Pokémon Sword e Shield - O mundo mais realista de Pokémon?

As primeiras impressões do novo Pokémon depois de 90 minutos.

Acho que é seguro dizer que, apesar de todo o sucesso que ambos os títulos conseguiram atingir (os números das vendas falam por si), Pokémon Let's Go Pikachu e Let's Go Eevee não eram propriamente os jogos que os fãs ansiavam jogar na sua Switch.

Let's Go funcionou quase como uma ponte, cujo objectivo primário era tornar os jogos da saga principal mais acessíveis para novatos, especialmente aqueles jogadores que estão mais habituados ao estilo descontraído e simplista de Pokémon Go - uma abordagem peculiar mas, ainda assim, olhada muito de lado.

Assim sendo, é com muito alívio que os fãs veem o regresso de Pokémon à Switch com Sword e Shield - e, pela minha experiência, consiste num regresso às raízes e à essência da franquia que a tornam num mega sucesso mundial, com uma ou outra pitada de novidades aqui e acolá que mostra como a saga está a evoluir e qual a direcção que está a tomar.

Pude jogar cerca de 90 minutos do jogo nos escritórios da Pokémon Company em Londres - joguei a versão Sword - e é gratificante ver como a Nintendo e a Game Freak usaram o hardware mais poderoso da Switch para expandir a saga em termos gráficos e visuais, algo perceptível logo no primeiro momento em que começas a jogar.

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A melhor representação de um mundo Pokémon

Os ambientes possuem uma escala, peso e dimensão nunca antes vistos na saga, ricamente decorados e estendendo-se, por vezes, até bem longe, no horizonte. Podes ver as montanhas, prados, florestas e habitações à distância (se bem que não podes alcançá-los), dando forma e variedade ao mundo do jogo; as cidades e aldeias são belas e curiosamente idealizadas, facilmente suplantando as dos jogos prévios e, de uma forma geral, existe uma sensação de vibração e realismo sem par.

Assim sendo, e suponho que sem grande surpresa para ninguém, Sword e Shield contêm (até ao momento, pelo menos) a melhor e mais realista representação de um mundo de Pokémon. Depois de anos a ver a anime e de jogar os jogos da saga, esta é sem sombra para dúvidas aquela que mais se aproxima do mundo que sempre imaginei na minha cabeça - e, tendo em conta que apenas joguei uma pequena fracção do jogo, espero seriamente que esta ideologia se mantenha até ao fim.

As cidades e aldeias são belas e curiosamente idealizadas.

A Wild Area é também outro factor atractivo e que muito diferencia Sword e Shield dos restantes jogos: caso tenhas dúvidas naquilo que consiste, pensa nela como um hub - um local de pura exploração onde Pokémon circulam nos lagos e relvados e que, numa estreia da franquia que realmente me surpreendeu, dá-te a oportunidade de controlar livremente a câmara do jogo. Conheces o ditado “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”? Essa é a expressão perfeita para classificar esta área e algo que a Game Freak deveria explorar seriamente em jogos futuros.

Como se comporta a Switch?

De qualquer das formas, existe algo que preciso mesmo de referir: as melhorias visuais, apesar de mostrarem um claro avanço para a série e o caminho que a mesma pretende (e deve) seguir no futuro, mostram que, apesar de tudo, compromissos tiveram de ser feitos. Continuo a afirmar categoricamente que estes são os jogos mais bonitos da saga mas é ainda possível notar que, graficamente, existem alguns locais esporádicos que denunciam o poder mais limitado da Switch.

Quando entrei na Wild Area pela primeira vez, não pude conter um leve choque - por mais interessante que esta nova área seja (que o é, indubitavelmente), não posso negar que a minha primeira impressão não foi a melhor - em grande parte, devido ao look árido e vazio com que me deparei inicialmente. Para além de tudo isto, algumas texturas pareceram-me ter uma qualidade ligeiramente inferior, com o aliasing bastante evidente nas mais diversas ocasiões, especialmente quando jogado num ecrã de maior dimensão, onde tudo se nota a olho nu. Na Switch Lite, por sua vez, esta situação é exponencialmente menos problemática.

