na sequência.

Patapon 2 tomou mais tempo do que inicialmente se esperou. Depois do primeiro seria de supor que num ou dois anos a sequela subiria ao estado de alta-definição. Com janelas de lançamento de remasterizações apontadas a outros títulos, é uma realidade no começo de 2020, que vem juntar-se a um bom acervo de clássicos.

Que razões justificam o interesse por esta remasterização?

É a questão que imediatamente se impõe, quando um jogo editado em 2008 ainda supõe um investimento adicional em optimização e preparação para o formato em alta definição. O ponto mais saliente é a conjugação bastante eficiente e singular de diferentes géneros, conjugada com uma apresentação algo minimalista mas atraente, representada num grafismo colorido e de fortes contrastes, de pequenos exércitos em marcha no plano do horizonte. Na verdade, embora possa veicular a ideia de um jogo de música e ritmo, consegue operar uma extensão bastante agradável e desafiante, ao juntar elementos de role play e estratégia.

Indo ao núcleo do jogo, Patapon pode ser definido como um jogo de guerra e estratégia. O jogador assume o papel de um deus de uma tribo de umas estranhas e peculiares personagens que mais parecem olhos com pestanas, dotados de membros que permitem o uso de armas. O objectivo consiste em usar os tambores, seguir o ritmo e a forma da música ou letra, como forma de motivar as tropas e aligeirá-las para o combate. Historicamente o método era usado ainda no comando dos navios de combate, quando alguém ao comando de um tambor indicava a marcha para os escravos remarem com força na direcção do barco inimigo.

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A personalização do exército é quase assombrosa, numa aproximação à componente de estratégia e role play.

Já os criadores de Patapon, nomeadamente Horyuke Kotani, inspiraram-se no artista francês Rolito. Numa entrevista dada ao Playstation blog, em 2007, por ocasião da versão remasterizada do original, o produtor expressou admiração por ver imagens daquelas criaturas alienígenas, em cenário de guerra. Achou que seria uma boa ideia converter esses desenhos em jogo.

Direcção artística encaixa como uma luva na alta definição

A experiência de Patapon pode ter lugar em dois níveis ou planos de dificuldade. Em primeira ordem, como um título musical, um jogo de ritmo e música, que nos leva a experimentar diferentes notas (tambores) com apenas quatro comandos. É possível progredir no jogo investindo apenas nesse plano. Mas para uma experiência mais profunda a obtenção de equipamento contribui para diferentes ataques, organização diferenciada das tropas e até definição de estratégias atacantes ou defensivas consoante o tipo de missão. É uma vertente mais funda e alargada, um plano de dificuldade maior, especialmente quando as transições de cores são maiores e há uma concentração das tropas e acções a desencadear. O resultado é uma gestão bem mais complicada do que parece inicialmente, pois ao arriscar diferentes acções o jogador poderá causar confusão e caos no exército, deixando as tropas à mercê do inimigo.

Patapon 2 funciona como óptima sequela. É a expansão que se mostra mais alargada, dando seguimento aos acontecimentos do jogo anterior. Nesse sentido é um jogo melhor, mais vasto, com imensos níveis e um sentido de estratégia amplificado. Além disso, os visuais são mais aperitivos. A organização e desenho dos indicadores é melhor. Como referência visual da série, adquire neste formato em HD um especial destaque, mais uma vez pelas cores contrastantes e vivas e por uma exacerbação dos ambientes. Pena que as sequências animadas não tenham recebido o mesmo tratamento (a conveniente passagem à alta definição), passando um aspecto mais desfocado, por oposição à riqueza do HD.

A sonoridade é igualmente muito eficaz, sons que nos chegam ritmados pelo "push" traduzido em gritos de guerra por aqueles seres minuciosos. A banda sonora é igualmente muito boa. A singularidade da experiência, mais do que um simples jogo de música de ritmo e assente numa combinação de vários elementos, resulta em continuar a surpreender todos estes anos depois. Não há muito joguei o original na PSP. Esta sequela retoma imensos elementos desse jogo, é criada a partir do sistema original e não foge dessa construção. Mas é ao mesmo tempo uma experiência encantadora desde que sejam capazes de superar superar os picos de maior dificuldade.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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