Star Wars: Rise of Skywalker é um remendo para o filme anterior

J.J. Abrams usa o poder das memberberries.

Este artigo está livre de spoilers

Foi quando as luzes da sala de cinema se acenderam para assinalar o intervalo de Star Wars: Rise of Skywalker que me apercebi que não queria realmente saber do que estava acontecer nem do destino das personagens envolvidas na história. É um filme de Star Wars, adoro a franquia bem como o universo que George Lucas criou, mas a falta de consistência narrativa nesta trilogia não permite que Rise of Skywalker seja mais do que um remendo para o filme anterior.

Não é segredo que desgostei da direcção de Rian Johnson em Star Wars: The Last Jedi. É um realizador com bons filmes, mas que teve um efeito desastroso nesta nova trilogia (e não vou perder tempo novamente a numerar essas razões). A prova desse efeito é o regresso de J.J. Abrams como realizador para este episódio IX de Star Wars e os seus esforços para concertar os estragos provocados na narrativa pelo filme anterior.

Os Memberberries de Star Wars

Rise of Skywalker não é nada mais do que um memberberry de Star Wars, tal como The Force Awakens já o tinha sido (o termo memberberry vem de South Park e são basicamente umas bagas que vêm carregadas de sentimentos nostálgicos daquilo que era bom no passado). Depois do divisivo The Last Jedi, não podemos culpar J.J. Abrams por recorrer a uma fórmula com resultados dados e foi isso o que fez com Rise of Skywalker. Pegou no maior vilão - e melhor diga-se - que já apareceu nos filmes de Star Wars e trouxe-o de volta.

Desde que o actor Ian McDiarmid (senador Palpatine / Imperador Darth Sidious) subiu ao palco na Star Wars Celebration e que o seu riso maléfico apareceu no primeiro teaser de Rise of Skywalker que o seu regresso deixou de ser um segredo bem guardado. É também o regresso da fórmula clássica de Star Wars: uma luta da luz contra o lado negro da Força com personagens que são a personificação dessas duas facetas. De um lado temos Rey - forte, justa e determinada - e do outro Kylo Ren e Darth Sidious - cada um com planos diferentes, mas ambos com a mesma intenção: dominar o universo através do poder e do medo.

Corrigir os erros do passado

Tendo em conta o número de pontas soltas que The Last Jedi deixou, é impressionante que J.J. Abrams tenha conseguido atar praticamente todas em 2h21 de filme, oferecendo simultaneamente uma aventura clássica de Star Wars para os fãs. A responsabilidade de Rise of Skywalker é enorme - tanto para a reputação da Disney, que é agora a maior força do cinema, como para a reputação de Star Wars, que já sofreu abalos suficientes. Os "nós" que J.J. Abrams fez para corrigir as pontas soltas nem sempre são brilhantes, mas numa história já altamente constrangida pelo filme anterior, não era possível fazer muito melhor.

"Tendo em conta o número de pontas soltas que The Last Jedi deixou, é impressionante que J.J. Abrams tenha conseguido atar praticamente todas em 2h21 de filme"

Se procuras respostas para as muitas questões que ficaram por responder em The Last Jedi, vais encontrá-las. Finalmente é resolvido o mistério das origens de Rey, percebemos porque razão a General Leia Organa consegue usar a Força, de onde veio o Supreme Leader Snoke, e o motivo pelo qual Rey e Kylo Ren conseguem comunicar tão vividamente à distância. No processo também vemos poderes da Força que, embora nunca tivessem aparecido no cinema, eram conhecidos no universo de Star Wars. Do princípio ao fim, Star Wars: Rise of Skywalker faz bastante sem dar a sensação de que está a contar a história a correr.

Um filme com bons e maus momentos

Star Wars: Rise of Skywalker acaba por ser o espelho perfeito para esta nova trilogia: um filme que tem tanto de bom como de mau, atormentado por inconsistências no universo de Star Wars (prepara-te para veres as maiores exibições de sempre de manipulação da Força). Ainda assim, é um filme muito mais fácil de aceitar e de se desfrutar do que The Last Jedi. Numa trilogia acidentada como esta, Rise of Skywalker simplesmente não tinha as condições necessárias para ser um bom filme. É o melhor filme que podia ser com as restrições que existiam. Para alguns fãs isto é suficiente, outros vão continuar a exigir mais e melhor (estou nesta última categoria).

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Como filme de Star Wars, faz o esperado: combates com naves espaciais, lutas épicas com lightsabers, mostra uma aventura em que os bons têm uma chance extremamente pequena de triunfar, e está repleto de one liners para injectar humor (e parece ter resultado, as gargalhadas na sala de cinema foram frequentes). Não é um filme surpreendente, refrescante nem inovador (voltamos novamente às memberberries). Estou contente que esta trilogia finalmente tenha acabado. Em retrospectiva, continuar a história da família Skywalker foi uma má ideia pois existia demasiada bagagem - mas o factor nostalgia era bom para ser capitalizado. Para futuros filmes de Star Wars, espero que a Disney largue as memberberries - o universo de Star Wars é tão vasto e tão rico que não há necessidade de estarem constantemente a apoiarem-se no passado.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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