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Existem alguns locais esporádicos que denunciam o poder mais limitado da Switch.

Mas isto são apenas pequenas problemáticas num jogo repleto de charme e que mostra claramente aquilo que faz de Pokémon uma das marcas mais poderosas do mundo do entretenimento - e que, é importante referir, em NADA denegriram a minha experiência geral com o jogo. Pude jogar Pokémon Sword desde o início e é difícil não te sentires confortável com a familiaridade da fórmula que os fãs tanto apreciam: escolher o teu starter, capturar novos Pokémon para preencher a tua party, batalhar outros jogadores pelo caminho e ganhar experiência, aumentando o poder dos teus Pokémon. Tudo isto são coisas que pude experimentar e que estão garantidamente em Sword e Shield da forma que tão bem conheces.

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Ginásios em Pokémon Sword e Shield

O pessoal da Pokémon Company deixou-me ainda jogar uma demo de uma parte posterior do jogo (que esteve disponível na E3, por acaso) e que me deu a oportunidade de enfrentar um ginásio e obter um crachá.

No meu caso específico, foi o ginásio do Tipo Água, dividido essencialmente em duas secções: a primeira, que te obriga a premir uma série de botões que activam/desactivam vários jactos de água que obstruem a tua passagem; a segunda, que consistiu no combate propriamente dito contra a líder do ginásio.

Aqui, estás novamente perante a experiência clássica de Pokémon e um dos factores que, pessoalmente, me atrai imenso para a série: a mistura de puzzles com combates é algo que, na minha perspectiva, se coaduna na perfeição e, jogando no ecrã da Switch Lite, todos os problemas gráficos que referi anteriormente desapareceram - durante nem meia hora, estive totalmente concentrado.

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E o combate de Pokémon Sword e Shield?

Outra das mudanças mais drásticas em Sword em Shield face aos restantes jogos é mesmo a habilidade Dynamax, algo que já deves ter visto com toda a certeza nos trailers de promoção do jogo. Pensa nesta mecânica como a Mega Evolução ou Z-Moves dos jogos anteriores - sendo que a principal diferença prende-se com o facto dos Pokémon adquirirem proporções gigantescas. E quando digo gigantescas, não estou mesmo a brincar - as criaturas crescem ao ponto de realmente preencherem o campo de batalha o que, sem dúvida, resulta em momentos repletos de acção que realmente são fascinantes de observar.

Os mesmos trazem ainda um componente extra de estratégia para os combates que resulta especialmente bem nas Max Raid Battles das Pokémon Dens. Infelizmente não pude jogar online (apenas usando NPCs), o que foi um grande pena já que estas batalhas parecem ser feitas para jogares com outras pessoas.

Dynamaxing resulta em momentos repletos de acção que realmente são fascinantes de observar.

Tal como tenho vindo a dizer ao longo deste artigo, estarás perante território quase inteiramente familiar. As mudanças em Pokémon são por norma muito lentas e tardias, mas é bom ver a Game Feak a tentar puxar a saga para os tempos modernos, com todas as regalias tecnológicas que a mesma oferece. Poderás estar a questionar-te: estaremos perante uma quebra drástica de uma fórmula tradicional e já muito vincada como vimos em Breath of the Wild?

Bem, essa é uma pergunta subjectiva e penso que cada jogador terá uma resposta distinta. A minha, no entanto, é não. De qualquer das formas, é bom ver uma saga como Pokémon a mostrar sinais de evolução e a tentar moldar-se ao panorama mais moderno do mundo dos videojogos. O caminho está traçado e agora é seguir em frente - e, dedos cruzados, com TODOS os Pokémon num jogo futuro!

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Jorge Salgado

Jorge Salgado

Redactor

Fã de cultura pop, séries jogos animes. É o nosso noobie.

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