The Witcher da Netflix é a nova série obrigatória para fãs de fantasia

De ver e chorar por mais!

Em Maio deste ano os fãs de fantasia ficaram com um vazio enorme depois do final de Game of Thrones. Apesar da última temporada ter dividido os fãs por variadíssimas razões, há que reconhecer que Game of Thrones foi uma série que transformou o panorama das séries de televisão. A fasquia ficou mais elevada, não só para a cinematografia em geral mas também para os efeitos CGI, começou-se a dar muita mais importância à qualidade de cada episódio em vez da quantidade, e os espectadores cansaram-se de narrativas previsíveis. Nas séries de televisão, era comum que as personagens relevantes para a narrativa estivessem a salvo devido à sua importância, mas desde que Ned Stark perdeu a cabeça em Game of Thrones que esse pressuposto sofreu o mesmo destino.

A série de The Witcher da Netflix chega até nós neste panorama, em que as séries de televisão têm tanta importância e qualidade como o cinema. Carrega elevadas expectativas nos ombros, mas o percurso é mais fácil depois de Game of Thrones ter aberto as portas do mundo de fantasia para milhões de pessoas que nunca antes tinham experimentado o género. Para os fãs de videojogos, os mundos de fantasia já são companheiros de longa data e, neste caso em específico, até já existe uma adaptação aos videojogos de The Witcher que deixou muitos jogadores familiarizados com este universo. Insiro-me neste último exemplo e, tal como tu, estava bastante curioso para assistir à série.

A Netflix deu-nos acesso antecipado a 5 episódios de The Witcher (a primeira temporada tem 8 episódios no total) e fiquei deveras surpreendido. Este é definitivamente uma nova série obrigatória para os fãs de fantasia. Não vou revelar qualquer spoiler - primeiro porque o embargo restringe bastante aquilo que posso revelar e, em segundo, por respeito aos leitores - mas posso dizer que esta é uma adaptação genuína ao material de origem e que nos transporta desde o primeiro segundo para este fantástico universo de fantasia.

Henry Cavill como Geralt de Rívia - Uma escolha perfeita

Inicialmente, torci o nariz quando Henry Cavill foi anunciado como a escolha para interpretar Geralt de Rívia. Henry Cavill é um fã devoto de The Witcher e logo à partida conhece muito bem a personagem e o universo à sua volta, mas o seu papel como Super-Homem nos filmes do DC Universe mancharam a sua reputação e desperdiçou o seu talento como actor. Em The Witcher, Cavill faz uma representação vivida e profunda de Geralt de Rívia. Não é uma personagem fácil de representar devido às suas delicadas nuances e conflitos internos, mas o actor mostra estar à altura. A interpretação de Cavill é a alma da série e, ultimamente, o motivo pelo qual queremos continuar a assistir ao desenrolar da história. Bravo, Henry Cavill, bravo!

"Cavill faz uma representação vivida e profunda de Geralt de Rívia"

Mas é injusto dar todo o mérito a Henry Cavill, até porque a estrutura narrativa da série está maioritariamente divida entre três personagens - Geralt, Yennefer (Anya Chalotra) e Ciri (Freya Allan). Anya Chalotra é igualmente brilhante no papel de Yennefer e consegue dividir muito bem as duas fases da personagem apresentadas na série - antes e depois de se transformar numa bruxa. De desajeitada e medrosa, passar a ser habilidosa e destemida. Freya Allan representa Ciri como uma criança desesperada, perseguida e que ainda não percebe bem as suas habilidades e o que fazer com elas. Embora não tenha a mesma importância que estas personagens, Joey Batey é hilariante no papel de Jaskier, injectando algum humor na atmosfera sombria sempre em redor de Geralt.

Os combates mostram a incrível habilidade e talento de Geralt

Não existe outra forma de dizer isto, o combate de The Witcher é brutal! A força crua de Geralt é sentida em cada um dos seus golpes e as coreografias não foram feitas para mostrar combates bonitos. Os combates de The Witcher são sujos, desesperados e sem cavalheirismos, mas não deixem de ser espectaculares. Como um Witcher, Geralt tem um conjunto de habilidades especiais. Uma dessas habilidades são feitiços simples chamados Signs. Embora na maioria das vezes Geralt prefira usar as suas espadas - uma espada de aço para combate contra humanos, e uma espada de prata para monstros - na série há várias ocasiões em vemos estes feitiços a serem usados. As poções mágicas, que intensificam certas habilidades dos Witchers, também aparecem várias vezes.

"A força crua de Geralt é sentida em cada um dos seus golpes"

Fica o aviso - sem tirar mérito à excelente recriação que a Netflix vez deste universo - que para quem nunca ouviu falar em The Witcher, a série tem bastantes coisas para assimilar desde início. A narrativa desenrola lentamente, ao seu próprio ritmo e com as personagens sempre no centro, mas muitas das coisas que constituem este mundo de fantasia não são explicadas - quanto muito, podem ser brevemente mencionadas como diálogos secundários. A série não perde tempo a explicar o que é um Witcher e como estes são submetidos a mutações genéticas desde crianças para adquirirem as suas habilidades. Numa determinada cena, ouvimos falar do Caos e como a magia que os feiticeiros usam vem daí, mas para quem nunca teve contacto com a saga, pode parecer um conceito obtuso.

Bestas fantásticas e onde encontrá-las

A série The Witcher é pautada por diferentes atmosferas. Tanto podemos estar a assistir a um banquete real ou bailado, como a uma cena assustadora envolvendo as temíveis criaturas que Geralt caça. Este é, afinal, o derradeiro propósito de um Witcher, caçar estas criaturas que atormentam pessoas ou populações a troco de dinheiro. Mais uma vez, o embargo da Netflix impede-me de revelar que criaturas é que aparecem na série, mas o que posso dizer é que nestas cenas The Witcher transforma-se quase num filme de terror. Os efeitos para recriar as criaturas na série estão credíveis e são acompanhados de uma atmosfera intensa que nos fazem perceber que, apesar das suas habilidades incríveis, Geralt está em perigo.

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Mas esta série não é feita apenas de caças a criaturas aterradoras. Embora a cada novo episódio haja geralmente uma nova caçada para Geralt, a verdadeira intriga de The Witcher está no conflito entre as diferentes raças e reinos. Por onde passa, Geralt é odiado ou temido, sempre visto como alguém desprovido de emoções à procura de facturar. Os elfos foram praticamente exterminados e excomungados da sociedade. No meio disto, há um clima de conflito entre feiticeiros e os diferentes reinos como Cintra e Nilfgaard.

Nasceu uma nova série apaixonante de fantasia

Os livros de Andrzej Sapkowski e os jogos criados pela CD Projekt RED são ambos fantásticos nos seus respectivos meios, por isso já sabíamos que este universo tinha tudo aquilo que era necessário para resultar numa série brilhante. Depois de assistirmos aos primeiros 5 episódios, constatamos que Lauren Schmidt, a produtora da série, conseguiu pegar nas palavras de Andrzej Sapkowski e fazer uma incrível "mutação" para uma série. A adaptação da Netflix de The Witcher é mágica, detalhada e contagiante. A história e o ambiente agarram-nos imediatamente. O elenco escolhido não podia ser melhor - esta é a melhor prestação que já vi de Henry Cavill. É uma série de ver e chorar por mais.

The Witcher já está disponível na Netflix.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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